Lamacchia segura o Vasco longe do STF — e a conta das bets fica por conta dele
Enquanto maioria dos clubes da Série A e B entra com ações individuais no STF pela volta das casas de apostas, o Vasco adota aparente neutralidade política ao lado da CBF — e se vê resguardado pelo acordo com o empresário.

O Vasco da Gama não seguirá o movimento da maioria dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, que alinharam ações individuais no Supremo Tribunal Federal (STF) em apoio às empresas de apostas contra o fim das bets no futebol. A decisão cruzmaltina alinha o clube à posição de aparente neutralidade política da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) — movimento compartilhado pelo Palmeiras, mas não pelos demais.
A articulação dos clubes visa ingressar como amigos da corte na ação movida pelas casas de apostas. O Flamengo já formalizou posicionamento nesse sentido. Após conversas entre as agremiações, decidiu-se pela liberdade de atuação individual, sem imposição dos blocos comerciais Libra e Liga Forte União (FFU), que não determinarão linha única aos seus membros neste tema.
A postura vascaína, contudo, não se ancora em alinhamento ideológico genérico ou em cálculo de risco jurídico isolado. O clube se vê resguardado pelo novo investidor, o empresário Marcos Lamacchia, que formalizou oferta pela compra da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco e, nos termos do acordo em negociação, se comprometeu a compensar eventuais perdas com patrocinadores. A Sportingbet, casa de apostas, figura como principal patrocinador master do Cruz-Maltino — situação que, em tese, exporia o clube a impacto financeiro direto caso o setor seja efetivamente banido.
O Palmeiras, que também ostenta a Sportingbet como patrocinador principal, cogitou judicializar a questão no STF. A presidente Leila Pereira, no entanto, recuou da iniciativa e optou por manter a agremiação alviverde em posição neutra, nos mesmos moldes adotados pela CBF. A decisão palmeirense difere da vascaína em um aspecto central: enquanto o clube paulista não possui acordo prévio de compensação financeira formalizado com terceiros, o Vasco ancora sua abstenção judicial na garantia trazida por Lamacchia.
A compensação acordada com o empresário representa, na prática, blindagem financeira. Lamacchia assumiu, no escopo da oferta pela SAF, o compromisso de neutralizar o impacto de eventual saída da Sportingbet ou de qualquer outro patrocinador que dependa do mercado de apostas esportivas. O arranjo permite ao Vasco adotar postura institucional distinta da maioria do futebol brasileiro — que corre para o STF em tentativa de preservar fluxo de caixa ameaçado — sem expor-se ao risco de déficit orçamentário.
A movimentação dos demais clubes, que escolheram o caminho da judicialização individual, reflete dependência acentuada das receitas oriundas de patrocínios de casas de apostas. A ausência de alternativa de curto prazo para recomposição desses valores impulsiona a corrida ao Supremo. O Vasco, ao contrário, negocia a venda da SAF em condições que transferem ao comprador o ônus de eventual ruptura no modelo de patrocínio vigente.
A articulação cruzmaltina com Lamacchia, portanto, não apenas viabiliza a compra da SAF como reposiciona o clube no xadrez político do futebol brasileiro. Enquanto rivais se mobilizam juridicamente para sustentar o status quo, o Vasco aposta na garantia contratual privada e na aliança com a CBF — cálculo que pode render dividendos institucionais caso a neutralidade se mostre estratégica no médio prazo.
Com informações do NetVasco, que cita Blog do Diogo Dantas - O Globo.
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