Lamacchia usará: R$ 500 mi no futebol, R$ 120 mi no CT, seguro de R$ 324 mi e leilão em 25/09

Lamacchia usará: R$ 500 mi no futebol, R$ 120 mi no CT, seguro de R$ 324 mi e leilão em 25/09

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou na última quinta-feira (10) a abertura oficial do leilão pela Nova SAF do Vasco da Gama, marcado para 25 de setembro. A grande favorita é a Almirante Participações e Empreendimentos, do empresário Marcos Lamacchia — filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

Segundo os documentos oficiais anexados ao processo de recuperação judicial do Vasco, a proposta vinculante da Almirante prevê a aquisição de 90% da SAF, com R$ 500 milhões em aportes de capital destinados exclusivamente ao futebol — elenco, comissão técnica e contratações —, sem possibilidade de uso para pagamento de dívidas. Os valores serão pagos em parcelas anuais de R$ 100 milhões, corrigidas pelo INPC. A leitura do Expresso98 é que o direcionamento do meio bilhão para o futebol representa uma blindagem inédita: o dinheiro vai para quem joga, para quem comanda e para quem será contratado, zerando a sangria histórica de recursos desviados para cobrir passivos — algo que o clube persegue há anos sem sucesso.

A proposta inclui ainda R$ 120 milhões no centro de treinamento profissional ao longo de 10 anos, R$ 30 milhões nas categorias de base em até dois anos, e a estruturação de projetos que possam gerar até R$ 150 milhões em incentivos fiscais ao clube em um período de 10 anos. A Almirante também se compromete a cumprir integralmente as obrigações do plano de recuperação judicial e demais dívidas tributárias e extraconcursais, além de manter equilíbrio financeiro por pelo menos cinco anos.

Entre as restrições impostas, a investidora não poderá vender sua participação por 10 anos, e a Nova SAF não poderá distribuir dividendos pelo mesmo período. A conversão de aproximadamente R$ 80 milhões do financiamento DIP já concedido via Banco Crefisa será transformada em participação societária na SAF. Para o Expresso98, a cláusula de lockup de uma década é uma trava decisiva: Lamacchia não poderá fazer caixa e sair, algo que afasta o risco de especulação financeira de curto prazo e alinha os interesses do investidor aos do clube no horizonte longo.

A Almirante apresentou uma emenda com alterações à proposta após manifestações da Justiça e do Ministério Público do Rio de Janeiro. Entre as modificações, estão a constituição de um seguro bancário de R$ 324 milhões — valor equivalente à dívida da SAF na recuperação judicial —, a conversão do empréstimo DIP de R$ 150 milhões em sinal de compra, e a renúncia a esse empréstimo caso um terceiro vença a concorrência. Também foram incluídas a renúncia ao vencimento antecipado do empréstimo de R$ 40 milhões feito em julho deste ano e o compromisso de antecipação do biênio, até o limite de R$ 27 milhões. O que o Expresso98 enxerga aqui é sinal de pele no jogo: Lamacchia já colocou dinheiro próprio, transformou o empréstimo em sinal e criou um seguro robusto que cobre o passivo — gestos que sugerem compromisso real, não apenas promessa no papel.

A proposta da Almirante foi aceita como stalking horse, servindo como oferta-base do leilão competitivo. Lamacchia possui o Right-to-Match — direito de igualar qualquer proposta superior apresentada por terceiros. Caso outro concorrente vença, deverá pagar R$ 25 milhões à Almirante. Os demais interessados precisam apresentar caução de R$ 150 milhões para participar do leilão, além de garantias bancárias para a cobertura de todo o passivo sujeito à recuperação judicial.

A decisão, assinada pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, estabeleceu que as propostas deverão ser apresentadas em audiência fechada marcada para as 14h do dia 25 de setembro. Se não houver uma oferta superior que avance no processo, a proposta de Marcos Lamacchia será declarada vencedora e o juízo declarará a arrematação da unidade produtiva.

A venda da SAF ainda precisará passar por ritos internos no Vasco, como aprovação do Conselho Deliberativo e pela Assembleia Geral para constituir a nova SAF. Paralelamente ao leilão, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) realiza um procedimento de verificação de possível conflito de propriedade na venda da SAF, devido ao fato de Marcos Lamacchia ser enteado de Leila Pereira. A previsão é de que a análise seja concluída nas próximas semanas. Vale a leitura de que o trâmite na Anresf, embora represente uma etapa de risco regulatório, não indica até aqui qualquer impedimento concreto — e o prazo de semanas sinaliza que a agência está tratando o caso com agilidade, o que joga a favor da conclusão do processo dentro do cronograma previsto.

Segundo fontes da ESPN, o entendimento interno em São Januário é que outros interessados não irão se manifestar até 25 de setembro, e o controle da Nova SAF deve ser mesmo de Marcos Lamacchia. A decisão da Justiça foi comemorada nos bastidores do Vasco e também por Marcos Lamacchia. Em entrevista ao ge, o empresário já havia dito que aguardava a liberação do leilão para "transformar o Vasco".

Com informações do NetVasco, que cita ESPN.

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Por Redação Expresso98 · Publicado em 11 de setembro de 2026

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