MP recomenda suspensão de 10 jogos para Força Jovem e Jovem Fla
Ministério Público do Rio cobra punição às organizadas após briga generalizada no Maracanã em 3 de maio. Torcedor vascaíno ficou cego por bala de borracha. Termo de Ajustamento de Conduta foi descumprido, segundo o órgão.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro formalizou nesta segunda-feira uma recomendação de suspensão por 10 jogos para duas das principais torcidas organizadas do futebol carioca: a Força Jovem do Vasco e a Jovem Fla. A medida decorre da briga generalizada registrada nos arredores do Maracanã após o clássico entre Vasco e Flamengo disputado no dia 3 de maio. O episódio resultou em uma das consequências mais graves da violência no futebol brasileiro recente: um jovem torcedor vascaíno foi atingido por bala de borracha durante os confrontos e perdeu a visão.
A recomendação foi encaminhada pelo Grupo de Atuação Especializada em Desporto e Defesa do Torcedor ao Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe). O documento estabelece restrições concretas: as duas organizadas ficam proibidas de portar faixas, bandeiras, instrumentos musicais ou qualquer indumentária que as identifique em todos os estádios do Estado do Rio de Janeiro, além do perímetro de segurança das arenas esportivas.
A fundamentação jurídica da medida está no descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado anteriormente entre o Ministério Público e ambas as torcidas organizadas. O acordo previa cláusulas específicas sobre o comportamento das organizadas em dias de jogos e nos perímetros das arenas.
O texto do TAC é explícito quanto às consequências previstas: 'Na hipótese de a torcida organizada se envolver em quaisquer atos de violência, como brigas, tumultos ou atos que, de qualquer maneira, coloquem em risco a ordem pública, bem como proceder à realização de concentração de seus membros em violação ao acordado na cláusula anterior, independentemente de na data haver a realização de evento esportivo, serão aplicadas as medidas educativas de advertência ou suspensão de comparecimento portando os seus apetrechos, em estádios que sediem eventos esportivos de futebol, seja em campeonato estadual, nacional ou internacional'.
Além da suspensão recomendada, o Ministério Público determinou que as duas torcidas apresentem, no prazo de cinco dias, listas atualizadas com os nomes completos de seus integrantes. As organizadas também devem apresentar esclarecimentos detalhados sobre os fatos ocorridos no dia 3 de maio.
O caso expõe a fragilidade dos mecanismos de controle da violência no futebol carioca e a dificuldade de fazer cumprir os acordos firmados entre organizadas e o poder público. O TAC, instrumento que deveria funcionar como freio preventivo, mostrou-se insuficiente para evitar o episódio que deixou um torcedor cego.
A suspensão das organizadas, se efetivada, representa uma das medidas mais duras aplicadas a torcidas no Rio de Janeiro nos últimos anos. A recomendação do MP, porém, ainda precisa ser analisada e implementada pelas autoridades competentes para que tenha efeito prático nos próximos jogos.
Para a torcida vascaína que acompanha o clube de forma pacífica e apaixonada, o episódio reforça a necessidade urgente de um debate sério sobre segurança nos estádios e a responsabilização efetiva de quem promove violência. O futebol deve ser espaço de festa, jamais de tragédia.
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