MPRJ cobra Força Jovem por violência e exige lista de membros
Ministério Público reuniu-se com a torcida organizada do Vasco nesta sexta para tratar da suspensão imposta após confrontos do dia 3 de maio. Clube foi representado por Alan Belaciano, e cobrança incluiu compartilhamento de dados de associados.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro realizou nesta sexta-feira (29/05) reunião com representantes da Força Jovem do Vasco para tratar da suspensão aplicada à torcida organizada em razão dos episódios de violência registrados após a partida contra o Flamengo, no dia 3 de maio, válida pelo primeiro turno do Campeonato Brasileiro. O encontro marca a segunda etapa de um esforço institucional para retomar o diálogo com as organizadas cariocas: na quarta-feira (27/05), o MPRJ já havia recebido representantes da torcida Jovem do Flamengo.
O Grupo de Atuação Especializada em Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST/MPRJ), comandado pelo promotor de Justiça Márcio Almeida, concentrou a pauta no caráter disciplinar da medida punitiva. Segundo Almeida, os fatos apurados no dia 3 de maio configuram descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2025 entre a Força Jovem do Vasco, a Jovem do Flamengo e o Ministério Público. O documento estabelece compromissos de comportamento e regras para o retorno gradativo da torcida organizada vascaína aos estádios — um processo que agora enfrenta nova crise.
'A ideia da reunião é melhorar o ambiente dentro do estádio e no entorno da região para que os torcedores tenham segurança e tranquilidade para acompanhar os jogos. Diante desse último conflito, com consequências graves, o MPRJ busca entender o que está acontecendo, junto com representantes das organizadas e retomar a pacificação do relacionamento entre as torcidas, a partir do diálogo e civilidade', destacou o promotor Márcio Almeida.
O presidente da Força Jovem do Vasco, Fabiano de Sousa Marques, compareceu ao encontro e foi questionado diretamente sobre a adoção de medidas que colaborem com o trabalho de segurança executado pelo Batalhão Especializado em Policiamento em Estádios (BEPE). Entre as exigências está o compartilhamento constante de relações nominais completas e atualizadas de todos os associados e membros da torcida organizada — com ênfase especial nos líderes das chamadas 'famílias', nomenclatura utilizada para designar os núcleos regionais da organizada. Fabiano também teve oportunidade de prestar esclarecimentos sobre os episódios ocorridos no dia 3 de maio, embora o conteúdo das explicações não tenha sido tornado público.
A diretoria do Vasco da Gama enviou quatro representantes ao encontro: Alan Belaciano, presidente da assembleia geral do clube; Rafael Faria, advogado do clube; Marcelo Lopes, chefe de operações; e Adriano Santos, gerente de segurança. A presença de Belaciano — um dos principais dirigentes na atual estrutura institucional vascaína — sinaliza o peso que o clube atribui à questão. Também estiveram presentes o promotor de Justiça Yan Souza, membro do GAEDEST; Fernando Silveira, secretário do grupo especializado; o tenente-coronel Aguiar, comandante do BEPE; e o advogado Pablo Ferreira, representante legal da Força Jovem.
A suspensão da Força Jovem, aplicada pelo MPRJ em decorrência dos confrontos do dia 3 de maio, representa um retrocesso no processo de reaproximação entre torcidas organizadas e autoridades públicas. O TAC assinado em 2025 havia sido saudado como um marco na tentativa de viabilizar o retorno gradual das organizadas vascaínas aos estádios, após períodos de restrição motivados por episódios de violência em anos anteriores. Com os eventos recentes, o cumprimento do termo voltou a ser questionado, e a exigência de transparência sobre a composição da torcida — incluindo a identificação dos líderes regionais — torna-se condição central para a continuidade do diálogo.
O MPRJ busca, com as reuniões, reconstruir canais de comunicação que permitam a prevenção de novos confrontos e a responsabilização efetiva em caso de descumprimento dos acordos. O tom adotado pelo promotor Márcio Almeida foi o de reafirmar que o objetivo institucional permanece sendo a pacificação e a garantia de segurança para todos os torcedores, mas que isso depende do compromisso concreto das organizadas com as regras estabelecidas. A expectativa agora é que os esclarecimentos prestados pela Força Jovem e as medidas de controle exigidas pelo MPRJ possam evitar novas punições e recolocar o processo de retorno aos estádios em trilho mais seguro.
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