Oito credores tentam travar a venda da SAF na Justiça e exigem R$ 500 mi em depósito judicial

Oito credores tentam travar a venda da SAF na Justiça e exigem R$ 500 mi em depósito judicial

Um grupo de oito credores trabalhistas do Vasco entrou com pedido de suspensão da venda da SAF do clube na 4ª Vara Empresarial da Capital nesta sexta-feira. O grupo é formado por sete ex-jogadores e um ex-preparador físico, todos credores na Recuperação Judicial do clube, e questiona o modelo de transferência do comando da empresa para o empresário Marcos Lamacchia.

Os credores que assinam a manifestação são o ex-preparador físico Flávio de Oliveira e os ex-jogadores William Barbio, Douglas Silva, Lucas Siqueira, Breno, Lucas Kal, Willian Maranhão e Luiz Gustavo. Segundo o jornalista Joel Silva, em publicação no X, o grupo entrou em conjunto na Justiça contra a venda nos moldes atuais.

A tese defendida pelos credores, representados pelo advogado Thiago Rino, sustenta que a operação descumpre o plano de recuperação judicial. O principal questionamento está na destinação dos recursos: a oferta apresentada prevê que o dinheiro seja destinado exclusivamente ao departamento de futebol, sem possibilidade de utilização para amortização de dívidas. Para os credores, isso contraria a Cláusula 4.1.2.1 do Plano, que prevê um fluxo financeiro para as Recuperandas destinado ao pagamento integral dos créditos concursais.

Os credores afirmam que não são contra a entrada de investimento no Vasco, mas sustentam que o modelo atualmente proposto deixaria a Vasco SAF sem o principal ativo gerador de receitas, comprometendo a capacidade de pagamento prevista no Plano. A operação prevê a transferência dos ativos esportivos para uma nova sociedade e, posteriormente, a venda de 90% das ações dessa Nova SAF.

A manifestação também questiona a ausência de documentos considerados fundamentais para analisar a operação, como a individualização dos ativos e passivos que serão transferidos, avaliação independente dos ativos e demonstração do impacto da operação sobre o fluxo de pagamentos aos credores. Os credores pedem que o pagamento do preço da operação seja realizado em dinheiro, mediante depósito judicial, e não por meio de compensação ou abatimento de créditos.

O pedido de tutela de urgência solicita a suspensão da fase decisória do processo competitivo da UPI Equity por até 30 dias ou até a realização de uma Assembleia Geral de Credores. Os credores também pedem a suspensão dos atos de constituição da Nova SAF e da transferência dos ativos esportivos durante esse período. Caso a Justiça entenda pela continuidade da operação, os credores exigem uma série de garantias, entre elas a destinação dos recursos para o pagamento do passivo concursal, preço mínimo baseado em avaliação independente e preservação dos mecanismos previstos na Lei da SAF para pagamento dos credores.

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Por Redação Expresso98 · Publicado em 04 de setembro de 2026

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