Omar Román nasceu em Buenos Aires, virou Gringo em São Januário e criou a ponte entre Vasco e Boca que dura 40 anos

Argentino nascido em Buenos Aires conheceu Roberto Dinamite nos anos 1980, passou a frequentar São Januário e construiu laço que une as torcidas de Vasco e Boca Juniors há quatro décadas.

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Omar Román andava pelos arredores de São Januário com camisa do Vasco e gorro do Boca. Quando ia para a Bombonera, invertia a ordem. No braço direito, uma tatuagem selava a dupla paixão: o escudo do Boca envolto pela cruz de malta. Nascido em Buenos Aires, torcia para o clube argentino desde o berço. Nos anos 1980, mudou-se para o Rio de Janeiro e a vida dele ganhou outra cor — e outro time do coração.

Tudo começou com Roberto Dinamite. O Vasco fez um evento na Argentina, Omar conheceu o ídolo e a aproximação com o clube carioca começou ali. Passou a frequentar São Januário, desenvolveu carinho pelo time, entrou para as organizadas. Aos poucos, ficou conhecido como Gringo e ganhou moral entre os vascaínos. Foi um dos criadores da música 'o sentimento não pode parar', que embala as arquibancadas até hoje, e trabalhou como segurança na primeira gestão de Eurico Miranda.

A La 12, uma das maiores torcidas organizadas do mundo, tem como orgulho não manter relações de parceria estabelecidas com nenhuma outra torcida — prática comum no Brasil. Mas os argentinos admitem que há uma forte ligação de proximidade e respeito com o Vasco por causa de Omar Román. Ele construiu a ponte entre as duas torcidas, e a ligação dura 40 anos.

Omar faleceu no início do ano passado, vítima de um AVC. O sentimento que ele carregava passou para o filho Diego Román, carioca que torce para Vasco e Boca Juniors. Diego — nome em homenagem a Maradona; Román, apesar da coincidência com Riquelme, é sobrenome de família mesmo — viajou com 13 anos com a La 12 e construiu a vida adulta na Zona Norte do Rio. Frequenta a Bombonera desde criança, sempre levado pelo pai, e agora vive o encontro dos dois mundos na semifinal da Copa Sul-Americana.

'Já tentei imaginar como vai ser várias vezes, mas eu empaco. Quando chego em São Januário e a torcida explode, o jogo começa, eu fico arrepiado. Eu sinto a mesma coisa pelo Boca. Estarei numa situação do tipo "o que está acontecendo?". Vai ser desesperador. Vai ser a primeira vez que não vou comemorar um gol. Não sei, estou muito na dúvida', afirmou Diego em entrevista ao ge.

O confronto entre Vasco e Boca Juniors acontece em um momento delicado para o Vasco no Brasileirão: o time está na 14ª posição, com 35 pontos, após nove vitórias, oito empates e doze derrotas em 29 jogos. A forma recente tem alternado altos e baixos. O último jogo foi um empate sem gols com o Remo, no dia 10 de outubro.

Diego optou por viajar com os torcedores brasileiros e ficará no setor visitante na Bombonera com amigos da torcida. Será a primeira vez dele como visitante na casa do Boca. 'Não sei nem como estou conseguindo dormir. Vou de visitante na casa do meu time do coração. Sou brasileiro e argentino, metade e metade. Sou Boca e Vasco, frequento a arquibancada sempre. Estarei na Argentina pelo lado do Vasco. Achei que isso nunca fosse acontecer', disse.

A família fez uma bandeira em homenagem a Omar. Diego afirmou que só vai pensar no pai do início ao final do jogo. 'Meu pai foi torcedor do Vasco e do Boca muito assíduo. Desde que ele faleceu, estou de luto, e o Vasco e o Boca me ajudaram, as duas torcidas me abraçaram muito. Esse jogo vai fazer com que ele reviva um pouco. Acho que ele vai se projetar um pouco no gramado. Não sei se estou preparado para isso, falando emocionalmente. Muitos dizem que eu tenho que escolher um lado. Estarei com o Vasco porque é onde a gente passa perrengue todo ano, então é justo eu viver isso com eles agora, mas meu coração estará dividido', confessou.

Sobre a possibilidade de comemorar algum gol, Diego admitiu não saber o que vai fazer. 'Como que vou comemorar? É muito difícil, são duas paixões. O Boca me ensinou a amar o Vasco. O Vasco é meu primeiro amigo. Um aumenta o sentimento que eu tenho pelo outro. Eu vivo o futebol no 200%, eu tenho dois times. Vou ver minha vida toda durante 180 minutos. Não vejo a hora disso passar', disse, rindo.

Com informações do NetVasco, que cita ge.

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Por Redação Expresso98 · Publicado em 13 de outubro de 2026

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