Organizadas decretam público zero e exigem mudanças urgentes

Força Jovem, Guerreiros do Almirante, Mancha Negra, Ira Jovem e União Vascaína divulgam notas duras cobrando reformulação no elenco e pedem boicote ao jogo de quarta-feira em São Januário pela Copa Sul-Americana.

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Até quando o vascaíno vai pagar ingresso caro para assistir a isso?

A pergunta ecoa pelas redes sociais e, agora, ganha força institucional. Cinco das principais organizadas do Vasco — Força Jovem, Guerreiros do Almirante, Mancha Negra, Ira Jovem e União Vascaína — divulgaram notas oficiais nas últimas horas exigindo mudanças urgentes no futebol do clube e convocando torcedores para um protesto sem precedentes: público zero na próxima partida em São Januário, pela Copa Sul-Americana, marcada para quarta-feira.

O movimento conjunto é resposta direta à sequência de resultados ruins e, principalmente, à postura do elenco em campo. As organizadas convergem em um diagnóstico: o Vasco está sem alma, sem compromisso e sem entender o peso da camisa que veste. A gota d'água foi a derrota em casa para o Bragantino, adversário que havia jogado competição internacional durante a semana, chegou ao Rio de Janeiro e, segundo as notas, 'brincou' com o Vasco dentro de São Januário.

'O Vasco hoje é um catado em campo. Um time sem alma, sem identidade, sem honra e sem compromisso com a história da Cruz de Malta', escreveu a Força Jovem em sua nota oficial. A Mancha Negra reproduziu trecho idêntico, reforçando a unidade do discurso. Para os Guerreiros do Almirante, o clube 'entrou em campo com a mentalidade fracassada que virou rotina', uma postura que classificam como 'covarde' e 'apática'.

O alvo das críticas não poupa ninguém. As organizadas citam nominalmente presidente Pedrinho e Felipe — este último, diretor de futebol — e cobram 'mudanças urgentes' na gestão do departamento. A União Vascaína foi além: exigiu 'reformulação total no departamento de futebol'. Sobre o elenco, a Força Jovem pediu publicamente a saída imediata de Piton, Saldivia, Tchê Tchê e Brenner. A Mancha Negra lista Piton, Saldivia e Brenner. A União Vascaína acrescenta Fuzato à lista e diz que 'era para pedir a saída do elenco inteiro, mas aí o Vasco ficaria sem time'.

A Ira Jovem destacou a 'queda de rendimento de alguns atletas que foram importantes neste ciclo pós venda do futebol' como fator crucial para os resultados ruins. Os Guerreiros do Almirante lembraram que o clube não repôs as saídas de Rayan, Vegetti e Coutinho — três peças consideradas fundamentais — e criticaram a falta de reforços diante da fragilidade do elenco atual.

Mas a maior revolta das organizadas diz respeito ao planejamento da comissão técnica para a Copa Sul-Americana. O Vasco poupou jogadores na última rodada da fase de grupos contra o Olimpia, optando por preservar atletas para o Campeonato Brasileiro. A decisão foi justificada como estratégia de calendário, mas o tiro saiu pela culatra: o time perdeu a chance de garantir classificação direta como primeiro colocado do grupo e agora corre o risco de disputar playoff contra eliminados da Libertadores — o que adicionaria dois jogos ao calendário, justamente o que a comissão queria evitar.

'Pouparam para quê?', questiona a União Vascaína. 'Depois disso, entrou descansado contra o Bragantino, em São Januário, e mesmo assim não competiu. O adversário também jogou competição internacional na semana, veio à nossa casa, dominou o jogo e só não fez mais porque perdeu pênalti.'

A Ultras Vascaína criticou duramente o planejamento: 'Não pode uma comissão realizar um planejamento que não serve de nada e a diretoria do clube acatar'. A organizada ainda questionou a lógica da decisão, lembrando que faltam apenas quatro jogos para uma parada de um mês e meio no calendário — período que poderia ser usado para descanso.

O movimento de público zero é inédito em sua abrangência. Os Guerreiros do Almirante informaram que, 'em acordo com todas as organizadas', ficou decidido assistir ao jogo de quarta-feira do lado de fora do estádio, em protesto conjunto. A Força Jovem justificou a decisão de forma direta: 'Já que vocês demonstram não ter respeito pela Copa Sul-Americana e nem pela torcida vascaína, então joguem sem torcida'.

A União Vascaína reforçou o argumento econômico: 'O Vasco é clube do povo, mas hoje cobra um dos tickets médios mais caros do país. Quem paga essa conta é a torcida, enquanto dentro de campo sobram jogadores sem compromisso, sem entrega e acostumados a colecionar vexames'.

As cinco notas convergem em um recado final à diretoria, comissão e elenco: o amor pelo Vasco é infinito, mas a paciência acabou. 'Chega de vergonha. Chega de jogador acomodado. Chega de tratar o torcedor como idiota', escreveu a União Vascaína. A Ira Jovem foi categórica: 'Não aceitaremos essa falta de comprometimento, de dedicação'. E a Ultras Vascaína encerrou com um lembrete: 'Ninguém é, e nunca será maior que o Vasco da Gama e a sua torcida'.

O protesto de quarta-feira será o primeiro teste concreto da força do movimento. E a resposta do clube — dentro e fora de campo — dirá muito sobre o futuro imediato do Vasco.

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Publicado em 25 de maio de 2026

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