Pausa para Copa do Mundo é crucial para Vasco recuperar peças
Após derrota para o Atlético-MG que deixou o time na zona de rebaixamento, intervalo de mais de 50 dias surge como oportunidade vital para o clube reabilitar atletas machucados e resgatar a confiança de contratações que ainda não engrenou.

A parada para a Copa do Mundo chega em momento delicado para o Vasco, mas pode representar um divisor de águas na temporada. Após a derrota por 1 a 0 para o Atlético-MG em São Januário, no último compromisso antes do intervalo, o time de Renato Gaúcho permanecerá na zona de rebaixamento do Brasileirão por mais de 50 dias até a retomada da competição. O cenário é preocupante, mas o clube enxerga na pausa uma janela estratégica fundamental para reorganizar o elenco, recuperar atletas lesionados e, principalmente, trabalhar o aspecto psicológico de jogadores que não corresponderam às expectativas.
Um dos principais focos do departamento médico vascaíno durante o período está na evolução de Jair. O volante sofreu uma lesão gravíssima no joelho e vinha treinando de forma parcial com o grupo no último mês. A recuperação acelerada e a evolução consistente têm sido motivo de comemoração internamente. Embora o Vasco mantenha o costume de não estipular prazos rígidos para retorno em casos de lesões graves, existe a expectativa de que o atleta volte aos treinos de forma integral e sem restrições após o término da pausa.
Além de Jair, o intervalo será crucial para aprimorar a condição física de jogadores que retornaram recentemente do departamento médico. Cuiabano é um dos casos emblemáticos: o lateral ficou fora por sete partidas devido a um edema na coxa esquerda e, quando voltou, não conseguiu repetir o bom rendimento demonstrado nos primeiros jogos pelo Vasco. A clara falta de ritmo e a condição física ainda não idealizada prejudicaram seu desempenho na reta final antes da pausa. Paulo Henrique, por sua vez, retornou apenas no segundo tempo do último jogo após se recuperar de uma entorse no tornozelo e também precisa de trabalho para reencontrar a melhor forma.
Mas não é apenas o departamento médico que demanda atenção. A recuperação da confiança de parte do elenco é considerada internamente um ponto-chave para o segundo semestre. O caso mais emblemático é o de Brenner. Contratado por cerca de R$ 30 milhões, o atacante vive uma sina de gols perdidos nos primeiros meses em São Januário e vê a relação com a torcida cada vez mais desgastada. Alvo de vaias em diversas ocasiões desde sua chegada ao clube carioca, Brenner disputou 24 partidas até o momento, com apenas três gols e uma assistência. Dentro do Vasco, o objetivo é claro: aproveitar a pausa para resgatar o jogador psicologicamente e tecnicamente. O clube não deseja se desfazer do atleta e aposta que ele pode recuperar o bom futebol para ser útil na sequência da temporada.
A avaliação interna, porém, reconhece que o problema vai além de Brenner. Os jogadores contratados na primeira janela não conseguiram atingir o que era esperado, e um dos diagnósticos aponta justamente para a falta de confiança como um dos principais entraves. Saldivia, por exemplo, perdeu espaço na zaga após falhas individuais e tornou-se um dos mais criticados pela torcida vascaína. Marino Hinestroza não conseguiu se firmar como titular, enquanto Spinelli tampouco engrenou no ataque. Há ainda o caso de jogadores que já vinham do clube e não repetiram as boas atuações de 2025, como Nuno Moreira e Paulo Henrique.
O grupo retorna às atividades no próximo dia 22, e Renato Gaúcho terá praticamente um mês de trabalho intensivo com o elenco antes da retomada do calendário de jogos. O técnico projeta a chegada de reforços ao longo do período, mas encara os dias de treino com os atletas atuais como parte fundamental para a retomada da confiança coletiva. O desafio é claro: transformar a pausa em uma oportunidade de reconstrução física e mental para buscar os resultados positivos necessários e tirar o Vasco da zona de rebaixamento no segundo semestre.
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