Pedrinho acusa 'sombras' de sabotagem após afastamento da SAF
Presidente afastado por decisão judicial publica carta a torcedores denunciando 'articulações nos bastidores' e grupo contrário à venda do clube. Juíza nomeou interventora após parecer do Conselho Fiscal identificar falhas graves de governança.

A decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro que afastou Pedrinho e outros dois membros do Conselho de Administração da SAF do Vasco gerou uma resposta contundente do presidente do clube. Em carta divulgada aos torcedores, Pedrinho denunciou o que classificou como 'sabotagem' por parte de 'sombras' que atuariam nos bastidores da política vascaína.
A magistrada Caroline Fonseca atendeu ao pedido formulado pela 777 Carioca, tendo como fundamento constatações do Conselho Fiscal da SAF. Com a decisão, Pedrinho perde o poder sobre a SAF do Vasco. Além do presidente, os conselheiros Christiano Stockler Campos e Felipe Elias também foram afastados. A advogada Samantha Longo, ex-diretora jurídica da CBF, assumirá como interventora da SAF.
Em sua manifestação, o dirigente afirmou ter identificado um movimento articulado. 'Há meses um grupo contrário à venda do Vasco se articula na política do clube. Eu vi as acusações infundadas fabricadas para criar narrativas. Vi as articulações nas sombras, as canetas sendo preparadas nos bastidores', declarou Pedrinho, que completou: 'Mesmo assim, confesso que nunca quis acreditar que isso pudesse existir. Estou indignado'.
O presidente sustentou que trabalhava pela estabilidade institucional enquanto enfrentava obstáculos políticos. 'Enquanto eu trabalhava para arrumar a casa, colocava os meus bens patrimoniais à disposição do clube e lutava dia e noite pela estabilidade necessária para garantir a negociação com Marcos Lamacchia que estava prestes a ser anunciada, as sombras sabotaram o clube', afirmou.
A decisão judicial determinou que Samantha Longo adote, no prazo de 60 dias, as providências necessárias ao restabelecimento da regularidade dos processos de governança, da transparência, da prestação de contas e da circulação de informações entre os órgãos sociais da companhia, devendo apresentar relatórios a cada 15 dias para supervisão do Juízo.
A fundamentação da juíza Caroline Fonseca aponta que o parecer do Conselho Fiscal da SAF, publicado no último balanço, identificou 'falhas graves' de governança corporativa, deficiência de controles internos e limitações ao exercício de fiscalizações. O documento menciona o parecer emitido pelo Conselho Fiscal em 30 de abril de 2026, relativo às demonstrações financeiras do exercício de 2025, que identificou graves falhas de governança corporativa, deficiência de controles internos, limitações ao exercício da atividade fiscalizatória e ausência de aprovação formal de atos societários relevantes.
O episódio das denúncias do atacante chileno Jean David foi abordado na decisão judicial. A magistrada mencionou que, diante da informação do Conselho Fiscal sobre práticas coercitivas na contratação de atletas, realizou busca na internet e constatou denúncia grave do atleta Jean David, realizada em 30 de janeiro de 2026, acerca da exigência de pagamento de comissão a terceiros sob ameaça de não participação.
Jean David, que deixou o Vasco no fim de 2025, afirmou que uma das razões da sua passagem ruim pelo futebol brasileiro foi a ameaça que recebeu cobrando que ele pagasse as comissões da própria transferência do Toluca para o clube carioca. A transferência ocorreu em agosto de 2024. O atacante relatou: 'Aconteceram algumas coisas e percebi que pessoas dos dois clubes (Toluca e Vasco) estavam envolvidas. Outros jogadores do Vasco me disseram a mesma coisa: eles foram ameaçados de que, se não pagassem a comissão, não jogariam. Talvez seja por isso que o Vasco lute contra o rebaixamento há tanto tempo'.
Em contato com a imprensa, o clube negou qualquer irregularidade e revelou ter aberto uma investigação sobre as alegações.
Em sua carta, Pedrinho fez um apelo aos envolvidos no processo: 'Não prejudiquem o Vasco e deixem que a venda aconteça. Eu não admito e o torcedor jamais vai aceitar ver o futuro do Vasco jogado no lixo por quem só enxerga o poder que quer ocupar'. O presidente manifestou incredulidade diante dos desdobramentos: 'Ainda não acredito na maldade que estão fazendo com o Vasco e que pode custar caro ao futuro do clube'.
A crise institucional ocorre em momento delicado, com o clube buscando a conclusão de processos de venda e reestruturação financeira. A intervenção judicial estabelece um novo quadro de governança que deverá, segundo a decisão, restabelecer padrões de transparência e controle nos próximos 60 dias. A situação expõe tensões entre diferentes grupos de poder dentro da estrutura vascaína e levanta questões sobre os caminhos futuros da gestão da SAF.
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