Pedrinho detona BAP, chama de hipócrita e mau-caráter, e pede desculpas ao torcedor pela pontuação

Pedrinho detona BAP, chama de hipócrita e mau-caráter, e pede desculpas ao torcedor pela pontuação

O presidente do Vasco, Pedrinho, fez duras críticas ao presidente do Flamengo, BAP, durante o embarque da delegação vascaína para Assunção, no Paraguai, nesta quarta-feira. O dirigente chamou o rubro-negro de "mau-caráter", "arrogante", "prepotente", "soberbo" e "hipócrita" e afirmou que existe uma perseguição contra o Vasco. Pedrinho também assumiu a responsabilidade pelo desempenho do clube no Campeonato Brasileiro e pediu desculpas aos torcedores pela pontuação da equipe.

Segundo Pedrinho, em entrevista ao canal Podcast Cruzmaltino, suas críticas eram direcionadas especificamente à pessoa de BAP, e não ao Flamengo enquanto instituição. A principal crítica do presidente está relacionada às manifestações de BAP sobre a situação financeira e jurídica do Vasco. "Vou falar da pessoa BAP. Zero instituição (Flamengo), tá? Estou falando do BAP especificamente. É mau-caráter, arrogante, prepotente, soberbo e hipócrita", disse Pedrinho.

O presidente do Vasco classificou BAP como hipócrita por, segundo ele, defender a isonomia do futebol brasileiro quando o assunto envolve outros clubes, mas adotar outra postura quando os interesses do Flamengo estão em jogo. "Hipócrita porque ele usa a frase: 'Estou fazendo para o bem do Campeonato Brasileiro. É para o Campeonato Brasileiro ter uma isonomia, um processo legal'. Isso quando não diz respeito ao clube que ele representa", afirmou. Pedrinho citou como exemplo a divisão das cotas da Libra e disse que BAP defende os interesses do Flamengo quando o tema envolve diretamente o clube. "Porque, quando diz respeito ao clube que ele representa, como, por exemplo, a divisão das cotas na Libra, ele é o primeiro a sair, sentar na cadeira e falar que vai lutar pelos direitos do Flamengo. Por que ele não pensa num Campeonato Brasileiro? Para isso não serve? Só serve quando não é do time dele? Não é o time dos outros? Então, ele é um hipócrita."

Para o Expresso98, o timing da declaração tem dois pesos: de um lado, a fala de Pedrinho toca em uma percepção já presente entre vascaínos de que o clube enfrenta resistências além do campo — a recuperação judicial do Vasco tem sido tema de manifestações públicas de dirigentes de outros clubes enquanto situações semelhantes em outras instituições passam sem a mesma repercussão. De outro, o discurso surge exatamente quando o time está na 19ª posição do Brasileirão, com 22 pontos em 22 jogos e saldo de 11 gols negativos, o que pode soar como tentativa de desviar o foco do desempenho esportivo, ainda que o próprio presidente tenha assumido a responsabilidade pela pontuação.

Pedrinho também afirmou que enxerga uma perseguição contra o Vasco e disse que BAP não deveria interferir em assuntos relacionados à SAF vascaína. "Está muito claro que é uma perseguição à instituição. Está muito claro que ele não tem... Eu não devo satisfação nenhuma a ele. Então, ele é um irresponsável, irresponsável, que deve cuidar do clube dele, porque, para cuidar de qualquer negociação sobre venda de SAF, não é ele o responsável, porque tem outros clubes que estão em recuperação judicial, contratando, e ele não abre a boca", declarou.

No mesmo discurso, Pedrinho assumiu a responsabilidade pelo desempenho no Campeonato Brasileiro e pediu desculpas aos torcedores. "Todo o insucesso é desportivo, pelo menos com relação à pontuação, e a responsabilidade é toda minha. Eu sou responsável pelo insucesso de pontuação no Campeonato Brasileiro", disse o presidente. "Eu peço, do fundo do meu coração, desculpa aos torcedores por esse momento de pontuação. Nem eu nem nenhum atleta tem direito de reclamar algo sobre o torcedor. Torcedor do Vasco tem direito a tudo, a reclamar sobre tudo. E o maior responsável sou eu. O único responsável sou eu. Então, eu mereço todas as críticas, toda a reivindicação, todo o protesto, porque a responsabilidade é minha."

A leitura do Expresso98 é que o mea-culpa público de Pedrinho, ao menos no discurso, acerta o tom: o Vasco foi o quarto clube que mais gastou em reforços para o elenco em 2026, investiu cerca de 200 milhões de reais em atacantes nos últimos dois anos e, mesmo assim, amarga a vice-lanterna. O pedido de desculpas reconhece que dinheiro foi investido e resultado não veio, e isso cabe ao dirigente assumir.

O presidente também abordou a situação da recuperação judicial e defendeu que o Vasco possa contratar jogadores enquanto cumpre os acordos firmados com os credores. Pedrinho criticou ainda a atuação da 777 Partners no processo. Segundo ele, o acordo entre o Vasco, o futuro investidor e a empresa americana está bem encaminhado e a solicitação de uma auditoria pela 777 o surpreendeu. "O acordo entre o investidor, o futuro investidor e a 777 está muito bem construído. E me surpreende muito a 777 carioca ter pedido uma auditoria. Uma empresa falida pediu a auditoria. Quem está por trás da 777? Quem está por trás da 777?", questionou Pedrinho.

Apesar das críticas a BAP e de voltar a falar sobre as dificuldades envolvendo o empréstimo de R$ 150 milhões, Pedrinho reforçou que não pretende usar a situação jurídica como justificativa para o desempenho esportivo do Vasco. "Eu só quero deixar claro que todas essas minhas falas de empréstimo, de BAP, e isso é a dificuldade que a gente teve para contratar, não é para tirar responsabilidade nenhuma do futebol. Eu entro para tentar deixar um Vasco melhor do que eu encontrei. Eu faço meu 100%. Eu sou imperfeito. Não sei se o meu 100% vai ser capaz de botar o Vasco no lugar que ele merece, mas é o que eu vou fazer. Mas, para ficar muito claro, não tem desculpa. A responsabilidade dessa situação é toda minha."

Vale a leitura de que Pedrinho tenta equilibrar dois discursos que, na prática, colidem: de um lado, denuncia dificuldades externas que ele enxerga como obstáculos legítimos à montagem de elenco — a demora na liberação do empréstimo DIP, a atuação de outros dirigentes, a própria 777. De outro, afirma que nada disso é desculpa e que a responsabilidade pelo futebol é só dele. A narrativa funciona como válvula de escape política, mas o torcedor cobra pelo que vê em campo, e ali os 22 pontos em 22 jogos não comportam atenuantes.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 19 de agosto de 2026

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