Pedrinho rompe com Renato Brito após vazamento de prints
Vice-presidente geral perdeu influência e funções administrativas no clube associativo. Grupo 'G5 - CRVG' é visto como dissidente da gestão atual, e crise política afeta até a reforma de São Januário.

A crise política no Vasco da Gama ganhou novo capítulo com o afastamento do segundo vice-presidente geral, Renato Brito, de suas funções administrativas no clube associativo. A decisão ocorreu após o vazamento de mensagens de um grupo interno de diretores, episódio que expôs fissuras na gestão liderada por Pedrinho e resultou em exonerações em cadeia na estrutura cruzmaltina.
Renato Brito integrava o chamado 'G5 - CRVG', grupo de WhatsApp formado em agosto de 2025 que reunia cinco diretores do clube associativo. Além dele, faziam parte Silvio Roberto Vieira Almeida (vice-presidente de Finanças), Raphael Travassos de Souza Avellar, o Pulga (vice-presidente de História e Responsabilidade Social), José Luiz Trinta (vice-presidente de Integração) e Luis Guedes (vice-presidente de Engenharia e Obras). Todos os demais já haviam sido demitidos da diretoria administrativa nas últimas semanas.
O estopim da ruptura foi a divulgação de prints de conversas do grupo — publicados inicialmente pelo jornalista Cauê Rodrigues — que ocorreram durante o período em que Pedrinho esteve afastado pela Justiça. As mensagens foram interpretadas por pessoas próximas à gestão como um movimento contrário ao presidente, ainda que Renato Brito negue tal intenção. O vice-presidente afirmou ao ge que o print estava descontextualizado e que todas as divergências já haviam sido comunicadas diretamente a Pedrinho de forma reservada e institucional.
'O grupo existe desde agosto de 2025 e tratava de temas da gestão do CRVG. Meu celular está à disposição, como falei a todos, sobre isso e outros temas. Tudo que discordava, sinalizei ao Presidente (a quem tenho muito apreço e carinho), de forma reservada e institucional. Nunca fui ouvido sobre o tema e me sinto injustiçado, mas sigo à disposição', declarou Renato Brito.
As consequências do episódio foram imediatas. Além do afastamento de Renato Brito das funções administrativas, dois membros do grupo — Felipe Carregal e Sílvio Almeida — foram exonerados também do Conselho de Governança, Integridade e Compliance (CGIC). O próprio CGIC passou por mudança na presidência: Manoel Cordeiro, que havia pedido para sair, foi exonerado, e Marcelo Macedo, conhecido como Tangerina e vice-presidente de relacionamento com a SAF, assumiu interinamente o comando do conselho.
Uma das principais baixas do racha político foi a reforma de São Januário. Renato Brito, que liderava o projeto, foi afastado da coordenação. A responsabilidade passou para um conselho formado por Alan Belaciano (presidente da Assembleia Geral), Thiago Nascimento (assessor da presidência) e Gustavo Rabelo (vice-presidente de tecnologia e inovação). Belaciano conduziu votações fundamentais para o andamento da reforma na Assembleia Geral.
O projeto, no entanto, enfrenta desafios próprios. As obras estão paralisadas porque o clube depende da venda do potencial construtivo do terreno de São Januário. O orçamento atual da revitalização é de R$ 800 milhões — valor que não é definitivo, mas representa um aumento significativo em relação aos R$ 500 milhões previstos inicialmente. A correção se deve ao reajuste dos custos da construção civil nos últimos anos, já que o projeto original foi elaborado há bastante tempo.
A principal fonte de receita projetada para viabilizar a obra é a venda dos naming rights do estádio, embora outras formas de captação não estejam descartadas. O clube não indica previsão para o início das obras e aguarda os próximos passos da compra do terreno.
A crise política interna ocorre em momento delicado para o Vasco, que ocupa a 16ª posição no Campeonato Brasileiro com 20 pontos em 20 jogos disputados — cinco vitórias, seis empates e nove derrotas. A instabilidade institucional adiciona mais um elemento de preocupação para a torcida vascaína neste início de temporada.
Com informações do NetVasco, que cita ge.
## Análise Expresso98
O vazamento de mensagens internas de um grupo de diretores do clube associativo — o "G5 - CRVG", criado em agosto de 2025 — expôs fissuras na gestão de Pedrinho e resultou em exonerações em cadeia. Renato Brito, segundo vice-presidente geral e líder do projeto de reforma de São Januário, foi afastado das funções administrativas após a divulgação de prints que ocorreram durante o período em que o presidente esteve afastado pela Justiça. Embora Brito negue ter conspirado e afirme que sinalizou divergências de forma institucional, a ruptura se consumou: além dele, outros membros do grupo foram exonerados, incluindo dois que também integravam o Conselho de Governança, Integridade e Compliance. O episódio ocorre em momento delicado, com o Vasco ocupando a 16ª posição no Brasileirão, com 20 pontos em 19 jogos e saldo negativo de oito gols, além de enfrentar sequência de quatro derrotas consecutivas nas últimas partidas disputadas.
A resposta rápida da gestão ao episódio demonstrou disposição em preservar a governança institucional e centralizar o comando. A reforma de São Januário, projeto estratégico, passou para as mãos de um conselho que inclui Alan Belaciano — que já conduziu votações fundamentais na Assembleia Geral —, além de Thiago Nascimento e Gustavo Rabelo, sinalizando continuidade técnica mesmo após o afastamento de Renato Brito. A reorganização do CGIC, com Marcelo Macedo (Tangerina) assumindo interinamente, também aponta para tentativa de reestruturação interna. No âmbito esportivo, Pedro Emanuel estreia em mata-mata contra o Independiente Medellín pela Copa Sul-Americana em São Januário, competição que pode oferecer alívio em meio à pressão do Campeonato Brasileiro.
O racha político interno adiciona mais um elemento de instabilidade em temporada já conturbada. As obras de São Januário permanecem paralisadas por dependerem da venda do potencial construtivo do terreno, e o orçamento saltou de R$ 500 milhões para R$ 800 milhões devido à correção dos custos da construção civil — valor que ainda não é definitivo. A dependência da venda dos naming rights como principal fonte de receita e a ausência de previsão para início das obras tornam o cronograma incerto. No campo, a 16ª colocação no Brasileirão, com sequência negativa de resultados, aumenta a pressão sobre o novo técnico, que herda elenco em momento frágil e necessita de reação imediata para afastar o clube da proximidade com a zona de rebaixamento.
A crise política expõe fragilidades de comunicação interna e de governança que o Vasco não pode se dar ao luxo de alimentar neste momento. A gestão demonstrou disposição de agir rapidamente, mas a perda de quadros técnicos envolvidos em projetos estratégicos — como a reforma de São Januário — cobra seu preço. O clube precisa, com urgência, separar a instabilidade administrativa do desempenho esportivo: Pedro Emanuel estreia em mata-mata em casa, contexto no qual a torcida historicamente comparece, mas a sequência negativa recente exige resposta rápida. A reorganização interna precisa convergir para resultados concretos, tanto nas obras quanto no campo, sob pena de transformar o início de temporada em crise prolongada. O Vasco tem ferramentas e estrutura para sair do momento difícil, mas depende de unidade institucional e de vitórias que restaurem a confiança — elementos que, neste instante, estão em déficit.
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