Pedro Emanuel chega à quinta semifinal em copas, une torcida e elenco e detona: 'Temos direito ao Maracanã'

O Vasco venceu o Santa Fe por 2 a 0 nesta terça-feira (15/9) e garantiu vaga na semifinal da Copa Sul-Americana. A classificação marcou o retorno do clube a uma semifinal continental após 15 anos — a última havia sido em 2011, quando o Vasco disputou a Sul-Americana e foi eliminado pela Universidad de Chile. Sob o comando de Pedro Emanuel, o time segue invicto em mata-matas: são 10 jogos entre Copa do Brasil e Sul-Americana, com seis vitórias e quatro empates, 15 gols marcados e apenas quatro sofridos.
Para o Expresso98, o número não é apenas estatístico — é sintoma de que o treinador português encontrou uma chave tática e emocional nos jogos eliminatórios que ainda não se traduziu com a mesma consistência no Brasileirão, onde o Vasco ocupa a 17ª posição. A leitura aqui é que o time cresce quando sente o peso do mata-mata, e isso pode ser decisivo na reta final da temporada, tanto na Sul-Americana quanto na luta contra o rebaixamento.
Após a partida em São Januário, o técnico português destacou o desgaste físico e emocional da classificação. "Estou um pouco cansado, sabia que o jogo seria assim. Isso exige muito de nós, não só fisicamente, mas mentalmente. A importância de uma conquista dessa dimensão para uma passagem a uma semifinal de copa internacional depois de 15 anos. É sempre um enorme orgulho e uma satisfação", afirmou Pedro Emanuel.
O treinador valorizou a relação entre elenco e torcida, que cantou os nomes de jogadores como Sosa e Saldivia durante a partida. "É o sentimento que eu tenho pela relação que está crescendo cada dia mais entre a equipe e a nossa torcida, o espírito que temos em campo, a forma como terminamos os jogos. Ter novamente nossa torcida cantando o nome de alguns dos jogadores, isso tem que ser motivo de grande satisfação", declarou. O Expresso98 enxerga nesse movimento um trunfo intangível: a reconexão entre jogadores e torcida, fragilizada em outros momentos da temporada, volta a ser combustível — e Pedro Emanuel sabe que, em semifinal continental, isso pode valer tanto quanto um reforço no elenco.
Pedro Emanuel reforçou sua identificação com a história do Vasco e a ambição de conquistar títulos pelo clube. "O Vasco é um clube que tem uma história muito à minha imagem. Tem ambição, dedicação, humildade, trabalho. Eu me identifiquei desde o primeiro dia com o que é a história do Vasco. Não por ser português, mas essencialmente por aquilo que o Vasco defende", disse o treinador, que como jogador conquistou a Liga dos Campeões, a Liga Europa e o Mundial de Clubes pelo Porto, além de quatro Taças de Portugal. Como técnico, venceu copas nacionais em Portugal, Chipre e Arábia Saudita.
Quanto ao local da semifinal, Pedro Emanuel deixou claro sua preferência por São Januário, mas reconheceu que o regulamento da Conmebol exige capacidade mínima de 30 mil lugares — o estádio vascaíno comporta 20.419 torcedores. "Se me perguntassem onde quero jogar a semifinal, diria São Januário. É importante para nós. Acho que nossa torcida merecia ter isso no nosso estádio. Não sendo possível, seguimos com a opção do Maracanã", afirmou.
Em publicação no X, o perfil ge (@geglobo) reproduziu a cobrança do treinador: "Pedro Emanuel faz apelo por semifinal da Sul-Americana no Maracanã: 'Temos direito a isso, é nossa segunda casa'". O clube havia buscado sem sucesso utilizar o Maracanã na Copa do Brasil, quando recebeu negativa devido ao estado do gramado. Agora, para a Sul-Americana, o treinador insiste na reivindicação. "Não vou para a opção C se quero a B. Neste momento queria São Januário. Não pode pela lotação, muito bem, é o Maracanã. Temos direito a isso, é nossa segunda casa, nossos torcedores se sentem bem lá, estamos identificados. Então é ali que vamos lutar para jogar", concluiu. Na avaliação do Expresso98, a firmeza do discurso importa: Pedro Emanuel disputa politicamente o que considera justo, e a pressão pública aumenta a chance de a diretoria vencer a resistência do Consórcio Fla-Flu, que já negou o estádio ao clube em momentos recentes.
O Vasco volta a campo neste sábado (19/9), às 20h30, quando recebe o Coritiba em São Januário pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. O clube ocupa a 17ª posição e abre a zona de rebaixamento, mas Pedro Emanuel nega que a situação no Brasileirão afete o desempenho nas copas. "Nós desligamos o modo campeonato quando entramos no modo copas. A satisfação que esse grupo tem de tentar escrever a sua história, naquilo que é o currículo do Vasco, é uma ambição e uma satisfação que não tem dimensão", disse o treinador. Para o Expresso98, a frase carrega risco e potencial ao mesmo tempo: se o time conseguir transpor o foco e a entrega dos mata-matas para o Brasileirão — onde soma 28 pontos em 26 jogos, com saldo de -12 —, a permanência na Série A se torna viável; se não conseguir, a campanha nas copas pode virar amarga ironia de uma temporada que terminou em queda.
As semifinais da Sul-Americana serão disputadas nas semanas de 14 e 21 de outubro, contra o vencedor de Boca Juniors e São Paulo.
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