Pedro Emanuel reconhece jejum de três jogos sem gol e admite desestabilização após o 0x3 para o Santos

O técnico Pedro Emanuel concedeu entrevista coletiva após a derrota do Vasco por 3 a 0 para o Santos em São Januário, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. O treinador dividiu a atuação da equipe em dois momentos distintos: antes e depois do gol de Gabriel Barbosa, que abriu o placar para o Santos.
Segundo Pedro Emanuel, o Vasco se desestabilizou após sofrer o primeiro gol. O treinador destacou que a parte mental é tão importante quanto os aspectos táticos e físicos do futebol. "Hoje tivemos dois jogos. Um jogo até levarmos o primeiro gol, nós sabíamos que teríamos dificuldades contra o Santos, é natural. Nos preparamos para ter a bola e não permitir contra-ataques, acho que conseguimos fazer até o primeiro gol", afirmou. Para o Expresso98, a declaração escancarou a fragilidade psicológica que tem marcado a campanha vascaína: o time se perde emocionalmente ao sofrer um gol, incapaz de reagir com a cabeça no lugar. A admissão de que o Vasco "sai do jogo ao minuto 70 por causa de um gol" é o diagnóstico de um elenco que perdeu a resiliência num momento em que ela mais se faz necessária — o clube está na 19ª posição, com 22 pontos em 22 jogos, e não pode se dar ao luxo de desmoronar diante do primeiro revés dentro da partida.
O comandante reconheceu publicamente o problema ofensivo que atravessa o time: "Não marcamos há três jogos. De fato criamos muitas oportunidades, hoje essas podiam levar ao conforto que deu o conforto ao Santos. O jogo pode se transformar em um paraíso ou um pesadelo", disse. A declaração marca o reconhecimento explícito do jejum de gols do Vasco, que finalizou 19 vezes contra o Santos — a terceira maior marca desde a chegada de Pedro Emanuel — mas acertou o alvo apenas três vezes. O Santos, por sua vez, deu 11 chutes e converteu três em gols. A leitura do Expresso98 é que os números são o retrato cru da impotência ofensiva: finalizar 19 vezes, acertar o gol em apenas três e não balançar a rede nenhuma vez, enquanto o adversário direto na luta contra o rebaixamento é letal em cada oportunidade, define um padrão preocupante. O volume de jogo não se traduz em resultado, e três jogos sem marcar ampliam o risco de que o time naufrague sem conseguir sequer arranhar as redes adversárias nos momentos decisivos da luta pela permanência.
"Estávamos crescendo, não fomos capazes de jogar por 90 minutos, perdemos contra um adversário direto. A derrota de 3 a 0 é bastante pesada, hoje é tudo negro, mas amanhã é um novo dia. Não podemos sair do jogo ao minuto 70 por causa de um gol. Este é um fator mental, o futebol não é só tático e físico", completou o treinador, mostrando-se desiludido com o resultado.
Segundo o perfil Acerj (@acerjrio) no X, as estatísticas oficiais do confronto confirmam a superioridade vascaína em volume de jogo, mas a falta de eficácia nas finalizações custou caro ao time carioca.
Pedro Emanuel também comentou as estreias de Sosa e Colidio. "Sosa é um jogador novo, só teve quatro ou cinco treinos com a gente, ainda é muito pouco. Eu me joguei um pouquinho no fogo, poderia ter optado pelo Barros. Pela forma como estava o jogo, preferi ter mais qualidade na posse, e escolhi o Santiago", explicou. Sobre a ausência de Paulinho, o treinador informou que o atacante sentiu dores no adutor há duas semanas e voltou aos treinos há apenas dois dias, ainda sem condições de jogo. Na avaliação do Expresso98, a admissão de que o técnico "se jogou no fogo" ao escalar Sosa sem preparo adequado joga luz sobre um problema mais amplo: o elenco está tão curto em opções confiáveis que obriga o treinador a improvisar com recém-chegados, enquanto Paulinho, peça importante no ataque, acumula mais um problema físico que o tira de combate.
O técnico finalizou a entrevista com um recado à torcida: "O que posso transmitir ao nosso torcedor é agradecer a quem estava aqui. É fantástico viver o futebol assim. Entendo a desilusão deles, eu queria dar alegria e hoje não foi possível. Sei que no próximo jogo eles estarão aqui para nos apoiar. Custa, mas isso faz parte do trajeto".
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