Polícia revela mensagens de David: 'tem que matar um pra ver', e jogador entra em campo dois dias depois

Polícia revela mensagens de David: 'tem que matar um pra ver', e jogador entra em campo dois dias depois

O atacante David Corrêa, do Vasco, tornou-se um dos principais alvos da Operação 'A Tropa' após a Polícia Civil do Espírito Santo revelar o conteúdo de mensagens que, segundo os investigadores, comprometem o jogador. A operação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. David foi alvo de mandado de busca e apreensão na segunda-feira, no Rio de Janeiro, e prestou depoimento.

Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, três diálogos encontrados em um celular apreendido durante a investigação de uma tentativa de homicídio passaram a ser os principais elementos da suspeita. Em uma das conversas, um interlocutor identificado como Júnior repassa a David informações sobre uma vítima de tentativa de homicídio, falando sobre a motivação apontada para o ataque e o estado de saúde da vítima. A resposta atribuída ao jogador foi: "mereceu tomar uns tiros mesmo".

Em outro diálogo revelado pela polícia, Júnior teria enviado a David uma fotografia de uma pistola. A investigação aponta que, em resposta à imagem, o atacante escreveu: "tem que matar um para ver de qual é". O terceiro diálogo citado pelos investigadores envolve a negociação de um veículo: Juan teria pedido a Júnior que intermediasse uma conversa com David para conseguir dinheiro emprestado e trocar um Fiat Argo. Conforme a investigação, o carro seria o mesmo utilizado em uma tentativa de homicídio e estaria "queimado", expressão usada para indicar que o veículo teria ficado comprometido após ser utilizado no crime.

O delegado Sandi Mori afirmou que o conteúdo das mensagens levantou a hipótese de que David pudesse ter relação com o financiamento do tráfico de drogas na região. "Esses fatos chamaram a nossa atenção para um possível financiamento do tráfico de drogas do bairro Serra Dourada 3 pelo investigado", afirmou. A investigação tramita sob segredo de Justiça. Até o momento, David é investigado e foi alvo de mandado de busca e apreensão, e não de prisão. Hayner William Monjardim Cordeiro, jogador do Vila Nova, também foi alvo da ação.

Para o Expresso98, o peso da situação recai tanto sobre o jogador quanto sobre o clube: o Vasco atravessa negociação de venda da SAF, lida com pendências financeiras e está na zona de rebaixamento do Brasileirão, e agora precisa gerir a imagem e a presença de um atleta do elenco sob investigação policial. A diretoria optou por manter David no grupo enquanto o caso segue, mas o desenrolar da apuração pode exigir decisões mais duras adiante.

David admitiu em depoimento conhecer pessoas ligadas à investigação, mas negou qualquer envolvimento com tráfico de drogas ou armas. O empresário André Cury também afirmou que o jogador não tem qualquer ligação com o crime organizado. Dois dias após ser alvo das buscas, David entrou em campo no triunfo do Vasco por 2 a 0 sobre o Vitória, que classificou a equipe às semifinais da Copa do Brasil.

Segundo o ge, David manteve-se tranquilo com a situação nos últimos dias e recebeu o apoio dos jogadores e da diretoria do Vasco. O atacante é descrito com um perfil descontraído no convívio com os colegas e assim seguiu após os mandados de busca. O diretor de futebol do Vasco, Admar Lopes, assegurou a manutenção do jogador no grupo enquanto o caso se desdobra. David viajou normalmente para Salvador, começou no banco de reservas e entrou no segundo tempo para substituir Spinelli. Na comemoração após a classificação, o atacante também ouviu gritos de apoio da arquibancada vascaína no Barradão.

A leitura do Expresso98 é que a escalação de David dois dias após a revelação das mensagens sinaliza que o clube, ao menos por ora, decidiu separar a investigação policial do dia a dia esportivo: o jogador negou envolvimento, não foi preso e seguiu treinando normalmente. O apoio da torcida no Barradão reforça que parte da arquibancada acompanha o desenrolar do caso sem um julgamento prematuro, mas o histórico recente sugere que a pressão pública pode crescer conforme novos desdobramentos surjam — e a imagem do Vasco, em momento sensível de transição institucional, fica exposta a cada etapa da investigação.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 03 de setembro de 2026

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