'Preferimos São Januário': Nuno revela onde elenco quer decidir

Após eliminar o Fluminense e garantir vaga nas quartas da Copa do Brasil, Nuno Moreira valorizou o Maracanã mas foi direto: a Colina Histórica é a escolha do grupo para mata-matas. Vasco aguarda sorteio na terça.

Nuno Moreira Vasco comemoração torcida

— Aqui a torcida faz lindas festas, mas também faz em São Januário. Já estive em jogos em São Januário que me deixavam arrepiado só de ouvir cantar. Nós preferimos São Januário, por ser a casa do Vasco.

A declaração de Nuno Moreira após a vitória por 3 a 1 sobre o Fluminense no Maracanã, que garantiu a classificação às quartas de final da Copa do Brasil na quarta-feira, traduz o sentimento do elenco vascaíno. O atacante português foi direto: o grupo quer São Januário. E tem motivo — a Colina Histórica é onde o time respira com pulmão próprio, onde cada canto corta mais fundo e onde adversário sabe que joga dois contra um.

Nuno foi titular no clássico e substituído por Adson no segundo tempo. A partida teve roteiro vascaíno: o Vasco abriu 2 a 0 com dois gols de Brenner, viu Martinelli descontar para o Fluminense, mas selou a classificação com Puma Rodríguez nos acréscimos, confirmando o 3 a 1. Como o jogo de ida havia terminado sem gols, o resultado classificou o time de Pedro Emanuel sem precisar de pênaltis — decisão direta, sem drama.

— Foi um grande jogo da nossa parte. No primeiro tempo, conseguimos dominar o adversário, fazer o gol e criar chances, e a segunda parte tivemos muito coração e só mostra a união do grupo. Conforme o tempo vai passando, cada dia que passa, estamos melhores. Isso é muito importante — afirmou Nuno Moreira.

A classificação manteve o bom momento do Vasco no Maracanã e colocou a equipe entre as oito melhores da Copa do Brasil. O Vasco é o único representante do Rio de Janeiro na competição — algo que certo vizinho de tabela não pode dizer. O adversário das quartas será conhecido na próxima terça-feira (11), quando a CBF realizará o sorteio às 11h em sua sede, no Rio de Janeiro.

A cerimônia também definirá os mandos de campo e o chaveamento das semifinais. Os jogos da próxima fase estão previstos para os dias 26 de agosto e 3 de setembro. Se depender da preferência do elenco revelada por Nuno, que pelo menos um dos duelos seja decidido na Colina Histórica — onde o Vasco joga com a força que só casa própria entrega.

Com informações do GE Vasco.

## Análise Expresso98

A vitória por 3 a 1 sobre o Fluminense no Maracanã não foi apenas mais uma classificação — foi a confirmação de que o Vasco está encontrando seu caminho sob Pedro Emanuel. Oito melhores da Copa do Brasil, único carioca vivo na competição, e um elenco que pela primeira vez em muito tempo verbaliza com clareza onde quer jogar suas decisões. Quando Nuno Moreira diz "preferimos São Januário", ele traduz algo que vai além da preferência tática: o grupo está recuperando a identidade de ser Vasco, de sentir a Colina como fortaleza. A classificação direta, sem drama de pênaltis, com dois gols de Brenner e um de Puma Rodríguez nos acréscimos, mostrou também maturidade — o time soube administrar após sofrer o desconto de Martinelli e não se perdeu. O técnico português tem trabalhado posicionamento, balanço defensivo e transição no CT Moacyr Barbosa, e os frutos começam a aparecer: a implementação de treinos específicos de bola parada defensiva no aquecimento pré-jogo, abordagem que não era observada com os antecessores, é um exemplo do nível de detalhamento que o trabalho ganhou.

O que fortalece essa trajetória é justamente a união que Nuno citou após o clássico. O Vasco está construindo uma blindagem interna sólida — o grupo se apoia, como ficou claro no gesto coletivo de celebrar o gol de Puma Rodríguez enquanto o lateral vive o drama pessoal do pai internado após infarto grave. A equipe tem mostrado coração, palavra que Nuno repetiu, e isso não é retórica: é combustível real para viradas de chave. Brenner voltou a marcar, Adson entrou bem quando acionado, e a defesa — mesmo com apenas cinco volantes no elenco — tem conseguido se organizar melhor. O sorteio da próxima terça (11) às 11h na CBF definirá o adversário das quartas e os mandos de campo, e se o Vasco conseguir ao menos um jogo em São Januário, como o elenco deseja, terá um trunfo psicológico enorme. A Colina Histórica, como Nuno lembrou, arrepia — e adversário sente isso na pele.

A preocupação, porém, não pode ser ignorada: o Vasco segue na 18ª posição do Brasileirão, com 21 pontos em 20 jogos e saldo de gols negativo em oito. A forma recente no campeonato nacional ainda é de quatro derrotas consecutivas antes da classificação na Copa do Brasil, e o próximo compromisso, contra o Bahia fora de casa, será teste duro para saber se o time consegue transportar a confiança da Copa para a briga contra o rebaixamento. Pedro Emanuel encara a falta de profundidade no setor de volância — apenas cinco nomes — e a indefinição no ataque, considerada a principal dor de cabeça desde o retorno da Copa do Mundo, segundo relatos internos. Além disso, o impasse financeiro envolvendo Santiago Sosa — com o Racing voltando a exigir pagamento integral dos US$ 4 milhões após o Vasco não depositar os US$ 2 milhões prometidos — expõe a fragilidade do planejamento e coloca em xeque reforços que deveriam estar resolvidos. O clube avalia nomes como Jhon Córdoba, Brian Rodríguez e Carlos González, mas sem avanços concretos até o momento.

A leitura Expresso98 é de otimismo cauteloso, mas fundamentado. O Vasco está no caminho certo — Pedro Emanuel trouxe método, organização e um elenco que voltou a se reconhecer como grupo. A classificação na Copa do Brasil abre uma janela real de título e receita, e o desejo explícito de jogar em São Januário mostra que a alma do clube está sendo recuperada. Mas o Brasileirão não perdoa, e a 18ª colocação exige urgência: o time precisa converter a confiança da Copa em pontos no campeonato, e a diretoria precisa resolver os impasses de contratação para dar ao técnico as armas que ele pediu. Se conseguir equilibrar essas duas frentes — manter a evolução tática e sair da zona de perigo — o Vasco pode transformar 2026 na virada que a torcida tanto espera. O caminho está sendo pavimentado; agora é seguir andando, com os pés na Colina e os olhos no horizonte.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 06 de agosto de 2026

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