R$ 147,8 milhões em campo e a luta é contra rebaixamento: SAF do Vasco engoliu o dinheiro sem mudar o destino
O time titular que entrou em campo contra o Palmeiras custou R$ 147,8 milhões em direitos federativos e empréstimos — e a conta não inclui sequer Hinestrosa, Saldivia, Piton e outros que ficaram no banco.

R$ 147,8 milhões. Esse é o valor que o Vasco investiu apenas no elenco titular que enfrentou o Palmeiras, somando compras de direitos federativos e empréstimos. A cifra, revelada pelo jornalista André Garone, escancara o paradoxo da SAF cruzmaltina: nunca faltou dinheiro; o que falta é saber utilizá-lo.
A conta contempla exclusivamente os onze jogadores que iniciaram a partida. Fora dela ficam nomes como Hinestrosa, Saldivia, Spinelli, Colidio, Piton e Nuno Moreira — todos no banco ou fora da relação. Tampouco entram na soma atletas que já deixaram o clube: Orellano, Sforza, Loide Augusto e Garre, entre outros, representam montantes adicionais cujo retorno esportivo jamais se concretizou. Para o Expresso98, o número ganha contornos mais graves quando posto ao lado da classificação: o clube ocupa a 19ª posição do Brasileirão, com 22 pontos em 23 jogos e saldo de 14 gols negativos — a capacidade financeira existe, mas o resultado em campo não acompanha a proporção do investimento.
O modelo de Sociedade Anônima do Futebol chegou ao Vasco da Gama com a promessa de estruturar o poder de investimento que o clube associativo nunca teve. A transformação jurídica, efetivada há três anos, deveria elevar o patamar competitivo da instituição. Os números financeiros mudaram — os resultados esportivos, não.
Antes da SAF, o Vasco montava elencos baratos e lutava contra o rebaixamento. Após três temporadas sob o novo modelo, o custo da folha disparou, mas o objetivo permanece o mesmo: escapar da zona de perigo e brigar por posições medianas na tabela. A transição do regime jurídico alterou o volume de recursos disponíveis; não alterou a capacidade institucional de convertê-los em desempenho. A leitura do Expresso98 é que o problema deixou de ser orçamentário e passou a ser operacional: a SAF resolveu a escassez de dinheiro, mas expôs a fragilidade na montagem de elenco, na escolha de perfis e na construção de um projeto esportivo coerente.
O dilema cruzmaltino não é de escassez, mas de gestão. A SAF forneceu o combustível; faltou à estrutura do clube aprender a conduzi-lo. O investimento existe, volumoso e documentado. A contrapartida em campo, contudo, segue distante da proporção do montante aplicado. O histórico recente sugere que o gargalo está na execução: nos últimos cinco jogos, o Vasco somou dois empates e três derrotas, forma que ilustra a dificuldade em traduzir valor de mercado em pontos na tabela.
Com informações do NetVasco, que cita Instagram do jornalista André Garone.
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