Rayan evoca Diniz como 'pai' e mira primeiro gol em Copa do Mundo
Em coletiva no CT da Seleção, jovem revelado no Vasco relembrou importância do treinador na formação defensiva e celebrou crescimento meteórico até o Mundial de 2026. Brasil enfrenta o Japão na próxima segunda.

A sala de imprensa do CT Columbia Park, nesta sexta-feira, testemunhou um momento de gratidão e maturidade precoce. Aos 19 anos, diante de dezenas de microfones e câmeras, Rayan escolheu começar sua intervenção não pelo peso da Copa do Mundo que se aproxima, mas por uma figura que moldou sua trajetória quando ainda vestia a cruz de malta: Fernando Diniz, hoje comandante do Corinthians, mas eternizado pelo jovem lateral como mentor fundamental.
"Diniz sempre vai ser um pai. Na parte defensiva, ele me ajudou bastante. É um cara que, se deixar, me liga todos os dias. Vou levá-lo sempre no meu coração, porque sempre me ajudou", declarou o atleta, escolhendo palavras que carregam afeto e reconhecimento institucional. A relação entre ambos foi forjada nos gramados de São Januário, consolidada na improvável campanha que levou o Vasco da Gama à final da Copa do Brasil de 2025 — episódio que, embora não tenha culminado em título, projetou o lateral para o mercado europeu e, posteriormente, para a Seleção Brasileira.
A trajetória de Rayan desde então tem contornos de aceleração vertiginosa. Transferido para o Bournemouth, da Inglaterra, em 2026, o defensor não teve tempo de acomodar-se: a sequência de convocações conduzida por Carlo Ancelotti o catapultou diretamente para o elenco brasileiro na Copa do Mundo. A consciência do salto não passou despercebida ao próprio protagonista. "As coisas aconteceram muito rápido comigo. Na minha segunda convocação já estou na Copa do Mundo", reconheceu, em tom que equilibra humildade e assombro.
O jovem lateral, que já acumula quatro partidas com a camisa canarinho, foi titular diante da Escócia na última rodada da fase de grupos. Até o momento, possui um gol marcado em amistoso preparatório contra o Panamá, disputado no Maracanã. Agora, porém, a ambição é de outra natureza: balançar as redes em partida oficial do Mundial. "Sim, eu acho que o gol vai sair com naturalidade. Trabalho em prol do grupo e ajudar meus companheiros nas partes ofensivas e defensivas. Mas eu trabalho sim, treino finalização de longe e perto do gol. Mas, vai sair com naturalidade e vai ser um gol muito especial", analisou, projetando o momento com a serenidade de quem compreende o peso simbólico de marcar em uma Copa do Mundo.
Rayan também dedicou parte de sua fala ao papel formativo das seleções de base, experiência que considera decisiva tanto para o desenvolvimento técnico quanto humano. "A seleção de base é muito importante para nosso crescimento humano e de jogador. É um orgulho representar meu país", afirmou, reforçando a dimensão cívica do processo que o conduziu até o estágio atual.
O próximo capítulo dessa jornada meteórica será escrito na próxima segunda-feira, dia 29 de junho, às 14 horas, horário de Brasília. Brasil e Japão se enfrentam no NRG Stadium, em Houston, Texas, em duelo válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Para o lateral formado nas categorias de base vascaínas, aprimorado taticamente por Diniz e testado no futebol inglês, a partida representa mais uma etapa de uma história que, em poucos meses, saltou de São Januário para o maior palco do futebol mundial. A gratidão ao passado cruzmaltino e ao treinador que o moldou, porém, permanece intacta — prova de que, mesmo em meio à vertigem do sucesso precoce, há espaço para a memória e o reconhecimento.
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