Relatório da RJ aponta caixa apertado e dependência externa no Vasco
O 13º relatório mensal da recuperação judicial mostra que o clube e a SAF cumprem os pagamentos previstos, mas enfrentam forte pressão de caixa e elevada dependência de recursos externos para manter as operações.

O 13º relatório mensal da recuperação judicial do Vasco, protocolado na Justiça do Rio de Janeiro nesta segunda-feira, expõe um cenário duplo: o CRVG e a Vasco SAF seguem cumprindo as obrigações previstas no plano de recuperação, mas enfrentam forte pressão de caixa e elevada dependência de capital externo.
O documento elaborado pelo administrador judicial aponta que as finanças vascaínas sofreram deterioração significativa ao longo de junho. O caixa das recuperandas caiu de aproximadamente R$ 20 milhões no início do mês para cerca de R$ 9 milhões no fim do período. Esses recursos restantes foram consumidos durante a primeira quinzena de julho.
Com o caixa pressionado, tornou-se necessária a liberação de um novo financiamento DIP de R$ 40 milhões, destinado ao pagamento de obrigações de curto prazo e à preservação da continuidade das operações. O empréstimo foi concedido pela empresa de Marcos Lamacchia, empresário com negociação avançada para adquirir a SAF.
O principal alerta feito pelo administrador judicial consta em trecho do relatório: "Os elementos apresentados evidenciam um cenário de relevante restrição de liquidez, com forte pressão sobre o fluxo de caixa operacional. Observa-se, ainda, que parcela expressiva dos recursos obtidos por meio do financiamento DIP já foi destinada ao custeio das despesas correntes, circunstância que demonstra a elevada dependência de capital externo para a manutenção das operações".
A análise também pede cautela com o superávit de R$ 126,4 milhões apresentado pelo CRVG em 2025. Grande parte do resultado veio de efeitos contábeis da recuperação judicial — a geração líquida de caixa no exercício foi de apenas R$ 2,2 milhões.
A Vasco SAF permanece muito dependente das negociações de atletas. Em abril e maio, R$ 63,4 milhões dos R$ 115,7 milhões recebidos vieram de direitos econômicos de jogadores, cerca de 54,8% das entradas do período. Trata-se de uma receita não recorrente.
Os dados do relatório mostram que março foi o mês com maior entrada de receitas no ano: R$ 151,364 milhões, cifra relacionada à venda de Rayan para o Bournemouth. Mesmo assim, o Vasco não conseguiu iniciar nenhum mês com mais de R$ 30 milhões em caixa. As principais despesas são com futebol e custos operacionais.
O saldo de caixa da SAF no início de cada mês variou entre R$ 7,460 milhões (março) e R$ 28,230 milhões (fevereiro). Em junho, o clube iniciou o período com R$ 20,184 milhões.
Quanto às pendências, o documento informa que não houve atualizações relevantes quanto ao litígio societário no período analisado. As dívidas com entidades esportivas nacionais e internacionais permanecem em acompanhamento, estando parte contemplada no Quadro Geral de Credores e parte sendo amortizada conforme pactuações contratuais vigentes.
O relatório mensal é uma obrigação estabelecida pela Justiça após a intervenção determinada em junho na SAF do Vasco, posteriormente revertida com a recondução do presidente Pedrinho ao comando da empresa. O Vasco fornece demonstrativos financeiros ao administrador judicial, que elabora os relatórios mensais para detalhar a situação financeira da SAF.
Em resumo, o clube está cumprindo os pagamentos previstos na recuperação judicial, mas ainda não alcançou sustentabilidade financeira. O desafio é gerar receitas próprias suficientes sem depender constantemente de vendas de atletas, antecipações e empréstimos.
Com informações do NetVasco, que cita ge.
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