Renato e colombianos: histórico explica cautela com Hinestroza no Vasco
Declaração do treinador após derrota para o Botafogo revelou padrão na carreira: Renato preferia colombianos já adaptados ao Brasil. Levantamento mostra que poucos se destacaram sob seu comando.

A declaração de Renato Gaúcho sobre a dificuldade de adaptação de Marino Hinestroza chamou atenção após a derrota para o Botafogo. O técnico vascaíno foi direto: quando comandava o Grêmio, só aprovava contratações de colombianos e equatorianos se já tivessem rodagem no futebol brasileiro. O motivo? Diferenças táticas que demandam tempo de assimilação.
A afirmação ganha contornos mais claros quando analisamos o histórico do treinador. Na última década, Renato trabalhou com apenas sete jogadores colombianos — três no Grêmio e quatro no Fluminense. Destes, somente três foram contratados com seu aval direto quando já estava no clube.
No Tricolor Gaúcho, Luis Orejuela chegou com experiência no Cruzeiro e fez 31 jogos em 2020, mas sem brilho. Campaz praticamente não teve chances. Monsalve, contratado em 2024 após destaque na Colômbia, oscilou entre titular e reserva, com 21 partidas e três gols.
O cenário no Fluminense foi ligeiramente diferente. Arias já era ídolo e manteve nível altíssimo até a transferência para o Wolverhampton. Kevin Serna viveu sua melhor temporada da carreira sob comando de Renato, com 13 gols e nove assistências em 2025. Gabriel Fuentes cumpriu papel de reserva. Já Santi Moreno, único contratado por pedido do técnico, flopou: 13 jogos e retorno à MLS.
O padrãofica evidente: os colombianos que renderam com Renato ou já estavam adaptados ao Brasil (Orejuela) ou tiveram tempo para evoluir no próprio clube antes de trabalhar com ele (Arias, Serna). As contratações diretas raramente vingaram.
No Vasco, o técnico enfrenta desafio semelhante. Dos quatro colombianos do elenco — Andrés Gómez, Cuesta, Johan Rojas e Hinestroza —, apenas Gómez tem titularidade garantida. Cuesta virou reserva de Alan Saldivia. Rojas e Hinestroza começaram como titulares uma única vez e, em alguns jogos, nem entraram.
A declaração de Renato não foi aleatória. Foi baseada em experiência acumulada que mostra uma realidade: a adaptação de colombianos ao futebol brasileiro, sob seu modelo de jogo, é genuinamente complexa. Para Hinestroza e Rojas, o recado está dado: terão que conquistar espaço aos poucos, como a história do próprio treinador demonstra ser o caminho mais provável.
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