Renato explica ausência em coletiva e defende gestão do elenco
Técnico do Vasco esclareceu problema de saúde que o afastou da entrevista após derrota para o Bragantino e detalhou estratégia de rodízio do elenco reduzido em três competições simultâneas.

A vitória por 3 a 0 sobre o Barracas Central, que garantiu o Vasco nos playoffs da Sul-Americana, serviu de pano de fundo para Renato Gaúcho esclarecer os bastidores do momento delicado vivido no clube. Em entrevista coletiva após a partida desta quarta-feira, o técnico foi confrontado sobre sua ausência na coletiva do jogo anterior e sobre os protestos da torcida registrados no revés para o Bragantino.
O clima tenso em São Januário durante a derrota no fim de semana gerou especulações quando Renato terminou a partida sentado no banco enquanto seu auxiliar Gabeira orientava a equipe, e não compareceu à sala de imprensa. O treinador foi enfático ao esclarecer o motivo: um problema de garganta que o aflige há mais de três anos.
'Coisa que nunca fui e nem vou ser é covarde. Bem pelo contrário. Se eu fosse covarde, nem teria vindo para o Vasco', afirmou Renato. 'Estou com coisa na garganta, abaixo de remédio. Hoje mesmo estão vendo como estou. Hoje ganhando de 3 a 0, o Gabeira foi para beira do campo para eu poupar a garganta e o médico me deu remédio.'
A questão da gestão do elenco dominou boa parte da conversa com a imprensa. Renato defendeu a priorização do Campeonato Brasileiro e explicou a lógica do rodízio em um grupo que conta com 24 jogadores — dos quais três são da base —, disputando três competições simultaneamente.
'A Sul-Americana é mais importante que o Campeonato Brasileiro?', questionou o técnico. 'Será que se eu colocasse para jogar com titulares em todos os jogos da Sul-Americana eu ia cansar os jogadores, alguns poderiam se machucar. E o Brasileiro?'
Renato recordou que assumiu o Vasco com apenas um ponto no Brasileiro e que o time agora tem 20 pontos, conquistando 19 dos 39 possíveis sob seu comando, a maior parte contra equipes da parte de cima da tabela. O treinador enfatizou que não toma decisões sozinho no clube e que trabalha com diálogo e respaldo institucional.
Sobre a classificação em segundo lugar no Grupo G da Sul-Americana — o Vasco venceu, mas dependia de combinação de resultados para terminar em primeiro —, Renato foi pragmático: 'Poderíamos hoje estar classificados em primeiro lugar na Sul-Americana com 12, 13, 14, 15 pontos no Brasileiro. Aí seria o contrário: por que não deixou a Sul-Americana de lado e pensou no Brasileiro? Não dá para agradar todo mundo.'
O técnico reconheceu o direito da torcida de protestar, mas fez questão de destacar que a manifestação ocorreu sem violência. 'Torcedor é paixão. Está sofrendo porque não ganhamos o último jogo. É assim. No futebol tudo é vitória. O mais importante é o torcedor comparecer domingo em São Januário', disse, convocando a massa vascaína para o duelo contra o Atlético-MG pelo Brasileiro.
Sobre os jovens da base, Renato demonstrou cuidado na utilização. Elogiou o desempenho de Avellar, que vem aproveitando as oportunidades na lateral esquerda com a lesão de Cuiabano, e explicou a filosofia de proteger garotos. 'Você não pode por quando o jogo está apertado, difícil, está perdendo, e jogar a responsabilidade para o garoto, porque o garoto tem um futuro muito grande e você não pode queimar o garoto.'
O treinador também comentou a entrada de Bruno Lopes, que estava voltando de três meses de lesão e recebeu 30 minutos em campo. Zucarelo, da base, foi escalado como meia do lado direito — não como lateral — para aproveitar a superioridade numérica após expulsão do adversário.
Quanto ao pênalti perdido por Brenner, Renato justificou a escolha: com o jogo definido em 2 a 0, a cobrança seria uma oportunidade para o atacante recuperar a confiança. 'É bom garoto, garoto que trabalha, não chegou à toa no grupo do Vasco. Tudo é confiança', afirmou, citando situação semelhante vivida por Sasha no Bragantino.
Renato encerrou a entrevista reafirmando que o Vasco segue vivo em três competições — Sul-Americana, Copa do Brasil e Brasileirão — e que, apesar das dificuldades, o time tem condições de melhorar a posição na tabela nacional. Os playoffs da Sul-Americana serão disputados após a pausa para a Copa do Mundo.
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