Renato não repete escalação há dois meses no Brasileirão
Entre lesões, suspensões e controles de carga, técnico vascaíno convive com quebra-cabeça constante para manter equipe competitiva. Cuiabano e Paulo Henrique são baixas importantes no setor defensivo.

Nesta sexta-feira, o Vasco completa exatos dois meses sem repetir a mesma escalação titular no Campeonato Brasileiro. A estatística revela o desafio enfrentado por Renato Gaúcho desde que assumiu o comando técnico: lesões, suspensões, controles de carga e ajustes pontuais obrigaram o treinador a promover um rodízio constante no elenco para disputar três competições simultaneamente.
O último time titular repetido foi registrado em março, quando o Vasco venceu Fluminense e Grêmio em sequência. Nas duas ocasiões, a equipe entrou em campo com: Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan e Cuiabano; Hugo Moura, Thiago Mendes, Tchê Tchê; Nuno Moreira, Andrés Gómez e David. De lá para cá, são oito jogos consecutivos com formações distintas na competição nacional.
As lesões no setor defensivo pesaram de forma significativa neste período. Cuiabano, titular absoluto nas primeiras rodadas sob comando de Renato, sofreu edema na coxa esquerda e não atua desde a derrota por 1 a 0 contra o Corinthians. A ausência prolongada do lateral-esquerdo obrigou Lucas Piton a assumir a posição em diversas oportunidades, gerando um efeito cascata nas opções táticas do treinador.
Mais recentemente, o próprio Paulo Henrique sofreu entorse no tornozelo direito e virou desfalque importante. O lateral-direito só deve estar à disposição novamente depois da pausa para a Copa do Mundo, ampliando o problema no setor. Com a ausência de Paulo Henrique, Puma Rodríguez foi deslocado da ponta para a lateral direita nos últimos compromissos, solução improvisada que demonstra a escassez de opções no momento.
Entre os zagueiros, a situação não é menos complexa. Robert Renan foi o único a manter a titularidade absoluta nos doze jogos de Renato Gaúcho no Brasileirão, estabelecendo-se como peça inegociável na defesa vascaína. Ao seu lado, porém, a indefinição persiste: Saldivia e Cuesta alternaram-se na posição, mas acumulam atuações ruins em sequência e não conseguem se firmar para formar o lado direito da zaga.
A ponta direita também representa um quebra-cabeça tático para o comandante vascaíno. Nuno Moreira foi o escolhido nos quatro primeiros compromissos, mas perdeu espaço em seguida. Johan Rojas assumiu a titularidade na sequência, enquanto Marino Hinestroza e Brenner também receberam oportunidades sem, no entanto, corresponderem às expectativas.
A situação parecia ter encontrado um caminho quando Adson foi titular na vitória por 1 a 0 sobre o Athletico-PR e apresentou boa atuação. O desempenho do camisa 28 gerou expectativa de que o problema na ponta direita pudesse estar resolvido. Contudo, o otimismo durou pouco: Adson passou por novo controle de carga e não atuou contra o Internacional como medida preventiva, após apresentar sinais de fadiga — quadro considerado natural pela comissão técnica para um jogador que passou longo período afastado dos gramados.
O meio-campo também sofreu alterações constantes. Hugo Moura, Thiago Mendes, Tchê Tchê e Barros revezaram-se nas funções de volância e armação, conforme a necessidade de cada partida e o calendário apertado. A rotação neste setor visa preservar fisicamente os atletas que disputam três competições em sequência, evitando sobrecarga e novas lesões.
No ataque, David e Andrés Gómez mantiveram presença mais constante nas escalações, embora suas posições tenham variado conforme o esquema tático adotado. Brenner e Spinelli também ganharam chances pontuais, refletindo a busca de Renato por encontrar a melhor combinação ofensiva disponível no plantel.
Os números revelam a dimensão do desafio: desde a quinta rodada do Brasileirão, quando venceu o Palmeiras por 2 a 1, até a derrota por 4 a 1 para o Internacional na décima sexta rodada, o Vasco utilizou doze escalações diferentes em doze jogos. A instabilidade compromete a criação de entrosamento e automatismos, fatores fundamentais para o desempenho coletivo em alto nível.
O cenário obriga Renato Gaúcho a trabalhar com planejamento de curto prazo, ajustando a equipe jogo a jogo conforme o departamento médico libera ou preserva atletas. A expectativa é que, após a pausa para a Copa do Mundo, o técnico possa contar com o retorno de Paulo Henrique e, eventualmente, de Cuiabano, permitindo maior estabilidade nas escolhas e a construção de uma formação titular mais consistente para a sequência da temporada.
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