Renato sob pressão: vaias, gesto polêmico e silêncio no Vasco

Técnico recebeu primeiras vaias da torcida após 3 a 0 para o Bragantino, respondeu com ironia e não foi à coletiva. Direção mantém respaldo, mas clima é de crise com três derrotas seguidas e falhas defensivas em série.

Renato Gaúcho Vasco banco reservas

O que começou como lua de mel virou tensão declarada em São Januário. Após pouco mais de dois meses no comando do Vasco, Renato Gaúcho enfrentou as primeiras vaias da torcida cruzmaltina no 3 a 0 para o Bragantino — e o que veio depois transformou um domingo ruim em estopim de crise.

A derrota jogou o Vasco para a 16ª posição do Brasileirão, a apenas dois pontos do Z-4. O duelo que poderia aproximar o time da zona de classificação para a Libertadores teve efeito oposto: agora são três derrotas consecutivas e quatro jogos sem vencer na temporada, a pior sequência sob o comando de Renato.

Mas o placar não foi o único problema. Ao ouvir xingamentos da arquibancada logo após o terceiro gol do Bragantino, Renato virou-se para a torcida e respondeu com gesticulações irônicas, apontando para si mesmo em tom de deboche. A provocação acendeu ainda mais os ânimos: copos foram arremessados na direção do banco, e o técnico se recolheu aos bastidores. Coube ao auxiliar Alexandre Mendes assumir a área técnica nos minutos finais.

Quando ficou claro que Renato não voltaria, a torcida passou a entoar coros de "covarde". Ao fim do jogo, enquanto caminhava para o vestiário sob nova salva de xingamentos, o treinador respondeu fazendo sinal de positivo para a arquibancada — gesto que só amplificou a revolta.

E não parou por aí. Renato não compareceu à entrevista coletiva após a partida, em decisão conjunta com diretoria e jogadores. O torcedor ficou sem explicações. Na segunda-feira seguinte, torcidas organizadas foram ao CT cobrar os atletas presencialmente.

**Defesa em colapso: 12 gols sofridos em quatro jogos**

Por trás da pressão estão números alarmantes. O Vasco sofreu 12 gols nas últimas quatro partidas, e as falhas defensivas viraram padrão. A dupla de zaga virou dor de cabeça: Saldivia e Cuesta acumulam atuações ruins em sequência e não conseguem se firmar ao lado de Robert Renan.

Contra o Paysandu, Saldivia marcou gol contra que deu empate ao adversário e deixou o segundo tempo nervoso antes da classificação às oitavas da Copa do Brasil. Na goleada de 4 a 1 sofrida para o Internacional, Cuesta falhou no tempo de bola no primeiro gol de Carbonero e ainda foi expulso no fim — recebendo nota 0,5 do ge, a pior de um jogador vascaíno na temporada.

Saldivia retornou ao time titular contra o Bragantino, após Cuesta cumprir suspensão, e acumulou erros cruciais. O mais gritante veio no terceiro gol: recuou a bola muito mal para Léo Jardim, que acabou antecipado por Fernando para fechar o placar.

**Reservas no Paraguai e polêmica nas escolhas**

Parte da pressão sobre Renato vem de decisões táticas que dividiram opiniões — inclusive dentro do próprio clube. Na derrota para o Olimpia, pela Sul-Americana, o técnico escalou time reserva no Paraguai. A escolha gerou críticas pelo peso da partida: era confronto direto pela liderança do Grupo G, e uma vitória classificaria o Vasco antecipadamente às oitavas, aliviando três datas no calendário.

Com a derrota, o cenário complicou. O Vasco precisa de combinação de resultados na última rodada para garantir o primeiro lugar e corre risco de ficar até fora dos playoffs. Apenas o líder avança direto às oitavas; o segundo disputa playoff contra terceiro colocado de grupo da Libertadores.

As datas do playoff — 22 e 29 de julho, logo após a Copa do Mundo — batem de frente com a 19ª e 20ª rodadas do Brasileirão. Se cair no playoff, o Vasco teria de fazer os jogos atrasados na Data Fifa de setembro, perdendo dez dias de descanso para compromissos pendentes.

Jogadores considerados titulares como Thiago Mendes, Rojas, Spinelli e Adson já haviam sido preservados na goleada para o Internacional. Praticamente todo o time principal foi poupado da viagem ao Paraguai. O argumento de Renato era focar no Brasileirão — o que aumentou a cobrança por resultado positivo contra o Bragantino. Internamente, o planejamento para o jogo contra o Olimpia dividiu opiniões na cúpula vascaína.

**Direção mantém respaldo, mas clima é de ebulição**

Apesar do revés duro, a direção do Vasco não tem intenção de trocar o comando técnico. A avaliação interna é de que o saldo de Renato permanece positivo e que erros individuais de jogadores pesaram mais nas derrotas do que falhas táticas.

Mas o clima é de crise instaurada. O Vasco volta a campo nesta quarta-feira contra o Barracas Central, em jogo decisivo pela última rodada da fase de grupos da Sul-Americana. Não se trata apenas de buscar classificação — é preciso dar resposta imediata à torcida e aliviar a pressão que agora pesa sobre Renato e o elenco. Restam dois jogos em São Januário antes da pausa para a Copa do Mundo, e a paciência da arquibancada está no limite.

Fonte: GE Vasco
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Publicado em 26 de maio de 2026

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