SAF do Vasco: advogado de Lamacchia detalha ajustes e próximos passos

André Sica, advogado do grupo de Marcos Lamacchia, revelou que os órgãos fiscalizadores pediram mudanças no contrato da SAF do Vasco. As alterações foram feitas, e a documentação retornou à Justiça — próximo passo é a publicação do edital.

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A operação para venda da SAF do Vasco segue em andamento após passar por ajustes solicitados pelos órgãos fiscalizadores da recuperação judicial. André Sica, advogado de Marcos Lamacchia, detalhou ao ge os pedidos feitos pelos administradores judiciais e pelo watchdog, as mudanças realizadas e o cronograma esperado para as próximas etapas.

Segundo Sica, os fiscalizadores solicitaram a redução do break-up fee — multa prevista ao Vasco caso Lamacchia não vença o leilão — e um complemento de garantia para eventual falha na comprovação de capacidade econômico-financeira necessária para cumprir as obrigações da recuperação judicial. Também foi pedido que o contrato estabelecesse de forma mais clara o fluxo de pagamento das obrigações da RJ e que os custos previstos incluíssem os assessores judiciais.

As mudanças foram feitas, um aditivo foi assinado e a documentação voltou ao juízo. O advogado afirmou que as alterações não modificaram o mérito da proposta. Para o Expresso98, o fato de os ajustes terem sido técnicos — não questionamentos de fundo sobre viabilidade ou capacidade financeira — reforça que a operação tem base sólida e caminha dentro do esperado para um negócio dessa magnitude sob fiscalização judicial.

'A operação do Vasco é a operação mais publicizada do Brasil, ou talvez uma das mais publicizadas entre todas as operações que já houve no país', disse Sica. Ele lembrou que os administradores judiciais analisam todo o fluxo financeiro e que até as contratações do Vasco são levadas à ciência da magistrada.

A expectativa do grupo de Lamacchia é que a Justiça determine a publicação do edital e dê início ao processo competitivo. O cronograma de trabalho prevê o encerramento dessa etapa até o fim de setembro, embora o prazo possa ser alterado caso haja impugnações ou discussões judiciais. A leitura aqui é que o cronograma apertado pode favorecer o Vasco: com o administrador judicial apontando relevante restrição de liquidez e forte pressão sobre o fluxo de caixa, a chegada de recursos dentro da janela de transferências — ou logo após — permitiria reforços qualificados ainda em 2026, num momento em que o clube ocupa a 18ª posição do Brasileirão com 22 pontos em 21 jogos.

Sica revelou ainda que o Vasco terá uma cadeira no Conselho de Administração da SAF.

Sobre os valores da operação, o advogado detalhou: 'São R$ 500 milhões carimbados para o futebol. São R$ 150 milhões carimbados para o CT. O perdão de R$ 80 milhões da dívida do empréstimo. O pagamento de dívidas concursais e extraconcursais de aproximadamente R$ 1,3 bilhão. A cobertura de todo o déficit de caixa dos próximos cinco anos, hoje estimado em aproximadamente R$ 300 milhões por ano, que dá R$ 1,5 bilhão'. Na avaliação do Expresso98, a separação explícita entre valores carimbados para futebol, CT e dívidas traz previsibilidade que o clube não teve em experiências anteriores, e o compromisso de cobrir déficit operacional por cinco anos representa alívio estrutural para uma SAF que, segundo a própria fiscalização, depende de capital externo para manutenção das operações.

Com informações do ge, por Bruno Murito, João Guerra e Sergio Santana.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 12 de agosto de 2026

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