São Januário na mira da Fifa para treinos da Copa Feminina 2027
Entidade máxima do futebol mundial visitou instalações de clubes cariocas e negocia a liberação de centros de treinamento. Histórico estádio cruzmaltino integra lista de estruturas à disposição das seleções classificadas para o Mundial.

A Fifa visitou nas últimas semanas as instalações dos principais clubes do Rio de Janeiro com vistas à Copa do Mundo Feminina de 2027. Botafogo, Fluminense e Vasco da Gama negociam a liberação de suas estruturas para ceder centros de treinamento às 32 seleções classificadas — no caso do clube cruzmaltino, o histórico estádio de São Januário, que completa 100 anos justamente em 2027.
O estádio da Colina está na lista para receber treinos de véspera de jogos. Na Copa de 2014, Argentina e Alemanha utilizaram o palco vascaíno antes da final do Mundial masculino daquele ano. A tradição de sediar preparações para decisões internacionais reforça o peso simbólico da estrutura para grandes competições.
Enquanto Botafogo, Fluminense e Vasco da Gama negociam a inclusão de suas instalações, o departamento de futebol do clube rubro-negro considerou inviável liberar o Ninho do Urubu. O argumento apresentado à Fifa foi de que, apesar da pausa no calendário brasileiro durante a Copa, o elenco estará em treinamento após um breve período de férias. A recusa foi aceita pela entidade sem atritos, que ainda negocia com o mesmo clube a liberação antecipada do Maracanã.
A Fifa já selecionou 38 centros de treinamento na primeira versão do catálogo. Novas instalações serão incluídas na segunda edição, prevista para ser lançada até o fim de 2026, quando classificados, sorteio e tabela de jogos estiverem definidos. As propostas da entidade giram em torno de R$ 500 mil pelo aluguel, a depender do tempo de uso das instalações durante a competição. Para um jogo no Maracanã, por exemplo, a Fifa pagará US$ 200 mil — pouco mais de R$ 1 milhão.
Ao longo de um ano e meio, especialistas técnicos visitaram 52 cidades em 19 estados brasileiros, analisando 261 locais. No Rio de Janeiro, além das estruturas de Botafogo, Fluminense e Vasco da Gama, foram selecionadas a Escola de Educação Física do Exército, na Urca, e a Granja Comary, em Teresópolis.
Com informações do GE Vasco.
## Análise Expresso98
A visita da Fifa a São Januário nas últimas semanas insere o Vasco em um cenário de prestígio institucional que destoa do momento esportivo. Enquanto o clube negocia ceder o estádio histórico — que completará cem anos em 2027, mesmo ano da Copa do Mundo Feminina — como centro de treinamento para as seleções, a equipe profissional ocupa a 17ª posição do Brasileirão, com apenas vinte pontos em dezenove rodadas e saldo de oito gols negativo. A dicotomia entre relevância patrimonial e crise técnica expõe as duas faces do clube: de um lado, a grandeza histórica que atrai a Fifa; de outro, a fragilidade em campo que exige resposta urgente.
A favor do Vasco pesa a força simbólica de São Januário, palco que recebeu Argentina e Alemanha antes da final de 2014 e se mantém na mira da entidade máxima do futebol como local de preparação para jogos decisivos. A proposta da Fifa de aproximadamente quinhentos mil reais pelo aluguel, dependendo do tempo de uso, pode injetar recursos extras em um momento de aperto financeiro — o clube tem enfrentado obstáculos salariais nas negociações por reforços como Diego Carlos e Nelson Deossa. Além disso, a vitória mais recente quebrou uma sequência de quatro derrotas, abrindo espaço para reação no campeonato nacional diante do Mirassol, em casa, na próxima rodada.
A preocupação reside justamente na urgência dos resultados. A forma recente — quatro derrotas seguidas antes do último triunfo — espelha as dificuldades do elenco sob o comando de Pedro Emanuel, que ainda busca padrão de jogo consistente e sofre com a saída de peças importantes como Vegetti, Rayan e Philippe Coutinho nos primeiros meses do ano. Investimentos como Marino Hinestroza não engrearam, e a zona de rebaixamento está a poucos pontos de distância. A liberação do estádio para a Fifa em 2027 pressupõe que o Vasco estará disputando a Série A naquele ano — cenário que exige planejamento imediato, mas também reação emergencial para garantir a permanência agora.
A leitura do Expresso98 reconhece que São Januário segue gigante no imaginário do futebol mundial, mas alerta que grandeza institucional não se sustenta sem competitividade em campo. A Colina pode receber seleções em 2027, mas só manterá o protagonismo se o clube reverter a trajetória atual e honrar a camisa que representa desde 1898. O prestígio abre portas; os resultados as mantêm abertas.
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