Soberba brasileira emperra Sul-Americana — Vasco também pecou
A derrota vexatória do Vasco para o Audax Italiano, com Renato Portaluppi ausente, ilustra o desrespeito brasileiro à Sul-Americana. Megalomania substitui cultura vencedora — e o continente cobra o preço.

O Vasco entrou para a lista negra da Sul-Americana 2025. A derrota surpreendente para o Audax Italiano, time chileno sem grande expressão, expôs um problema que vai além de San Januário: a soberba generalizada dos clubes brasileiros na competição.
Renato Portaluppi sequer viajou para acompanhar a estreia cruz-maltina. O recado foi claro: a Sul-Americana não merece empenho total. O resultado? Vexame em campo, time bagunçado e três pontos desperdiçados contra adversário perfeitamente superável.
Em 14 jogos até aqui, os brasileiros acumulam apenas seis vitórias, três empates e cinco derrotas — desempenho pífio comparado à Libertadores. Santos empatou em casa com os reservas do modestíssimo Recoleta. Grêmio suou para vencer o Riestra, clube argentino que compra uniforme de grife sem patrocínio só para aparentar status. A exceção honrosa foi o Botafogo, que venceu o Racing fora de casa nos acréscimos.
O diagnóstico é duro, mas necessário: clubes brasileiros viraram megalomaníacos. Acreditam que o abismo financeiro garante vitória automática, desprezando projetos bem estruturados que compensam a diferença em jogos específicos. Nada menos que a Libertadores parece suficiente — a Sul-Americana virou estorvo.
Mas os números não mentem: desde a final única, apenas o Athletico-PR levantou o troféu (2021). Sete edições, um título brasileiro. Enquanto isso, os museus dos gigantes sul-americanos transbordam taças — porque eles entendem algo que muitos aqui esqueceram: cultura vencedora não se constrói apenas com cifrões, mas vencendo tudo que aparecer pela frente.
O torcedor vascaíno sabe disso melhor que ninguém. Cada taça no museu de São Januário — seja Libertadores, Mercosul ou Brasileiro — vale ouro. Dinheiro vai e vem. Glória fica para sempre.
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