Textor cita Vasco e Pedrinho ao criticar clubes associativos
Afastado do Botafogo, empresário estadunidense usou o Cruz-Maltino como exemplo em entrevista exclusiva à Itatiaia para defender modelo SAF e atacar dirigentes tradicionais do futebol brasileiro.

Em meio à disputa judicial pelo controle da SAF do Botafogo, o empresário estadunidense John Textor voltou a se posicionar publicamente sobre o futuro do futebol brasileiro — e o Vasco entrou na conversa. Em entrevista exclusiva concedida à Rádio Itatiaia, Textor, recentemente destituído de poderes no clube alvinegro, utilizou o Cruz-Maltino como exemplo ao defender o modelo SAF e criticar o que chama de ingerência dos clubes associativos.
Textor afirmou que segue na Justiça provando ser o proprietário das ações e revelou contar com o apoio de parceiros empresários que, segundo ele, 'conhecem e amam o Brasil'. Entre os nomes citados estão Kia Joorabchian e Evangelos Marinakis, que o empresário define como 'pessoas extraordinárias, que cuidam das pessoas e das coisas que amam'. Para ele, esse seria o caminho para novos títulos ao longo das próximas décadas.
Ao criticar a atuação de dirigentes associativos, Textor mencionou Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo entre 1994 e 1996, associando-o aos rebaixamentos do clube em 2002, 2014 e 2020. 'Quando você é rebaixado três vezes nos últimos 25 anos, eu me preocupo com isso', declarou. O empresário defende que, sem a continuidade do modelo SAF sob sua gestão, o Botafogo corre o risco de se tornar 'um clube muito mediano' e 'ficar no meio da tabela'.
Foi ao falar sobre os riscos do retorno ao controle associativo que Textor citou diretamente o Vasco. 'Olhem o que está acontecendo com o Vasco. O Vasco tinha bons motivos para se preocupar com a 777', afirmou, referindo-se à ex-proprietária da SAF cruz-maltina. Ele prosseguiu: 'Eu sempre dizia: nós não somos o Vasco. Isso era até um elogio ao Pedrinho, porque o que eu queria dizer era que nós não éramos o Vasco. Nós não tínhamos a 777. Nós não tínhamos fraude'.
Textor criticou ainda a gestão de Pedrinho após a retomada do controle do clube associativo vascaíno. 'Depois que ele entrou e retomou o controle do clube, ele não trouxe o capital de volta. Não trouxe outro investidor. Ele deveria ter encontrado outro parceiro para a SAF', analisou o empresário, acrescentando: 'Mas agora ele é afastado do clube. Eles já passaram por recuperação judicial. Ainda têm uma dívida de 300 milhões. Provavelmente precisarão passar por Recuperação Judicial novamente'.
O empresário questionou o futuro dos investimentos no futebol brasileiro caso a SAF do Botafogo seja, nas palavras dele, 'destruída pelo seu clube social'. 'Quem vai investir no Brasil de novo?', indagou, citando o senador Carlos Portinho, relator da Lei da SAF. Para Textor, o impasse no Botafogo representa um risco para todo o país: 'Estamos mostrando ao resto do mundo que você pode colocar 200 milhões de dólares em um empreendimento de futebol e esse dinheiro simplesmente evaporar porque alguém conhece alguns juízes no Rio'.
A entrevista à Itatiaia faz parte de uma série de declarações públicas do empresário desde seu afastamento, mantendo-se relevante junto a parte da torcida botafoguense enquanto a disputa judicial avança.
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