Thiago Mendes e Admar assumem culpa e blindam Renato
Após derrota por 3 a 0 para o Bragantino, volante e diretor de futebol deram coletiva no lugar do técnico. 'Não deixamos o Renato vir', afirmou Admar Lopes, que descartou pedido de demissão do treinador.

Em um momento delicado da temporada, com três derrotas seguidas e apenas dois pontos de distância da zona de rebaixamento, o Vasco viveu uma cena incomum após o revés de 3 a 0 para o Red Bull Bragantino em São Januário. A coletiva de imprensa que tradicionalmente conta com a presença do técnico ganhou novos protagonistas: o volante Thiago Mendes e o diretor de futebol Admar Lopes subiram à tribuna para assumir publicamente a responsabilidade pelo momento ruim — e blindar Renato Gaúcho.
O diretor português foi direto ao explicar a ausência do treinador. 'Nós quisemos assumir a responsabilidade e não deixamos o Renato vir para a coletiva', afirmou Admar, que chegou à sala de imprensa uma hora e meia após o apito final ao lado do camisa 88. 'O Renato ficou muito sentido com as críticas. Houve muita conversa, mas o Renato não pediu demissão. Não está na mesa a possibilidade dele sair', completou.
Segundo Admar, a decisão de poupar o técnico da exposição partiu do próprio grupo. 'Foi uma conversa de mais de uma hora. O Renato sentiu muito as críticas e a derrota. Todo mundo falou. E o grupo, juntamente com a diretoria, decidiu tomar essa atitude porque acreditamos que o Renato não pode vir sozinho assumir a culpa da derrota', explicou.
Thiago Mendes, como líder dos jogadores, seguiu no mesmo tom. 'Pessoalmente queria pedir desculpa ao torcedor que compareceu hoje, não foi o resultado que todo mundo esperava', disse o volante. 'Sabemos que quem entra em campo somos nós, jogadores. Hoje, tínhamos que dar a cara na entrevista. Ele não é culpado. Demos a cara por ele. Quem teve culpa foram os jogadores que entraram em campo.'
A fala dos dois ocorreu após uma tarde tensa em São Januário. A torcida presente perdeu a paciência com a atuação do time e direcionou críticas pesadas a Renato Gaúcho, que foi chamado de 'covarde' e teve copos arremessados em sua direção. O técnico gesticulou para a arquibancada e, na saída do gramado, fez um sinal de positivo.
Apesar do momento crítico no Brasileirão — com 20 pontos conquistados —, Admar Lopes reforçou a confiança no trabalho do treinador. 'Obviamente, depois de perder 3 a 0 em casa é difícil responder essa pergunta dentro do contexto de hoje. Mas se analisar a pontuação do Renato desde que chegou é positiva', avaliou o diretor, citando a recuperação que o time apresentou após um início difícil de campeonato. 'O impacto que o Renato teve no grupo foi enorme, o respeito do grupo e a confiança da diretoria muito grande.'
Sobre reforços, Admar admitiu que a janela de julho será uma oportunidade de avaliação. 'Há jogadores que chegaram na última janela e ainda não conseguiram se adaptar e não entregaram o que esperávamos', reconheceu, citando 'algumas incertezas' no elenco atual. Questionado sobre o tamanho do plantel, o diretor defendeu que 24 ou 25 atletas são suficientes numericamente, mas admitiu que a qualidade ainda não permite ao clube suportar ausências múltiplas. 'O elenco do Vasco neste momento não é capaz de suportar estável quando falham três, quatro, cinco, seis jogadores importantes', disse.
O Vasco volta a campo nesta quarta-feira, contra o Barracas Central, às 19h, em São Januário, pela Conmebol Sul-Americana. No Brasileirão, o próximo compromisso é domingo, às 16h, contra o Atlético-MG, também em casa.
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