Um mês de Renato: reação, invencibilidade e os velhos fantasmas da bola aérea
Treinador completa 30 dias no Vasco com cinco jogos invicto no início, mudanças táticas e protagonismo de Tchê Tchê e Cuiabano. Mas pontos perdidos no fim e fragilidade aérea seguem assombrando.

Renato Gaúcho completou neste domingo seu primeiro mês à frente do Vasco, e o balanço traz luzes e sombras. Contratado para arrancar o time da lanterna do Brasileirão após a saída de Fernando Diniz, o treinador conseguiu a injeção de ânimo necessária: cinco jogos invicto logo de cara, com vitórias importantes sobre Palmeiras, Fluminense e Grêmio que tiraram o Cruz-Maltino do sufoco.
Em oito partidas no total, são três vitórias, quatro empates e apenas uma derrota — a virada sofrida para o Botafogo, por 2 a 1, em São Januário. Os números mostram evolução, mas também revelam um fantasma que insiste em assombrar: a fragilidade na bola aérea e os pontos perdidos nos minutos finais.
Taticamente, Renato promoveu mudanças estruturais evidentes. O esquema com três volantes tornou-se padrão nos oito jogos, trazendo mais solidez ao meio-campo e liberando os homens de marcação para participarem do ataque. Thiago Mendes virou artilheiro do período com três gols, enquanto Barros e Tchê Tchê também balançaram as redes.
Tchê Tchê, aliás, ressurgiu sob o comando de Renato. Reserva com Diniz, o volante foi titular em sete partidas e voltou a mostrar sua importância. Hugo Moura ganhou espaço no meio, e David virou homem de referência no ataque — ele, ao lado de Léo Jardim, Robert Renan, Saldivia e do próprio Tchê Tchê, jogou todas as sete rodadas do Brasileiro.
A revelação do mês, porém, atende pelo nome de Cuiabano. Estreante sob Renato, o lateral-esquerdo não largou mais a titularidade e lidera as assistências da equipe no período, com quatro passes para gol.
Mas nem tudo são flores. O Vasco ainda não venceu fora de casa no Brasileirão e viu três vitórias escaparem nos minutos finais contra Cruzeiro, Coritiba e Remo — todas com gols sofridos de bola aérea. Contra a Raposa, Japa empatou aos 49 do segundo tempo. Diante do Coxa, um gol contra de Saldivia aos 44. E contra o Remo, Marllon marcou de cabeça aos 38.
A deficiência na marcação aérea segue como a missão número um de Renato. Fora das quatro linhas, o treinador também gerou polêmica ao comentar sobre a dificuldade de adaptação de jogadores colombianos ao Brasil, após ser questionado sobre Marino Hinestroza. A declaração virou manchete em jornais da Colômbia, Equador e Argentina.
Apesar dos tropeços recentes, o saldo do primeiro mês é positivo. Renato devolveu confiança ao elenco, ajustou o sistema tático e deu protagonismo a quem estava apagado. Agora, o desafio é corrigir as fragilidades defensivas e conquistar a primeira vitória longe de São Januário.
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