Vasco anuncia novos VPs enquanto enfrenta movimentações judiciais

Vasco anuncia novos VPs enquanto enfrenta movimentações judiciais

O Vasco divulgou a composição completa de sua Diretoria Administrativa, com a nomeação de novos vice-presidentes em áreas estratégicas do clube associativo. Segundo o site oficial do Vasco, Victor José Leite Medeiros assume como Vice-Presidente de Finanças, João Roberto Monteiro Costa como Vice-Presidente Jurídico, Paulo Roberto Pires Marques na Vice-presidência de História e Responsabilidade Social, Luis Claudio Pinto Teixeira na Vice-presidência de Integração e Felipe Siqueira como Vice-Presidente de Secretaria.

A estrutura administrativa mantém Pedro Paulo de Oliveira como presidente, Renato Cícero Freire De Brito Neto como 2º Vice-Presidente e Marcelo Macedo como Vice-Presidente de Relacionamento com a SAF. Completam o quadro Eduardo Cassiano (Esportes), Fabio Barboza Nogueira (Esportes Paralímpicos), Cristiano Botinha (e-Sports e Eventos), Williams Pereira Júnior (Patrimônio), Gustavo Gouvêa de Almeida Júnior (Departamento Médico), Gustavo de Aguiar Rabelo (Tecnologia e Inovação), Eduardo Pinto Pontes (Remo), Alexandre Cordeiro Macedo (Relações Institucionais), Sergio Ferreira de Lima Junior (Marketing), Guilherme da Silveira Valente (Assuntos Estratégicos Internacionais) e João Eduardo Nery de Oliveira (Projetos Estratégicos).

Enquanto estrutura sua nova diretoria, o Vasco enfrenta movimentações na esfera judicial relacionadas à SAF. Segundo apuração divulgada pela Colina 1927, a Campos Mello e Campos Mello Sociedade de Advogados protocolou petição requerendo tutela cautelar para indisponibilizar as ações da 777 Partners na Vasco SAF. O escritório cobra R$ 740.350,13 em honorários advocatícios referentes principalmente aos serviços prestados durante a aquisição da SAF do Vasco.

De acordo com a petição, as ações da Vasco SAF representam o único ativo da 777 no Brasil e, diante da iminente venda para o grupo liderado por Marcos Lamacchia, existe o risco de o crédito não ser satisfeito. O pedido principal é o bloqueio das ações. Subsidiariamente, caso a Justiça entenda que o bloqueio não é cabível, o escritório pede que seja averbado na JUCERJA um protesto contra a alienação de bens, medida que não impede a venda mas dá publicidade à existência da disputa judicial.

No âmbito da Recuperação Judicial do clube associativo, o Santos Futebol Clube apresentou petição de habilitação como credor. Segundo informação divulgada pelo jornalista José Américo no X, o Santos é classificado como credor classe III (Quirografário), ou seja, só recebe seus créditos após os credores Classe I (trabalhistas) e os classe II (Credores Fiscais). A movimentação de habilitação do clube paulista foi oficialmente registrada no processo.

## Análise Expresso98

O Vasco estrutura sua nova Diretoria Administrativa com a nomeação de vice-presidentes em áreas estratégicas do clube associativo — Finanças, Jurídico, História e Responsabilidade Social, Integração e Secretaria —, mantendo Pedro Paulo de Oliveira na presidência e Marcelo Macedo como elo com a SAF. A reorganização interna ocorre enquanto o clube atravessa dois processos judiciais paralelos: a Recuperação Judicial do associativo e as disputas em torno da SAF, com movimentações de credores e prestadores de serviço cobrando valores significativos. Em campo, o Vasco ocupa a 17ª colocação no Brasileirão com 20 pontos em 19 jogos, vindo de quatro derrotas consecutivas antes da última vitória, e se prepara para enfrentar o Independiente Medellín fora de casa pela fase de mata-mata de competição sul-americana.

A chegada de novos vice-presidentes pode trazer oxigenação administrativa ao clube associativo, especialmente nas áreas jurídica e financeira, setores vitais para a condução da Recuperação Judicial e para o diálogo com a futura gestão da SAF. A autorização judicial do financiamento DIP de R$ 40 milhões junto à Almirante, já concedida, assegura fôlego operacional imediato e demonstra que a Justiça reconhece a urgência de preservar as atividades do clube. A renúncia da Crefisa ao direito de preferência remove obstáculo contratual importante, facilitando as negociações financeiras em curso, enquanto o investimento total previsto por Marcos Lamacchia — superior a R$ 3 bilhões — pode representar virada de patamar se concretizado.

O acúmulo de disputas judiciais, contudo, expõe a fragilidade do momento: o escritório Campos Mello e Campos Mello pede bloqueio das ações da 777 Partners na Vasco SAF ou, ao menos, averbação de protesto na JUCERJA para resguardar seus honorários de R$ 740 mil, enquanto a KPMG cobra mais de R$ 5,6 milhões pelos serviços prestados na constituição da SAF. O Santos Futebol Clube habilitou-se como credor quirografário na Recuperação Judicial, engrossando a fila de credores classe III, e a própria disponibilidade de caixa do clube despencou de aproximadamente R$ 20,2 milhões no início de junho para R$ 9,3 milhões no fim do mês, esgotando-se na primeira quinzena de julho. A classificação na zona de rebaixamento do Brasileirão — 17º lugar, saldo negativo de oito gols, sequência recente de quatro derrotas antes da última vitória — reflete a instabilidade institucional e exige reversão rápida para que a crise administrativa não contamine definitivamente o desempenho esportivo.

A reorganização administrativa é passo necessário, mas insuficiente se não vier acompanhada de soluções concretas para o enxugamento da dívida e para a conclusão da venda da SAF. O financiamento DIP garante sobrevida operacional, porém as disputas judiciais — tanto dos prestadores de serviço quanto do credor habilitado — indicam que o passivo da era 777 Partners continuará pressionando o clube até que a transição para Lamacchia seja judicialmente homologada, com anuência de credores, aval do Ministério Público e resolução das pendências em arbitragem. Em campo, a urgência é idêntica: o Vasco não pode deixar que a turbulência institucional comprometa a campanha no Brasileirão nem a sequência na competição sul-americana. A próxima partida, fora de casa contra o Independiente Medellín, será termômetro importante para medir a capacidade de foco do elenco sob Pedro Emanuel em meio ao ruído externo. O Gigante da Colina precisa mostrar, simultaneamente, que consegue administrar o caos jurídico-financeiro e reagir na tabela — caso contrário, o risco de 2026 virar temporada perdida tanto no escritório quanto no gramado crescerá de forma perigosa.

Mais fotos (2)

Publicado em 21 de julho de 2026

Comentários

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário