Vasco assina manifesto que diz 'o futebol é quem acaba' e reage a MP que pode travar R$ 1 bi em bets

O Vasco assinou junto com outros oito clubes e duas federações um manifesto que defende o mercado regulado de apostas esportivas no Brasil. O texto, publicado na noite desta quinta-feira, é resposta direta à possibilidade de o Governo Federal editar uma Medida Provisória que proibiria os jogos de cassino on-line — movimento que, segundo os clubes, inviabilizaria as operadoras e colocaria em risco mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios só na Série A.

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'O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba.' A frase fecha o manifesto publicado na noite desta quinta-feira por Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Palmeiras, Santos, São Paulo, Cruzeiro e pelas Federações de Futebol dos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

O documento é uma reação direta à possibilidade de o Governo Federal publicar uma Medida Provisória que proibiria os jogos de cassino on-line no Brasil. Segundo apurou o ge, o texto da MP está pronto e aprovado, com intenção de publicação até a próxima terça-feira. Uma ala do governo tenta convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a proibir apenas alguns jogos on-line específicos, como o do Tigrinho.

A justificativa do governo é que as apostas geram impactos relevantes na renda de famílias brasileiras, especialmente as mais vulneráveis. O texto em análise revogaria o inciso dois do artigo 3º da Lei 14.790 de 2023, a que regulamentou o mercado no Brasil — inciso que incluiu os jogos virtuais entre as apostas de quota fixa. A MP, portanto, não proibiria apostas esportivas.

Os jogos de cassino on-line, porém, representam a maior parte das receitas das operadoras — o que poderia inviabilizar a maior parte delas. Para dirigentes de futebol, a consequência imediata seria uma diminuição no investimento dessas empresas no esporte. Estima-se que as bets paguem mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios só aos clubes da Série A do Brasileirão.

O manifesto assinado pelo Vasco e pelos demais clubes afirma que 'o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte' e que esses 'recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial'.

O texto alerta que mudanças nas regras não farão 'com que as apostas deixem de existir', mas que elas podem empurrar os apostadores para o mercado ilegal. Os clubes defendem que é preciso 'combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado'.

Desde a semana passada, cartolas têm se encontrado para desenhar uma resposta. Os clubes de São Paulo fizeram reuniões na Federação Paulista — que articulou com outras federações — para avaliar o cenário, que inclui também um projeto de lei na Câmara de São Paulo para restringir publicidade das empresas de apostas na cidade.

O manifesto sustenta que o investimento das bets impulsionou o futebol brasileiro de forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a Libertadores e a Sul-Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo. O texto ressalta ainda que essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não geram recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos.

Os clubes argumentam que contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado. 'Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país', afirma o documento.

O texto encerra com a frase: 'O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba.'

Com informações do ge.globo, por Leonardo Lourenço e Raphael Zarko.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 18 de setembro de 2026

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