Vasco avança por Deossa e busca zagueiro e volante, mas descarta Raphael Veiga

O Vasco segue movimentando o mercado de transferências com negociações em andamento e especulações descartadas. O principal alvo do clube é o meio-campista Nelson Deossa, do Real Betis, em tratativas que ganharam novo fôlego após o retorno de Pedrinho ao comando do futebol vascaíno. Segundo o ge.globo, o colombiano já acertou salários e aguarda a conclusão das garantias solicitadas pelo clube espanhol para liberação. A operação envolve empréstimo com obrigação de compra avaliado em 10 milhões de euros (R$ 58 milhões), com pagamentos iniciando em 2027, já contando com a entrada de Marcos Lamacchia, empresário em conversas avançadas para adquirir a SAF.
Além de Deossa, o Vasco trabalha para reforçar pelo menos duas posições consideradas urgentes pela diretoria: um zagueiro de boa estatura e um primeiro volante. A necessidade na volância se intensificou com a saída de Hugo Moura, em negociação encaminhada com o Al-Fayha, da Arábia Saudita. Entre os nomes sondados para a zaga estava Jair Cunha, ex-Botafogo e atualmente no Nottingham Forest. Segundo o jornalista Pedro Cobalea, o Cruz-Maltino negociava um empréstimo com passe fixado para possível compra futura. No entanto, pessoas próximas ao atleta descartaram qualquer chance de empréstimo junto ao clube inglês, conforme informou o NewsColina. Um eventual negócio só seria possível se o Vasco desembolsasse alta quantia pelo defensor de 21 anos.
Enquanto isso, especulações envolvendo o meia Raphael Veiga foram descartadas de forma enfática. André Cury, principal empresário do jogador, afirmou ao jornalista Venê Casagrande que há "zero chance" de transferência ao Vasco. Segundo o agente, a diretoria vascaína nem sequer entrou em contato para abrir negociação ou consultar a situação do atleta, que pertence ao Palmeiras e está emprestado ao América do México. "Tudo especulação. Não teve nada", declarou Cury.
A estratégia do Vasco no mercado é de orçamento limitado, com preferência por jogadores disponíveis por empréstimo ou com contratos próximos ao fim. O diretor de futebol Admar Lopes afirmou em entrevista coletiva que trabalha com a possibilidade de receber sinal verde para maior investimento durante a janela, dependendo de acordo entre Vasco e o grupo de Lamacchia pela venda da SAF. "O que foi passado pelo conselho de administração é de, claro, melhorar a equipe estrategicamente. Não seríamos tão agressivos nesse começo de janela porque as coisas poderiam mudar com o passar do tempo", explicou o dirigente.
A contratação de Deossa representa exceção na política de gastos, justamente por entrar em um processo de investimento inicial de Lamacchia. O empresário entende que o elenco precisa de melhorias e ajudará como pode, ainda "à distância", até que todo o contrato da SAF esteja sacramentado. Internamente, membros da diretoria reconhecem que a operação está avançada, mas pregam cautela para cravar qualquer acerto, após movimentos recentes como a frustrada negociação com o técnico Fernando Seabra.
## Análise Expresso98
O Vasco segue patinando no mercado com o mesmo dilema que se arrasta há semanas: promessas de reforços que dependem de garantias externas, principalmente da conclusão da venda da SAF para Marcos Lamacchia. A negociação por Nelson Deossa ganhou fôlego após o retorno de Pedrinho, mas ainda aguarda as garantias exigidas pelo Real Betis para liberar um empréstimo que só se tornará compra obrigatória em 2027 — ou seja, o clube aposta em dinheiro futuro enquanto o elenco sangra hoje, na lanterna da classificação com 20 pontos em 18 jogos, saldo negativo de sete gols e uma sequência recente assustadora de três derrotas, um empate e apenas uma vitória. Enquanto isso, as posições mais urgentes — zagueiro de boa estatura e volante — seguem em aberto, com a saída de Hugo Moura para a Arábia Saudita escancarando a fragilidade do meio-campo justamente quando Pedro Emanuel precisa de peças para implementar seu trabalho.
A favor do Vasco pesa apenas a movimentação de Pedrinho e a entrada "à distância" de Lamacchia, que sinalizou disposição para investir pontualmente antes mesmo da conclusão da SAF — Deossa é a prova disso. A estratégia de priorizar empréstimos e jogadores com contratos próximos ao fim faz sentido diante da limitação orçamentária reconhecida publicamente por Admar Lopes, e o clube ao menos evitou a armadilha de perseguir nomes impossíveis como Raphael Veiga, cuja negociação foi descartada de forma enfática pelo próprio empresário do jogador. Há consciência interna de que o momento exige cautela, especialmente após frustrações recentes como a novela Fernando Seabra.
O que preocupa, porém, é que o Vasco continua administrando uma crise com paliativos e apostas de médio prazo enquanto a temporada escorre pelo ralo. A tentativa por Jair Cunha esfriou porque o Nottingham Forest não aceita empréstimo e o clube não tem dinheiro para compra à vista — mais uma vez, a realidade financeira impõe limites que a urgência esportiva não respeita. Hugo Moura sai, e o substituto na volância ainda é incógnita; a zaga segue exposta, e Deossa, se vier, precisará de tempo de adaptação em uma posição que não resolve sozinha o caos defensivo. Pedro Emanuel foi apresentado com entusiasmo e abriu mão de propostas milionárias na Arábia para aceitar o projeto, mas chega para comandar um time despencando na tabela, sem a garantia de reforços imediatos e com uma SAF que deveria estar fechada há semanas, mas segue "em processo". A diretoria prega cautela para não cravar acertos, mas o torcedor vascaíno já conhece bem o roteiro: promessas que demoram, reforços que chegam tarde e o risco real de ver o clube afundado em uma zona de perigo que, desta vez, pode não ter salvação.
A leitura do Expresso98 é dura, mas honesta: o Vasco está correndo atrás do prejuízo com um orçamento de quem já perdeu a corrida. Deossa representa uma aposta interessante tecnicamente, mas cara e postergada para 2027, enquanto as urgências de hoje — zagueiro, volante, consistência tática — seguem sem resposta concreta. A troca de técnico duas vezes na temporada, a demora na venda da SAF e a orientação do conselho para "não ser agressivo no início da janela" são sintomas de um clube que tenta se organizar enquanto a casa pega fogo. Pedro Emanuel merece tempo e condições, mas o Vasco está em 17º, com o Vitoria pela frente fora de casa e um elenco que ainda não sabe quem chega para ajudar. Se a janela se fechar sem que as posições urgentes sejam preenchidas, o clube corre o risco de transformar 2026 em mais um ano de luta contra o rebaixamento — e desta vez, sem a rede de proteção que salvou o Gigante em outras crises recentes.
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