Vasco busca dois empates contra Medellín e testa Nuno Moreira centralizado

Vasco busca dois empates contra Medellín e testa Nuno Moreira centralizado

O Vasco empatou com o Independiente Medellín nesta quarta-feira, pela segunda fase da Copa Sul-Americana, em jogo marcado por oscilações no placar e uma novidade tática de Pedro Emanuel. O time brasileiro precisou buscar o empate em duas ocasiões durante a partida disputada na Colômbia.

O Independiente Medellín abriu o placar após desvio em Carlos Cuesta, colocando a equipe colombiana à frente. O Vasco reagiu rapidamente no segundo tempo, empatando aos 17 segundos da etapa complementar com um gol contra da defesa adversária. Nos minutos finais, Claudio Spinelli aproveitou espaço na área para marcar e garantir novo empate para o time carioca.

A partida trouxe uma mudança importante no esquema tático do Vasco: Nuno Moreira atuou centralizado no sistema ofensivo desde o início do jogo. Segundo o ge.globo, essa é uma das alterações testadas por Pedro Emanuel, que entende que as características do camisa 17 casam melhor atuando pela parte central do campo.

Desde que chegou ao Vasco em fevereiro do ano passado, Nuno Moreira quase sempre atuou como ponta esquerda. O português não é um extremo de velocidade e sempre foi marcado pela movimentação de cair para dentro, aparecendo pelo meio do campo. "Ele (Pedro Emanuel) falou comigo, disse que minhas características eram de jogar no meio com ele. Quando jogava em Portugal, o ponta não era bem um ponta. Era um sistema diferente, o 3-4-3, os pontas vinham para dentro. No Brasil, o 4-4-2, os pontas atuam um pouquinho diferente. Estou feliz e me sinto bem", afirmou Nuno após a partida.

A mudança de posicionamento também busca um recomeço para o próprio jogador. Um dos destaques da equipe em 2025, o camisa 17 não repete o mesmo desempenho na atual temporada: em 32 jogos, são dois gols marcados e três assistências. No começo da temporada, o Vasco tinha Coutinho como titular da posição e Johan Rojas como principal opção no banco. Com a saída do brasileiro, o colombiano assumiu papel de principal jogador criativo do meio, mas tem passagem marcada por atuações irregulares.

A tendência é que Nuno seja colocado de vez como meia. Na ponta esquerda, o Vasco tem Andrés Gómez, David e Marino Hinestroza como opções para entrar em campo. O resultado mantém o Vasco vivo na disputa pela classificação na Copa Sul-Americana.

## Análise Expresso98

O Vasco deixou a Colômbia com um empate que mantém a disputa pela classificação na Copa Sul-Americana em aberto, mas a partida contra o Independiente Medellín expôs tanto a capacidade de reação quanto as fragilidades defensivas que têm marcado a temporada. Precisar buscar o resultado duas vezes no mesmo jogo evidencia um time que ainda não encontrou consistência, especialmente longe de casa. A novidade tática de Pedro Emanuel, com Nuno Moreira centralizado, surge como tentativa de oxigenar um sistema ofensivo que patina — o português soma apenas dois gols e três assistências em 32 jogos na atual temporada, números bem distantes do que apresentou em 2025. A mudança de posição faz sentido tático, já que o camisa 17 nunca foi um extremo de velocidade e sempre teve como característica a movimentação para dentro, mas ainda é cedo para cravar se a solução resolverá o problema criativo do meio-campo.

A favor do Cruzmaltino está a capacidade demonstrada de não desistir da partida e buscar o empate nas duas ocasiões em que saiu atrás do placar, algo importante para manter a moral do grupo em meio a um momento delicado no Brasileirão, onde o clube ocupa a 17ª posição com 20 pontos em 19 jogos. O gol de Claudio Spinelli nos minutos finais ilustra que o time tem fôlego e disposição para reagir mesmo em situação adversa. Além disso, a chegada de Pedro Emanuel trouxe ao técnico português uma semana inteira de trabalho para conhecer o elenco antes do confronto, tempo que permitiu testar a nova função de Nuno Moreira e ajustar algumas peças. Com Andrés Gómez, David e Marino Hinestroza como opções para a ponta esquerda, há alternativas para a reformulação do esquema ofensivo.

O que preocupa é a defesa vazando com facilidade e a dependência de gols contra do adversário para seguir vivo no jogo — o empate aos 17 segundos do segundo tempo saiu dos pés da própria zaga colombiana, não de uma jogada construída pelo Vasco. A irregularidade de Johan Rojas, que assumiu o papel de principal jogador criativo após a saída de Coutinho, também pesa: o colombiano não tem entregado a constância esperada, o que obrigou a equipe técnica a improvisar soluções como a centralização de Nuno Moreira. A forma recente do time, com quatro derrotas consecutivas antes da vitória mais recente, mostra um conjunto ainda em busca de identidade e consistência, especialmente quando se considera a posição delicada na tabela do Brasileirão e o saldo de gols negativo de -8.

A leitura do Expresso98 é de que o empate na Colômbia é um resultado que mantém o Vasco respirando na Sul-Americana, mas não resolve os problemas estruturais do time. A mudança tática com Nuno Moreira centralizado pode ser um caminho, mas exige tempo de adaptação e dependerá da capacidade do português de reencontrar o nível que apresentou na temporada passada. Pedro Emanuel herdou um elenco em transição, com peças importantes ainda sendo negociadas no mercado e um sistema defensivo que segue vulnerável. O próximo compromisso, contra o Mirassol em São Januário, será teste importante para medir se as alterações implementadas pelo técnico português trarão resultados práticos ou se o Cruzmaltino seguirá oscilando entre reações pontuais e fragilidades recorrentes.

Mais fotos (4)

Publicado em 23 de julho de 2026

Comentários

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário