Vasco desperdiça chance de economizar três datas e complica Sul-Americana

Derrota por 3 a 1 para o Olimpia no Paraguai joga o Vasco para a última rodada da fase de grupos ainda brigando por vaga direta às oitavas. Time reserva pagou o preço da opção de Renato Gaúcho por poupar praticamente todos os titulares.

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O Vasco tinha tudo para resolver a vida na Copa Sul-Americana de 2026 na noite de quarta-feira, mas saiu do Defensores del Chaco, no Paraguai, com uma derrota por 3 a 1 que complicou — e muito — o caminho do clube na competição continental.

Líder do Grupo G na abertura da quinta rodada, o time cruzmaltino poderia ter encaminhado a classificação direta para as oitavas de final com uma vitória sobre o Olimpia. Em vez disso, terá que brigar pela vaga na última rodada, contra o Barracas Central, na próxima quarta-feira.

O formato da Sul-Americana torna o revés ainda mais custoso: apenas o primeiro colocado de cada chave avança direto às oitavas; o vice-líder disputa um play-off contra um dos terceiros colocados da Libertadores. Na prática, uma vitória no Paraguai economizaria três datas para o Vasco — o jogo final da fase de grupos e os dois confrontos do play-off.

A comissão técnica de Renato Gaúcho optou por poupar praticamente todo o time titular, deixando em campo apenas o goleiro Léo Jardim e o zagueiro Cuesta. A prioridade declarada do técnico é chegar à parada da Copa do Mundo na parte superior da tabela do Brasileirão. No domingo, o Vasco enfrenta o RB Bragantino em São Januário.

Recheado de jogadores inexperientes e com pouco entrosamento coletivo, o time pagou o preço esperado: foi encurralado desde o início e viu o Olimpia, que tratou a partida como uma decisão, impor superioridade. A equipe carioca até abriu o placar no fim da primeira etapa, em cabeçada de Cuesta após escanteio cobrado por Nuno Moreira.

Ironicamente, a bola aérea — origem do gol vascaíno — foi o principal defeito defensivo da noite. O Olimpia praticamente abandonou as tentativas de avançar pelo meio e explorou sistematicamente as laterais do campo. Os três gols paraguaios nasceram em jogadas aéreas: um após escanteio e os outros dois em bolas alçadas na direção da meta de Léo Jardim.

Mesmo com a noite difícil na marcação, o Vasco teve oportunidades para matar o jogo. No início do segundo tempo, com vantagem no placar, a equipe teve pelo menos dois bons contra-ataques após avanços desconexos do Olimpia. Marino Hinestroza desperdiçou ambos.

A situação ficou ainda mais complicada quando o garoto João Vítor foi expulso por acertar o órgão genital de um adversário com uma solada. A partir daí, a equipe carioca se fechou para tentar defender o empate. Não conseguiu.

Mais do que o resultado ruim, fica a sensação de que o Vasco poderia ter feito melhor se tivesse escalado ao menos alguns titulares. A decisão de poupar chama atenção especialmente porque o jogo ocorreu 11 dias antes de uma parada de quase dois meses por conta do Mundial. A equipe está em uma sequência pesada de jogos, mas os atletas terão descanso prolongado — enquanto os compromissos do play-off, caso o Vasco termine em segundo no grupo, acontecerão logo após o fim da Copa do Mundo.

O Olimpia ofereceu pouco perigo e criatividade mesmo jogando com força máxima. Não há certezas no futebol, mas o Vasco tinha chances concretas de resolver a classificação direta com seu elenco principal. A escolha foi outra, e agora a resposta precisa vir contra o RB Bragantino — que, vale registrar, escalou seus titulares na quarta-feira no Monumental de Núñez, também pela Sul-Americana, e empatou em 1 a 1 com o River Plate.

O Vasco vai para a última rodada da fase de grupos ainda dependendo de si para avançar, mas com o calendário potencialmente mais congestionado do que poderia estar. A conta dessa escolha pode chegar lá na frente.

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Publicado em 21 de maio de 2026

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