Vasco e 777 fecham acordo que destrava revenda da SAF enquanto justiça prorroga prazo até sexta

O Vasco e a 777 Partners protocolaram nesta quarta-feira, 2 de setembro, uma petição conjunta na Justiça do Rio de Janeiro informando que chegaram a um acordo no juízo arbitral. Segundo publicação do jornalista José Américo (@JAmerico1969) no X, a 777 declarou desistir de todos os incidentes processuais e não se opõe ao encaminhamento da revenda da SAF. O documento foi protocolado às 22h45. Os termos exatos do acordo ainda não foram divulgados.
Para o Expresso98, a desistência da 777 nos incidentes processuais remove um obstáculo importante no caminho da venda: a disputa arbitral sobre a titularidade das ações da SAF travava o processo de alienação e poderia reduzir o valor efetivamente recebido pelas recuperandas, cenário que agora se afasta. O acordo chega em momento crítico, com o clube dependendo de recursos para honrar compromissos a partir de setembro e para evitar o transfer ban que paira sobre o futebol vascaíno caso os pagamentos à CNRD não sejam comprovados nos prazos estabelecidos.
A movimentação ocorre em meio ao processo de recuperação judicial do clube e da SAF. A Justiça do Rio publicou edital no final de agosto estabelecendo valor mínimo de R$ 150 milhões para interessados na compra da SAF, com prazo inicial até 4 de setembro para manifestações.
Na mesma quarta-feira, a 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital atendeu a um pedido conjunto do administrador judicial (Wald Administração de Falências), da watchdog (Neves, Figueiredo, Cerqueira & Souza Advogados) e do gatekeeper (Gussem e Lemos Basto Advogados Associados) e prorrogou até sexta-feira, 4 de setembro, o prazo para cumprimento de despachos relativos aos processos de recuperação judicial do Club de Regatas Vasco da Gama e da Vasco da Gama SAF.
De acordo com o documento submetido à Justiça, o adiamento foi motivado por fatos supervenientes, com destaque para o fechamento do fluxo de caixa da Vasco SAF referente ao mês de agosto de 2026, finalizado na data atual. A medida garante que a análise técnica e a prestação de informações ao juízo ocorram com base nos dados financeiros consolidados do último mês, assegurando rigor e transparência no andamento do processo de reestruturação financeira da instituição. A leitura do Expresso98 é que a prorrogação também confere fôlego adicional ao processo competitivo: eventuais interessados além de Marcos Lamacchia ganham até sexta para se habilitar, enquanto os dados atualizados de agosto permitem que a Justiça e os agentes do processo avaliem o quadro financeiro real antes de decisões sobre a alienação da SAF e sobre o empréstimo DIP de R$ 150 milhões, cuja liberação ainda depende de análise judicial.
Com a desistência da 777 em relação aos incidentes processuais, o caminho para a revenda da SAF fica desobstruído do ponto de vista da disputa arbitral com a gestora americana. A petição protocolada nesta quarta representa um marco no processo que se arrasta desde a saída da 777 da administração da SAF vascaína. O prazo prorrogado pela Justiça até sexta-feira coincide com o período final para manifestações de interessados na aquisição da SAF. Vale a leitura de que o Vasco está a poucos dias de virar uma página decisiva na recuperação: com o obstáculo arbitral removido, o processo competitivo pode avançar de forma mais fluida, e a entrada de recursos — seja via venda da SAF, seja via liberação do DIP — torna-se mais provável em setembro, mês crítico em que o clube precisa honrar salários, credores e evitar o risco de transfer ban que o impediria de registrar novos atletas.
Com informações do NetVasco, que cita X do jornalista José Américo/Vasco Connection.
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