Vasco empata sem gols com Fluminense e expõe carências do elenco
Empate de 0 a 0 no Maracanã mostrou evolução tática sob Pedro Emanuel, mas também escancarou a urgência por reforços. Com banco curto e meio-campo improvisado, o Cruz-Maltino decide vaga na quarta.

O Vasco ocupa a 18ª posição do Brasileirão, com 21 pontos em 20 jogos, e vive momento de instabilidade: são apenas cinco vitórias, seis empates e nove derrotas na competição. Diante do Fluminense — 4º colocado, com 34 pontos e nove triunfos em 21 partidas —, o empate sem gols neste sábado no Maracanã, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, trouxe uma leitura dupla: evolução na organização tática sob o comando de Pedro Emanuel, mas limitações evidentes na criação ofensiva e, principalmente, nas opções do banco de reservas.
Sem Thiago Mendes, suspenso, o técnico português optou por um meio-campo formado por Jair, Ramon Rique e Tchê Tchê. A aposta era num trio leve, capaz de movimentar-se e girar a bola com agilidade. Na prática, o jovem Ramon Rique, de 18 anos, sentiu o peso do clássico e teve atuação abaixo do esperado, cometendo falhas em fundamentos básicos. Em compensação, Jair voltou de grave lesão no joelho sem demonstrar falta de ritmo e assumiu protagonismo: no primeiro tempo, praticamente toda a lucidez vascaína vinha dos pés do camisa 8, responsável por organizar o jogo desde o campo de defesa.
O plano tático era claro: atrair o Fluminense, lançar David em profundidade e explorar a velocidade de Andrés Gómez. O colombiano chegou duas vezes no mano a mano pela esquerda, mas foi travado por Ignácio em ambas. Sem a explosão do camisa 7, o sistema ofensivo perdeu força. A equipe ainda mostra dificuldade para infiltrar no terço final do campo, apesar da definição na forma de atacar.
O Fluminense, embora também irregular tecnicamente, teve as melhores chances. Robert Renan, ao subir frequentemente para tentar desarmar John Kennedy no meio, perdeu o pivô e abriu espaços na defesa. Assim, Canobbio chegou duas vezes à área — em uma, Léo Jardim defendeu; na outra, o uruguaio desperdiçou. Foi a linha defensiva vascaína, aliás, um dos pontos a se valorizar no confronto.
O segundo tempo escancarou a urgência por reforços. Com Ramon Rique mal e Jair sentindo fisicamente o desgaste natural após longo período parado, Pedro Emanuel recorreu a Barros e Johan Rojas. Ambos vinham de atuações irregulares, e não mudaram o panorama: Rojas entrou no intervalo e teve dificuldade para progredir; Barros melhorou o combate, mas não conseguiu dar sequência às jogadas. O sistema ofensivo, consequentemente, não foi alimentado. O Vasco registrou apenas um chute na direção do gol de Fábio — fraca finalização de Adson —, além de uma cabeçada desperdiçada de Tchê Tchê em cruzamento de Paulo Henrique.
Pedro Emanuel tem demonstrado ideias claras e a defesa, apesar de falhas pontuais, merece crédito. Mas o português é vítima da demora na janela de transferências e da falta de movimentação da diretoria até aqui. A decisão da vaga acontece na próxima quarta-feira, novamente no Maracanã. Novo empate leva o confronto para os pênaltis. Nos últimos cinco jogos entre os dois clubes, o Vasco soma uma vitória, o Fluminense duas, e há dois empates.
Com informações do GE Vasco, por Sergio Santana.
## Análise Expresso98
O empate sem gols contra o Fluminense no Maracanã expôs a fotografia exata do momento vascaíno: um time que avançou taticamente sob Pedro Emanuel, mas que esbarra em limitações de elenco evidentes demais para esconder. Na 18ª posição do Brasileirão, com 21 pontos em 20 jogos e apenas cinco vitórias na competição, o Vasco segue na corda bamba entre a evolução organizacional e a fragilidade do plantel. A sequência de cinco jogos sem vitória nas últimas rodadas reflete a instabilidade — e a partida de sábado, válida pelas oitavas de final da Copa do Brasil, deixou claro que a janela de transferências travada cobra seu preço em campo. A decisão da vaga acontece na próxima quarta-feira, novamente no Maracanã, e novo empate leva o confronto para os pênaltis.
O lado positivo do confronto veio da linha defensiva, que segurou um Fluminense melhor tecnicamente e com mais chances claras — Léo Jardim salvou o Vasco em finalização de Canobbio, e a zaga conseguiu controlar boa parte das investidas tricolores. Jair, voltando de dez meses de lesão no joelho, mostrou lucidez e protagonismo no primeiro tempo, sendo praticamente o único a organizar o jogo desde o campo de defesa. A definição tática de Pedro Emanuel ficou clara: atrair o adversário, lançar David em profundidade e explorar a velocidade de Andrés Gómez. O colombiano chegou duas vezes no mano a mano pela esquerda, travado por Ignácio em ambas, mas a intenção do plano existiu — algo que o torcedor vascaíno já percebe nas últimas semanas de trabalho do técnico português.
O problema aparece quando a bola precisa chegar ao terço final e, principalmente, quando é preciso mexer no time. Ramon Rique, de 18 anos, sentiu o peso do clássico e cometeu falhas em fundamentos básicos; Jair, apesar da boa atuação, naturalmente sentiu o desgaste físico após longo período parado. As opções do banco — Barros e Johan Rojas — não mudaram o panorama: Rojas entrou no intervalo e teve dificuldade para progredir; Barros melhorou o combate, mas não conseguiu dar sequência às jogadas. O Vasco registrou apenas um chute na direção do gol de Fábio — fraca finalização de Adson — e uma cabeçada desperdiçada de Tchê Tchê. O próprio Pedro Emanuel já admitiu publicamente que falta serenidade ao time nas decisões ofensivas, especialmente nos últimos vinte metros e dentro da área. A ausência de opções de qualidade no elenco ficou escancarada no segundo tempo.
O técnico tem demonstrado ideias claras e merece crédito pela organização defensiva, mas é vítima da demora na janela de transferências e da falta de movimentação da diretoria até aqui. Santiago Sosa só será inscrito na Copa do Brasil caso o Vasco avance de fase — ou seja, não estará disponível na quarta-feira —, e outros reforços seguem sem chegar enquanto peças como Brenner e Marino Hinestroza podem sair. O empate contra o Fluminense foi honroso diante de um adversário que ocupa a 4ª posição do Brasileirão, com 34 pontos, mas a leitura fria é esta: evoluímos taticamente, mas o elenco continua curto demais para brigar em duas frentes. A decisão na próxima quarta-feira dirá se a organização de Pedro Emanuel consegue compensar, ao menos por mais noventa minutos, as limitações que ele próprio não criou.
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