Vasco enfrenta Medellín em meio a crise e portões fechados na Sul-Americana

Vasco e Independiente Medellín se enfrentam nesta quarta-feira, 22 de julho, às 19h (horário de Brasília), pelo jogo de ida dos playoffs da Copa Sul-Americana. A partida acontece no Estádio Atanasio Girardot, em Medellín, na Colômbia, mas em um cenário incomum: os portões estarão fechados ao público por determinação da Conmebol.
Segundo o ge.globo, a punição foi aplicada após os incidentes ocorridos no duelo contra o Flamengo, em maio, pela Libertadores. Na ocasião, protestos violentos contra a gestão do clube, uso de artefatos pirotécnicos e invasões resultaram no cancelamento da partida, derrota por W.O. e multas acumuladas no valor de aproximadamente R$ 510 mil. Este será o primeiro dos cinco jogos que o time colombiano fará com portões fechados como mandante.
A insatisfação da torcida do Medellín ultrapassou as arquibancadas. No dia 12 de julho, milhares de torcedores tomaram as ruas na "Marcha pela Dignidade do DIM", conforme reportado pelo ge.globo. Os protestos miraram a má gestão financeira do principal acionista, Raúl Giraldo, e os maus resultados em campo, principalmente após a eliminação no primeiro semestre do Campeonato Colombiano e a queda na fase de grupos da Libertadores. A principal cobrança é por uma venda a um novo investidor, caso não haja maiores investimentos ao departamento de futebol.
Para tentar conter a crise, o clube colombiano promoveu uma reformulação drástica no elenco, com a saída de onze jogadores e a chegada de seis novos nomes: Agustín Martegani (meia), Joaquín Varela (zagueiro), Carlos Lucumí (atacante), Juan Córdoba (ponta), Alfonso Simarra (zagueiro) e Jeison Medina (atacante). A diretoria também anunciou o ex-zagueiro Luis Amaranto Perea como novo treinador. Ídolo do clube como jogador, Perea foi auxiliar-técnico de Néstor Lorenzo na seleção colombiana durante todo o ciclo da Copa do Mundo e não segurou as lágrimas na apresentação oficial. Esta será sua estreia oficial como comandante do Medellín, justamente contra o Vasco.
Na véspera da partida, o ex-meia Fredy Guarín visitou a concentração do Vasco na Colômbia, na noite desta terça-feira. Segundo o ge.globo, o colombiano recebeu uma camisa de presente e reencontrou antigos funcionários do clube. Guarín também tirou fotos com alguns estrangeiros do atual elenco, entre eles Andrés Gómez, Cuesta, Puma Rodríguez e Spinelli. O ex-jogador atuou por um ano no Vasco, entre 2019 e 2020, com 15 jogos disputados e três gols.
Do lado vascaíno, o time chega para o confronto após derrotas em cinco dos últimos seis compromissos na temporada, de acordo com análise publicada pelo Metrópoles Esporte. O ataque carioca não conseguiu balançar as redes em três dos últimos quatro confrontos disputados, apesar do volume de jogo apresentado. O Independiente Medellín, por sua vez, sofreu apenas uma derrota nos últimos seis jogos e venceu quatro dos últimos cinco duelos disputados como mandante.
O ge acompanha todos os lances da partida em tempo real.
## Análise Expresso98
O Vasco enfrenta o Independiente Medellín nesta quarta-feira, 22 de julho, em Medellín, pelo jogo de ida dos playoffs da Sul-Americana, num cenário atípico: portões fechados por determinação da Conmebol após os graves incidentes que resultaram no cancelamento da partida contra o Flamengo pela Libertadores em maio. O clube colombiano vive sua própria crise profunda — protestos de massa nas ruas em 12 de julho cobraram mudanças na gestão, houve reformulação drástica no elenco (onze saídas, seis chegadas) e o lendário Amaranto Perea assume como técnico justamente neste confronto, sua estreia oficial no comando. Do lado vascaíno, Pedro Emanuel teve uma semana inteira de trabalho para conhecer o grupo e definiu Puma Rodríguez como titular na lateral direita, mas herda um cenário delicado: a equipe ocupa a 17ª posição no Brasileirão com 20 pontos em 19 jogos e saldo de -8, vivendo momento instável após derrotas em cinco dos últimos seis compromissos na temporada.
A favor do Cruzmaltino está o fato de que o adversário, apesar da boa sequência recente como mandante (quatro vitórias nos últimos cinco jogos em casa), chega psicologicamente abalado pela turbulência institucional e pela pressão popular que resultou na "Marcha pela Dignidade do DIM" — protestos que expuseram a má gestão financeira e cobraram venda do clube a novo investidor. Jogar sem torcida pode neutralizar parte da vantagem de atuar em Medellín, e o Vasco terá a decisão em São Januário na próxima quarta-feira, ambiente onde historicamente se fortalece em jogos eliminatórios. Pedro Emanuel também ganhou tempo para conhecer o elenco e ajustar o sistema, algo que o técnico colombiano não terá — Perea estreia sob pressão máxima, diante de um clube em reconstrução acelerada.
A preocupação, porém, é concreta: o ataque vascaíno não marcou em três dos últimos quatro confrontos disputados, apesar do volume de jogo apresentado, e o Medellín, mesmo em crise, sofreu apenas uma derrota nos últimos seis jogos — a reformulação recente trouxe seis reforços, incluindo jogadores de características ofensivas como Martegani, Lucumí, Córdoba e Medina. Mateus Carvalho, peça importante no meio-campo, é desfalque confirmado por lesão no joelho, e o momento geral do Vasco — na zona de rebaixamento do Brasileirão, com forma recente de quatro derrotas consecutivas antes da última vitória — exige cautela. A eficiência ofensiva segue como o principal gargalo técnico, e desperdiçar chances diante de um adversário fragilizado pode custar caro na volta.
A leitura do Expresso98 é de jogo aberto, equilibrado pela soma das crises. O Medellín vive convulsão institucional e técnica, mas encontrou alguma estabilidade recente em campo; o Vasco chega cambaleante nos resultados, mas com a vantagem de decidir em casa e de enfrentar um rival sem o apoio da torcida. Pedro Emanuel terá sua primeira prova de fogo: aproveitar a fragilidade emocional do adversário sem expor as próprias deficiências ofensivas. Um empate sem gols ou uma derrota por margem mínima não seria desastre — a decisão verdadeira está marcada para São Januário —, mas perder de forma larga ampliaria a pressão sobre um projeto que ainda engatinha. O Cruzmaltino precisa mostrar organização e, principalmente, voltar a marcar: sem gols, não há classificação possível.
Comentários
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!