Vasco fecha 2025 com primeiro lucro da SAF e dívida de R$ 1,09 bi
Balanço auditado mostra receita de R$ 628 milhões e lucro de R$ 81,2 milhões — primeiro resultado positivo desde a criação da SAF. Recuperação judicial foi determinante para reverter prejuízos históricos.

Em meio à boa fase esportiva na Sul-Americana, o Vasco apresentou nesta quinta-feira o balanço financeiro de 2025 — o primeiro ano completo sob a gestão de Pedrinho na SAF. O documento, divulgado no último dia do prazo estabelecido pela Lei Geral do Esporte, traz o primeiro lucro desde a criação da empresa: R$ 81,2 milhões no período entre 31 de dezembro de 2024 e 31 de dezembro de 2025. Nos três anos anteriores, o clube acumulou prejuízos que somaram R$ 325 milhões.
A receita total cresceu 18,7% em relação a 2024, atingindo R$ 628 milhões — somadas as operações cotidianas e as transações de atletas. O resultado positivo foi impulsionado pela campanha histórica na Copa do Brasil, que rendeu R$ 70 milhões em premiação, e pela venda de jogadores como Dimitri Payet e GB. Mas o fator decisivo foi a homologação da Recuperação Judicial em outubro de 2025. Segundo o Conselho Fiscal da SAF, sem o impacto contábil do processo, o clube teria registrado prejuízo de R$ 232 milhões.
O passivo total encerrou o ano em R$ 1,09 bilhão, queda modesta em relação aos R$ 1,18 bilhão de 2024. Desse montante, R$ 384,5 milhões vencem no curto prazo e R$ 711,8 milhões no longo prazo. As dívidas sujeitas ao plano de recuperação somam R$ 457,9 milhões, sendo que deságios e ajustes contábeis reduziram o valor líquido dessas obrigações para cerca de R$ 219,5 milhões. O patrimônio líquido permanece negativo em R$ 647,5 milhões.
O relatório de auditoria trouxe ressalvas em algumas rubricas — estoques, depósitos judiciais, créditos tributários, obrigações trabalhistas e salários —, justificadas pela falta de tempo hábil para conclusão integral dos procedimentos até a data de publicação. Em carta aberta, a diretoria destacou que "os avanços ao longo de 2025 indicam uma trajetória de reconstrução responsável e estruturada", apontando para um futuro mais estável. O desafio agora é transformar o resultado contábil em saúde financeira sustentável.
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