Vasco fez duas mudanças na janela; Cruzeiro lidera gastos com R$ 90 mi
Enquanto o Brasileirão parou para a Copa do Mundo, o mercado seguiu aquecido: clubes da Série A fizeram 45 contratações e 54 saídas. O Vasco trocou técnico e trouxe um reforço; Cruzeiro foi quem mais gastou no país.

Quarenta e cinco contratações e 54 saídas: o mercado de transferências brasileiro seguiu em pleno movimento durante a pausa para a Copa do Mundo, redesenhando elencos para o segundo semestre do Brasileirão 2026. O levantamento, que abrange todos os clubes da Série A, revela movimentos distintos — do pragmatismo vascaíno aos investimentos pesados do Cruzeiro, que liderou os gastos nacionais.
O clube mineiro desembolsou cerca de R$ 90 milhões para garantir Gabriel Rojas e Gabriel Pec, as duas contratações mais caras da janela no país. A dupla está regularizada e pode estrear contra o Internacional nesta quarta-feira. Do outro lado do espectro, quatro clubes não anunciaram reforços: Bragantino, Corinthians, Flamengo e Santos — os três últimos com suas respectivas estratégias de mercado.
O Flamengo concentra esforços na contratação de Thiago Almada, que disputou a Copa do Mundo pela Argentina. Já Corinthians e Santos convivem com sanções da Fifa por atrasos em pagamentos anteriores — o primeiro por dívidas envolvendo José Martínez, Charles e Talles Magno; o segundo por pendências com o Monaco relacionadas à contratação de Jean Lucas. Ambos apostam em reforços internos: o Corinthians negocia a renovação de Memphis, enquanto o Santos foca em preparação especial para Neymar.
Zagueiros e atacantes foram as posições mais buscadas no mercado, com 12 reforços em cada setor. No quesito volume de movimentações, o Mirassol liderou: sete chegadas e seis saídas, reconfigurando boa parte do elenco que disputa sua primeira temporada na elite do futebol brasileiro.
A pausa também trouxe um reforço vindo diretamente da Copa do Mundo: Jovane Cabral, que defendeu Cabo Verde em jogos contra Espanha e Argentina, assinou com o Grêmio por um ano e meio. Aos 28 anos, o atleta nascido em Assomada iniciou a carreira no Sporting, em Portugal, onde foi treinado por Jorge Jesus, antes de atuar na Itália e na Grécia. Até o momento, é o único jogador contratado por clube brasileiro que disputou o Mundial de 2026.
No comando técnico, apenas uma mudança: o Vasco aproveitou a intertemporada para substituir Renato Gaúcho pelo português Pedro Emanuel. O movimento ocorreu em momento delicado — o Cruz-Maltino ocupa a 17ª posição do Brasileirão, com 20 pontos em 19 jogos, somando cinco vitórias, cinco empates e nove derrotas. O clube também trouxe um reforço de linha: Paulinho, e registrou as saídas de Matheus França e do próprio Renato Gaúcho.
A CBF abriu janela interna extra desde 6 de julho, permitindo o registro de jogadores que já estrearam em jogos antecipados da 19ª rodada. Nesta segunda-feira, a segunda janela oficial da temporada foi inaugurada — válida até 11 de setembro —, liberando também a inscrição de atletas que estavam fora do país, como Thiago Silva (Fluminense) e o trio de estrangeiros do Bahia: Guido Herrera, Marco Moreno e Alejo Véliz.
Com mais de um mês e meio de janela pela frente, o mercado ainda promete novas movimentações. O Fluminense, por exemplo, além de Thiago Silva, anunciou a contratação de Hulk — saído do Atlético-MG, que por sua vez trouxe apenas Léo Duarte. O Palmeiras reforçou a zaga com Barboza, ex-Botafogo, enquanto o Internacional garantiu Matheus Cunha e Guillermo Maripán.
A janela revela estratégias díspares: enquanto alguns clubes investem pesado, outros aguardam oportunidades ou lidam com restrições. Para o Vasco, 17º colocado e ainda sem vencer nos últimos três jogos, a aposta em Pedro Emanuel e Paulinho representa tentativa de reverter campanha até aqui decepcionante. A retomada do Brasileirão dirá se as apostas do mercado surtirão efeito — ou se foi apenas mais uma intertemporada de promessas.
Com informações do GE Vasco.
## Análise Expresso98
O Vasco encerrou a janela de transferências da pausa para a Copa do Mundo com movimentação mínima: apenas duas mudanças no elenco — a chegada do atacante Paulinho, indicado por Pedro Emanuel, e a saída de Matheus França, que não teve o empréstimo renovado após dez meses apagados. Enquanto o Cruzeiro desembolsou R$ 90 milhões em reforços e rivais como Fluminense trouxeram nomes de peso (Thiago Silva e Hulk), o Cruz-Maltino optou pelo caminho do pragmatismo extremo. A troca no comando técnico, com a saída de Renato Gaúcho e a chegada do português Pedro Emanuel, foi o único movimento estrutural de fato — e ocorreu em momento crítico, com o clube estacionado na 17ª posição, 20 pontos em 19 jogos, cinco vitórias, cinco empates e nove derrotas, e uma sequência de quatro derrotas seguidas antes da última vitória. O técnico completa a primeira semana no cargo e ainda mapeia o elenco, enquanto a direção intensifica buscas por um zagueiro após sondar Murilo (sem interesse do Palmeiras), Diego Carlos, Vítor Tormena, Gabriel Pereira (descartado) e Rodrigo Becão — mas até aqui, nenhum acerto.
A favor, há o realismo financeiro: ao contrário de 2025, quando o clube se afundou em dívidas por contratações mal planejadas, a atual gestão evitou aventuras — o atacante Paulinho, do Toluca, foi descartado pelos R$ 1 milhão mensais de salário, e Rodrigo Aguirre, oferecido pelo Tigres sem custos de empréstimo, segue sem negociação aberta justamente pelo salário de R$ 630 mil. Pedro Emanuel também não pressionou por chegadas imediatas, preferindo avaliar o elenco antes de cravar posições. A janela segue aberta até 11 de setembro, e o técnico afirmou após a derrota para o Vitória que trabalha em conjunto com o departamento de futebol, embora sem compartilhar detalhes publicamente. Tecnicamente, o português pode trazer mudanças táticas e de esquema, como indicou para o duelo contra o Independiente Medellín pela Copa Sul-Americana.
O que preocupa é a desproporção entre a necessidade urgente e a resposta tímida. O Vasco ocupa a zona de rebaixamento, com saldo de gols negativo (-8) e uma sequência recente de quatro derrotas seguidas antes da única vitória nos últimos cinco jogos. A defesa segue sem reforço concreto — Diego Carlos é hoje o único alvo mantido na lista, mas não há negociação avançada —, e o ataque ganhou apenas Paulinho, num setor que também precisa de camisa nove (Rodrigo Aguirre segue no radar, mas sem movimento). Andrés Gómez ficou fora dos onze iniciais por tempo prolongado longe dos treinos após a Copa do Mundo, e Matheus França saiu sem que o clube tentasse renovar o empréstimo, mesmo que o meio-campista não tenha se destacado. Enquanto rivais diretos na luta contra o rebaixamento se mexeram, o Vasco apostou em contenção — estratégia que pode ser sábia no longo prazo, mas que traz risco imenso no curto, com 19 rodadas ainda pela frente e o fantasma da Série B rondando São Januário.
A leitura do Expresso98 é de que o clube optou pelo mal menor: não repetir os erros de 2025 e evitar endividamento insustentável. Mas a prudência, sozinha, não tira o Vasco da 17ª posição. Pedro Emanuel terá de fazer milagre tático com um elenco que segue incompleto, enquanto a janela avança e os concorrentes se reforçam. A intertemporada trouxe uma promessa de recomeço — resta saber se será apenas mais uma, ou se o português conseguirá transformar contenção financeira em reação dentro de campo. O próximo mês e meio de mercado dirá se a cautela foi virtude ou paralisia — e se o Vasco de 2026 será capaz de evitar o destino que tanto teme.
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