Vasco não paga R$ 4,12 mi da CNRD, descumpre acordo e transfer ban bate à porta na segunda-feira

O Vasco não depositou a primeira parcela de R$ 4,12 milhões prevista no acordo homologado pela CNRD e tem até segunda-feira para comprovar o pagamento. Caso não prove, a SAF sofre transfer ban imediato e fica impedida de registrar novos atletas.

Vasco bandeira São Januário

O Vasco não depositou a primeira parcela de R$ 4,12 milhões no prazo previsto e descumpriu o acordo recentemente homologado na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), órgão da CBF. A quantia era equivalente aos meses de janeiro a agosto de 2026 e deveria ter sido paga até a última terça-feira, dia 25.

A decisão da CNRD foi publicada no dia 10 de agosto. O acordo estabelece que o clube precisa comprovar nos autos os pagamentos realizados em até cinco dias após cada vencimento. O prazo se encerra na próxima segunda-feira.

Caso o Vasco não comprove o pagamento até lá, sofrerá transfer ban imediato — a sanão de proibição de registro de novos atletas. A própria decisão da CNRD autoriza a relatoria a aplicar a medida de forma imediata, sem necessidade de novo julgamento. Para o Expresso98, o risco é concreto: com a SAF em negociação de venda para o grupo Almirante Participações e a liberação do empréstimo DIP de R$ 150 milhões ainda travada na Justiça, o descumprimento do acordo coloca o clube a três dias úteis de uma sanção que inviabilizaria qualquer reforço na janela de transferências, que se encerra em 2 de setembro.

"Caso o VASCO SAF não prove o cumprimento da obrigação no prazo acima estabelecido, em respeito à economia processual e celeridade, por unanimidade, o painel julgador autoriza a relatoria a, monocraticamente, aplicar a sanção de proibição de registro de novos atletas ao VASCO SAF, na forma do art. 56, § 3º, III, do RCNRD, de forma imediata", diz o texto.

Ao todo, são mais de R$ 110 milhões em dívidas com credores, distribuídas em três planos coletivos em disputa na CNRD. Pelo acordo homologado, o Vasco terá que pagar R$ 15 milhões por ano e destinar 10% da receita bruta de todas as premiações de competições da CBF e da Conmebol para quitar os débitos. Os valores serão atualizados anualmente a cada mês de outubro, considerando o IPCA dos últimos 12 meses.

A situação financeira do clube é delicada. A SAF aguarda a liberação do empréstimo DIP de R$ 150 milhões, ainda em análise pela Justiça. Há temor no clube sobre a capacidade de honrar os pagamentos com funcionários e com os vencimentos da Recuperação Judicial caso o dinheiro não seja liberado. O que o Expresso98 enxerga é um impasse que escancara a fragilidade do caixa: a própria direção alegou recentemente que o Vasco teria recursos apenas até 31 de agosto, e o prazo para comprovar o depósito na CNRD se encerra justamente na segunda-feira, 30 — um dia antes do fim da margem declarada.

O Vasco alega que precisa de R$ 83 milhões até 31 de agosto para honrar pagamentos. Na última semana, a SAF entrou com um agravo na Justiça do Rio de Janeiro contra a decisão que condicionou a análise de novos endividamentos superiores a R$ 5,9 milhões — incluindo o empréstimo DIP de R$ 150 milhões.

A leitura do Expresso98 é que o clube está no limite do calendário e da capacidade de manobra: sem caixa confirmado, com a liberação do empréstimo pendente e sob o risco iminente de transfer ban, o Vasco entra no fim de semana decisivo dependendo de uma corrida contra o relógio que envolve Justiça, credores e a janela de transferências que se fecha três dias depois.

O ge.globo procurou o Vasco, que não havia se manifestado até a publicação da reportagem original.

Com informações do ge.globo, por Raphael Zarko.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 28 de agosto de 2026

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