Vasco pede à Justiça autorização para vender 90% de nova SAF com aporte mínimo de R$ 500 milhões

O Club de Regatas Vasco da Gama e a Vasco SAF protocolaram na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro um pedido de autorização para iniciar o processo competitivo de venda de 90% das ações de uma Nova SAF, sociedade que concentrará os ativos do futebol. A operação prevê a criação de uma Nova SAF, a transferência dos ativos esportivos da atual Vasco SAF para essa nova empresa e, posteriormente, a venda de 90% do seu capital através de um processo competitivo que permitirá que outros investidores apresentem propostas.
Segundo o NetVasco, a SAF ainda não foi vendida. O pedido apresentado à Justiça busca apenas autorização para iniciar o processo competitivo. A venda dependerá da escolha da proposta vencedora, da homologação judicial e do cumprimento das condições previstas no Acordo de Investimentos. A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro publicou o edital para a alienação judicial da chamada UPI Equity, unidade produtiva isolada que representa 90% das ações da nova Sociedade Anônima do Futebol.
A proposta de referência prevê um aporte obrigatório de R$ 500 milhões, dividido em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, entre 2026 e 2030, corrigidas pelo INPC. Além disso, o investidor deverá aplicar R$ 120 milhões no CT do futebol profissional ao longo de dez anos e R$ 30 milhões na infraestrutura das categorias de base em apenas dois anos. O investidor também deverá prestar auxílio financeiro para o cumprimento das obrigações da Recuperação Judicial. Somando apenas os investimentos diretos previstos no edital, a operação alcança pelo menos R$ 650 milhões.
A Almirante Participações e Empreendimentos S.A., de Marcos Lamacchia, foi indicada como Stalking Horse Bidder, ou seja, a investidora que apresentou a proposta-base da operação. Isso não significa que a empresa já tenha adquirido a SAF. Outros interessados poderão apresentar propostas e a Almirante terá o direito de igualar a melhor oferta válida, conforme as regras do edital. A empresa já assinou um contrato vinculante com Vasco e SAF. Caso outro investidor vença a disputa e a operação seja concluída, a Almirante receberá uma compensação financeira de R$ 50 milhões.
Entre as obrigações previstas na proposta estão buscar incentivos fiscais para o clube que podem chegar a R$ 150 milhões em dez anos, manter os recursos da SAF exclusivamente direcionados ao futebol, não distribuir dividendos aos acionistas durante dez anos, com toda eventual receita sendo reinvestida na operação, e manter a participação adquirida por pelo menos dez anos. O documento também trata do financiamento DIP. Caso a Almirante seja a vencedora, o crédito do empréstimo, originalmente de aproximadamente R$ 82,8 milhões, será convertido em capital da Nova SAF. Se outro investidor vencer o processo competitivo, esse crédito deverá ser quitado integralmente como condição para o fechamento da operação.
Na petição, Vasco e Vasco SAF justificam o pedido de urgência afirmando que enfrentam restrições de liquidez e sustentam que a rápida entrada dos recursos é essencial para cumprir o Plano de Recuperação Judicial, honrar compromissos com credores, reforçar o elenco na atual janela de transferências e reduzir os riscos esportivos e financeiros de um eventual rebaixamento. O processo será realizado por meio de propostas fechadas, com a organização da Administração Judicial Conjunta.
## Análise Expresso98
O Vasco deu um passo institucional de enorme peso ao protocolar na Justiça o pedido para estruturar a venda de 90% de uma Nova SAF, com aporte mínimo garantido de R$ 500 milhões e compromissos que, somados investimentos diretos em futebol profissional e base, alcançam pelo menos R$ 650 milhões. A operação não está concluída — ainda depende de autorização judicial, processo competitivo e homologação —, mas o movimento sinaliza que a direção finalmente encontrou um caminho para desatar o nó financeiro que paralisa o clube há anos. A Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, surge como proposta-base (stalking horse), e o edital abre concorrência para que outros investidores apresentem ofertas superiores, o que pode elevar ainda mais o aporte. Em campo, o Cruzmaltino vive momento delicado, na 17ª posição do Brasileirão com 20 pontos em 18 jogos, mas a perspectiva de injeção rápida de capital — citada como urgente pelo próprio clube — acende a esperança de reforços ainda na janela e de blindagem contra o rebaixamento.
O que joga a favor do Vasco é a combinação de escala, estrutura e horizonte de longo prazo. Os R$ 500 milhões de aporte obrigatório, divididos em cinco parcelas anuais corrigidas pelo INPC, garantem receita previsível até 2030; os R$ 120 milhões para o CT do profissional em dez anos e os R$ 30 milhões para a base em apenas dois anos mostram compromisso com as categorias de formação — há décadas negligenciadas. A proibição de distribuir dividendos por dez anos e a obrigação de manter a participação pelo mesmo período criam um ambiente de reinvestimento contínuo, afastando o fantasma da especulação de curto prazo. O processo competitivo, por sua vez, pode elevar a oferta além da proposta-base, e a previsão de auxílio financeiro para a Recuperação Judicial alivia a pressão sobre credores. A diretoria já reconhece a urgência de pelo menos dois reforços — zagueiro de estatura e primeiro volante — além de Deossa, e a perspectiva de sinal verde por maior investimento durante a janela, condicionada ao fechamento do acordo, coloca o Vasco em posição de disputar o mercado com outra realidade. O fato de Lamacchia ter enviado garantias bancárias ao Betis por Deossa e de estar disposto a ajudar à distância até a assinatura do contrato mostra que o investidor entende a emergência esportiva e age proativamente.
O que preocupa é o risco do timing e a complexidade do processo. A operação ainda precisa de autorização judicial, homologação e cumprimento de condições — e nada disso é instantâneo. O Vasco joga contra o Vitória fora de casa no próximo compromisso, dentro de um calendário que não dá trégua, e a classificação atual (17º, saldo negativo de sete gols, forma recente de três derrotas consecutivas, um empate e uma vitória) coloca o clube a um tropeço de se aproximar ainda mais da degola. A urgência citada na petição — liquidez restrita, necessidade de reforços na janela, cumprimento do Plano de Recuperação Judicial — é real, mas a Justiça tem ritmo próprio. Caso outro investidor vença o processo competitivo, será necessário quitar integralmente o crédito DIP (cerca de R$ 82,8 milhões), o que pode adicionar etapas e atrasar o desembolso; se a Almirante vencer, o crédito será convertido, simplificando o caminho. A nomeação de Athos Neves como watchdog — com poder de monitorar governança, finanças e comunicar à Justiça qualquer negociação acima de R$ 5 milhões — adiciona camada de controle que, embora necessária para credibilidade, pode engessar decisões emergenciais. E a saída iminente de Hugo Moura para a Arábia Saudita, com negociação encaminhada, enfraquece o meio-campo justamente quando o técnico Pedro Emanuel precisa de estabilidade para fazer o time reagir.
A leitura do Expresso98 é de que o Vasco finalmente colocou na mesa um projeto robusto, estruturado e de longo prazo — algo que o clube não via há décadas. A escala do aporte, a blindagem contra especulação, o compromisso com base e profissional, a abertura para concorrência e
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