Vasco pede fim de intervenção e acusa medida de causar paralisia
Clube protocolou pedido na Justiça nesta quarta-feira para revogar decisão que determinou intervenção na SAF. Documento argumenta que medida provocou 'paralisia institucional sem precedentes' e comprometeu janela de transferências.

O Vasco da Gama protocolou nesta quarta-feira uma manifestação judicial solicitando a revogação integral da decisão que determinou a intervenção na SAF cruzmaltina. O pedido, fundamentado em artigos do Código de Processo Civil, da Lei de Arbitragem e da Lei de Recuperação Judicial, argumenta que a medida produziu efeito diametralmente oposto ao pretendido, causando o que o clube classifica como uma "paralisia institucional sem precedentes".
A petição apresenta quatro pontos centrais de solicitação. O primeiro requer o restabelecimento dos três membros do Conselho de Administração da Vasco SAF que foram afastados pela decisão judicial: Pedro Paulo de Oliveira, Christiano Borges Stockler Campos e Felipe Passos Elias. O segundo ponto solicita que sejam restabelecidas as prerrogativas plenas do CRVG, como acionista controlador provisório investido por decisão transitada em julgado, de recompor a administração da SAF e praticar os atos societários próprios de sua condição.
O terceiro item pede o cancelamento dos efeitos da nomeação da interventora judicial — providência que o clube classifica como "puramente declaratória" após a renúncia apresentada em 30 de junho de 2026. O quarto e último ponto requer a supressão da condicionante que subordina à anuência da 777 Carioca qualquer alienação das ações da Vasco SAF.
No documento, a assessoria jurídica vascaína detalha as consequências práticas da intervenção sobre a governança corporativa. Segundo a petição, o afastamento de três conselheiros deixou apenas um membro em exercício no Conselho de Administração, inviabilizando o quórum necessário para deliberações. Simultaneamente, o CRVG estaria impedido de indicar novos integrantes por força da própria decisão judicial, criando um impasse administrativo que travou a estrutura de governança da empresa.
O clube sustenta ainda que a medida comprometeu diretamente negociações em andamento durante a janela de transferências e dificultou o processo de busca por um novo investidor para a SAF. A manifestação cita relatório elaborado pela própria interventora, segundo o qual a venda da sociedade constitui um interesse comum do CRVG, da 777, de funcionários e da torcida vascaína.
O impacto sobre o mercado de transferências ganhou contornos concretos. Conforme noticiado na última terça-feira, o Vasco tinha acordos encaminhados para contratar Franclim Carvalho e Nelson Deossa, mas as negociações não se concretizaram por falta de segurança jurídica das partes envolvidas.
A petição aponta ainda o que classifica como contradição na decisão judicial: a exigência de anuência da 777 Carioca para eventual alienação da SAF enquanto os direitos políticos da empresa seguem suspensos. Para o clube, a medida cria um paradoxo jurídico que inviabiliza movimentos estratégicos fundamentais para a gestão da sociedade anônima do futebol.
Além da reconsideração da decisão de intervenção, o Vasco formula pedido adicional relacionado à representação legal da 777 Carioca no processo. O clube solicita que a Justiça determine que a empresa comprove documentalmente os poderes de representação de Mark Shapiro, signatário da procuração apresentada nos autos. Segundo a manifestação vascaína, os documentos juntados até o momento não seriam suficientes para demonstrar a legitimidade da representação da empresa estrangeira.
O pedido de revogação chega em momento crítico para o planejamento cruzmaltino. O clube corre contra o tempo para viabilizar contratações na janela de transferências e avançar nas conversas com potenciais investidores, em um cenário no qual a indefinição jurídica sobre a governança da SAF se apresenta como principal obstáculo operacional.
Agora, cabe à Justiça analisar os argumentos apresentados pelo CRVG e decidir se revoga, mantém ou modifica a decisão que determinou a intervenção na Vasco SAF. A resposta judicial será determinante para definir os rumos administrativos e esportivos do clube nas próximas semanas.
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