Vasco pressiona Betis por Deossa enquanto comissão espanhola tenta segurar jogador

O Vasco intensifica a pressão sobre o Real Betis para concluir a contratação do meia colombiano Nelson Deossa nesta semana, enquanto a comissão técnica do clube espanhol trabalha nos bastidores para convencer o jogador a permanecer na Europa. A novela que se arrasta há mais de um mês segue sem desfecho, gerando incômodo internamente em São Januário.
Segundo o ge.globo, a direção vascaína entende que já cumpriu sua parte na negociação. O Vasco chegou a um acordo com o Betis, apresentou as garantias financeiras exigidas e também tem um acerto verbal com o jogador. A oferta é de um empréstimo com obrigação de compra de 10 milhões de euros que, com bônus, pode chegar a 12 milhões de euros. Internamente, o sentimento ainda é de otimismo pela contratação do colombiano.
No entanto, o clube espanhol tem colocado a direção vascaína em espera. O técnico Manuel Pellegrini segue utilizando Deossa na pré-temporada europeia, tendo inclusive relacionado o meia para mais um amistoso, desta vez contra o Lyon, em jogo realizado na quarta-feira. O treinador chileno tem testado o colombiano até como centroavante.
O jornalista Joel Silva, do NewsColina, informou que recebeu uma informação de que o Vasco havia desistido de Deossa, mas não conseguiu confirmar. Ao entrar em contato com o staff do volante, foi informado que o jogador tem vontade de jogar no Vasco, mas vem recebendo elogios da comissão técnica espanhola.
A situação financeira do Betis adiciona pressão à negociação. O presidente Ángel Haro admitiu na última sexta-feira que o clube tem prejuízos e precisa recorrer a ganhos de capital. "Somos tão ambiciosos quanto podemos ser, mas o que não podemos esquecer é que precisamos equilibrar as contas usando os ganhos de capital", declarou Haro, que mencionou Deossa como um jogador com mercado forte, apesar de não ter correspondido às expectativas na última temporada.
Segundo o ge, o presidente espanhol afirmou que há clubes dispostos a oferecer "quantias significativas" por Deossa, mas nenhum chegou às cifras apresentadas pelo Vasco nesta negociação.
Enquanto aguarda a definição por Deossa, o diretor executivo Admar Lopes está na Argentina para finalizar a operação com o Racing pela contratação do volante Santiago Sosa. O clube tenta concretizar as duas negociações nesta semana. Deossa e Sosa são considerados jogadores capazes de elevar o nível da equipe e faziam parte da primeira prateleira de reforços mapeados pelo departamento de futebol. A ideia é mudar o patamar do meio-campo vascaíno, com Sosa trazendo marcação e intensidade, enquanto Deossa acrescentaria mobilidade, dinâmica e poder de finalização.
## Análise Expresso98
A novela Deossa completa mais de um mês sem desfecho e expõe um cenário desconfortável: o Vasco cumpriu sua parte — acertou valores com o Betis (empréstimo com obrigação de compra que pode chegar a 12 milhões de euros), apresentou garantias financeiras e tem acordo verbal com o jogador —, mas o clube espanhol segue em silêncio enquanto a comissão técnica de Manuel Pellegrini insiste em segurar o colombiano na pré-temporada, até testando-o como centroavante. A situação gera incômodo em São Januário, onde a expectativa era de resolução rápida para um alvo considerado de primeira prateleira, ao lado de Santiago Sosa, já contratado por 7 milhões de dólares. O contexto é claro: o Vasco precisa qualificar o meio-campo com urgência — está em 16º no Brasileirão, com 20 pontos em 19 jogos e sequência de quatro derrotas consecutivas — e Deossa traria justamente mobilidade, dinâmica e poder de finalização que faltam ao time de Pedro Emanuel.
A favor do Cruzmaltino pesam três elementos. Primeiro, a proposta apresentada é a mais robusta que o Betis tem sobre a mesa — o presidente Ángel Haro admitiu publicamente que o clube precisa de ganhos de capital para equilibrar as contas e que, embora haja "quantias significativas" em jogo, nenhuma oferta chegou perto dos números vascaínos. Segundo, o jogador tem vontade de vir, segundo seu próprio staff, o que mantém a negociação viva mesmo diante dos elogios que recebe na Espanha. Terceiro, internamente ainda há otimismo pela contratação, sinal de que a diretoria segue confiante em sua estratégia e nos bastidores da operação — a postura é de quem entende ter feito o dever de casa e aguarda a contrapartida.
A preocupação é dupla e concreta. A demora do Betis não é mero trâmite burocrático: Pellegrini vem usando Deossa na pré-temporada, inclusive relacionando-o para amistosos, o que indica hesitação real da comissão técnica espanhola em liberar o colombiano. Esse impasse se prolonga justamente quando o Vasco mais precisa de reforços — a sequência de quatro derrotas e a proximidade do jogo de volta das oitavas da Sul-Americana contra o Independiente Medellín, em casa, no dia 29, pressionam o calendário. Além disso, circulou informação de desistência vascaína que, embora não confirmada, evidencia o desgaste e a incerteza que rondam a operação. O risco é claro: arrastar a novela pode tanto deixar o clube sem o reforço quanto expor fragilidade na capacidade de fechar negociações complexas.
A leitura do Expresso98 é de que o Vasco fez o necessário e agora vive um teste de paciência e poder de fogo. A oferta é sólida, a necessidade do Betis por caixa é pública e o desejo do jogador está posto — mas a resistência da comissão técnica espanhola adiciona camada de imprevisibilidade que foge ao controle da diretoria vascaína. O paralelo com Sosa, negociação fechada rapidamente com o Racing, mostra que o departamento de futebol tem capacidade de execução quando o interlocutor é objetivo. Aqui, porém, o Cruzmaltino depende de uma decisão institucional do Betis que tarda. A semana será definidora: ou o clube espanhol prioriza o caixa e libera Deossa, ou o Vasco precisará virar a página e reorientar o planejamento para o meio-campo — algo que, dado o momento na tabela e a urgência por resultados, seria um revés significativo na montagem do elenco de Pedro Emanuel.
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