Vasco presta contas dos R$ 40 mi e Fred Luz avisa: sem DIP de R$ 150 mi, clube para dia 20

Vasco presta contas dos R$ 40 mi e Fred Luz avisa: sem DIP de R$ 150 mi, clube para dia 20

O Vasco informou à Justiça nesta quarta-feira que já consumiu integralmente os R$ 40 milhões líquidos do financiamento DIP contratado junto à Almirante e reforçou a urgência para obter autorização para um novo empréstimo de até R$ 150 milhões. A manifestação foi apresentada no processo de recuperação judicial em cumprimento a uma determinação da 4ª Vara Empresarial do Rio, que travou o empréstimo de R$ 150 milhões pedido pelo Vasco.

Segundo o clube, os R$ 40 milhões foram utilizados em diferentes frentes: pagamento da folha salarial, impostos vencidos e obrigações relacionadas à recuperação judicial, incluindo pagamentos a credores trabalhistas. Parte dos recursos também foi utilizada para quitar obrigações de planos de pagamento coletivo trabalhista e cível em andamento na Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF. Além disso, o Vasco utilizou o dinheiro em despesas relacionadas à operação do futebol, incluindo contratação de atletas, bônus e luvas contratuais. Para o Expresso98, a prestação de contas detalha um ciclo que se repete: o clube consome os recursos rapidamente para cobrir tanto obrigações correntes quanto investimentos no futebol, mas a dependência de novos aportes para manter a operação evidencia a fragilidade do fluxo de caixa mesmo após os sucessivos empréstimos DIP desde o início da gestão Almirante.

O CEO da SAF do Vasco, Fred Luz, afirmou ao ge que o empréstimo de até R$ 150 milhões é fundamental não apenas para reforçar o elenco nesta janela de transferências, mas também para garantir o cumprimento de compromissos financeiros nos próximos meses. Segundo Fred Luz, sem o dinheiro, o Vasco corre o risco de ter dificuldades para realizar pagamentos a atletas, agentes, clubes, tributos e credores sujeitos à recuperação judicial.

"Pelas nossas projeções, a partir do próximo dia 20, sem esses recursos, vamos enfrentar uma situação extremamente delicada de caixa. Isso pode resultar no não pagamento de compromissos com atletas, agentes, clubes, tributos e dívidas sujeitas à recuperação judicial, o que pode acarretar em multas, desenquadramento no sistema de sustentabilidade financeira da CBF, na não consolidação da nova transação tributária, e transfer ban", disse o CEO. "Portanto, não estamos falando apenas de contratações. Estamos falando da capacidade de cumprir compromissos que já estavam assumidos e previstos."

O pedido de empréstimo DIP de R$ 150 milhões foi travado pela Justiça. A juíza responsável pelo processo de recuperação judicial decidiu aguardar um relatório parcial de uma auditoria solicitada pela 777 Partners antes de analisar a liberação dos recursos. O Vasco respeita a decisão, mas avalia apresentar um agravo ou um pedido de reconsideração. A leitura do Expresso98 é que o travamento pela Justiça, embora respeite o rito processual e a necessidade de escrutínio sobre a gestão financeira da SAF, cria uma tensão de calendário: com o clube alegando que o limite de caixa se esgota no dia 20 e a janela de transferências encerrando em breve, o tempo para viabilizar qualquer reforço ou mesmo honrar os compromissos correntes fica cada vez mais apertado, colocando a diretoria entre a espera pelo trâmite judicial e a urgência operacional.

Fred Luz reforçou que o empréstimo já fazia parte do planejamento financeiro da SAF e que a necessidade de recursos era conhecida pelos órgãos que acompanham o processo de recuperação judicial. "Esse empréstimo de R$ 150 milhões não surgiu agora. Ele já estava previsto dentro do nosso planejamento financeiro para atender às necessidades imediatas do Vasco: garantir o fluxo de caixa, honrar os compromissos correntes e a folha, cumprir os pagamentos previstos na Recuperação Judicial e também permitir que o clube faça os investimentos necessários para reforçar o futebol nesta janela."

Na prestação de contas, o clube apresentou os comprovantes de destinação dos recursos remanescentes do primeiro DIP e informou que a documentação foi encaminhada à Administração Judicial, ao watchdog e ao gatekeeper responsáveis pelo acompanhamento do processo. O dirigente também afirmou que o Administrador Judicial já havia se manifestado favoravelmente ao novo financiamento e que as prestações de contas referentes aos empréstimos DIP anteriores foram entregues ao juízo e aos auxiliares responsáveis pelo acompanhamento do processo.

O time está na 19ª posição do Campeonato Brasileiro e precisa de recursos para arcar com entradas em contratos e outros compromissos na janela de transferências. Caso não haja sucesso e o dinheiro permaneça o mesmo, a diretoria terá que explorar um mercado que não estava sendo muito olhado até agora: os jogadores livres no mercado e oportunidades por empréstimo. O cenário que o Expresso98 enxerga é de aperto: o clube ocupa a 19ª posição com 22 pontos em 22 jogos disputados, vindo de dois empates e três derrotas nos últimos cinco jogos, e sem margem financeira pode ver a janela fechar sem os reforços que considera necessários para sair da zona de rebaixamento, restando apenas o mercado de oportunidades e jogadores sem custos de transferência — um recuo em relação ao planejamento inicial de investimento.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 19 de agosto de 2026

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