Vasco protocola agravo de instrumento no TJ-RJ para reverter intervenção na SAF

Uma semana após a renúncia de Samantha Mendes Longo do cargo de interventora da SAF do Vasco, o clube protocolou nesta segunda-feira um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para tentar suspender a decisão que afastou Pedrinho e outros dois membros do Conselho de Administração da SAF. A medida judicial, proferida pela 4ª Vara Empresarial no último dia 22 de junho, também instituiu uma intervenção judicial no clube. Segundo o ge.globo, o Vasco pede a suspensão imediata dos efeitos da decisão.
O principal argumento da defesa vascaína é que as discussões envolvendo controle societário e governança da SAF já estão submetidas ao procedimento arbitral instaurado na Câmara de Arbitragem da FGV. Segundo o recurso, cabe aos árbitros deliberar sobre medidas relacionadas à estrutura societária, e não à Justiça comum. O clube também questiona o procedimento adotado pela Justiça na concessão da tutela de urgência, sustentando que os administradores afastados não foram previamente ouvidos e que a decisão foi baseada em elementos que deveriam ser submetidos ao contraditório.
Em ambos os documentos protocolados — o agravo e um pedido anterior de revogação da decisão —, o Vasco cita que a intervenção provocou uma "paralisia estrutural" e uma crise institucional. O clube fundamentou parte da defesa no relatório feito pela própria interventora Samantha Mendes Longo, protocolado junto à carta de renúncia após apenas seis dias no cargo, em que foi redigido que há uma "estrutura de gestão adequada para a condução da Companhia", apenas com falhas pontuais na governança. Samantha alegou problemas na segurança pessoal para deixar o cargo.
O recurso atribui à intervenção a crise institucional vivida pela companhia nos últimos dias. O Vasco cita nominalmente a renúncia da própria Samantha Mendes Longo, a saída coletiva dos integrantes do Conselho Fiscal da SAF — Marco Schroeder, David Tavares Nunes e Carlos Antonio Rodrigues Jorge, que apresentaram renúncia coletiva no último dia 31 — e os pedidos de desligamento de vice-presidentes do clube. José Luiz Trinta, Vice-Presidente de Integração, e Luis Guedes, VP de Engenharia e Obra, também deixaram seus respectivos cargos. No documento, o clube afirma que a intervenção inviabilizou o funcionamento do Conselho de Administração: com o afastamento de três conselheiros, restou apenas um membro em exercício, sem quórum para deliberações, enquanto o CRVG está impedido de indicar novos integrantes por força da própria decisão judicial.
Um detalhe importante no relatório da interventora foi a identificação de um quarto membro que compõe o Conselho de Administração da SAF ao lado dos três membros afastados: Alexandre Cordeiro, VP de Relações Institucionais do Vasco, empossado no Conselho no último dia 10 de maio. Com a saída de Samantha, a Justiça determinou que o comando da SAF do Vasco, em caráter emergencial, seria conduzido pela advogada Adriana Campos Conrado Zamponi e justamente por Alexandre Cordeiro, até nova deliberação do juízo que assumirá o caso.
O processo ganhou novos capítulos na última sexta-feira, quando a juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca, que havia nomeado a intervenção na SAF, declarou-se suspeita para seguir a condução do processo, depois da "identificação de fatos supervenientes que comprometeriam sua permanência no caso". Em novo despacho protocolado nesta segunda-feira, o juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira também declarou-se impedido para julgar o caso. O processo será encaminhado para a 6ª Vara Empresarial, que passará a decidir os próximos passos da ação.
Segundo o NetVasco, o desembargador César Felipe Cury será o responsável por julgar o agravo de instrumento interposto pelo Vasco. Trata-se do mesmo magistrado que, em maio de 2024, rejeitou o recurso da 777 Partners quando a empresa foi afastada da gestão da SAF por Pedrinho e seus pares. Agora, o próximo passo será a análise do pedido de efeito suspensivo pelo Tribunal de Justiça do Rio, que poderá manter ou derrubar provisoriamente a intervenção na SAF. Na sequência, a 777 Carioca será intimada para apresentar sua defesa antes do julgamento do mérito do recurso pelo colegiado.
Paralelamente aos desdobramentos jurídicos, o Vasco enfrenta mais uma baixa em sua defesa judicial. Segundo o NetVasco, o Salomão Advogados comunicou ao clube que não seguirá representando o Vasco em processos judiciais. Um dos sócios da banca é Paulo Cesar Salomão Filho, ex-vice-presidente do Vasco que deixou o cargo no fim de 2025, após ser nomeado desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. O Vasco sustenta que a intervenção comprometeu negociações importantes em meio à janela de transferências e dificultou o processo de conclusão da venda da SAF para Marcos Lamacchia.
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