Vasco protocola pedido de empréstimo DIP de R$ 40 milhões para manter operações

Vasco protocola pedido de empréstimo DIP de R$ 40 milhões para manter operações

O Vasco protocolou neste sábado um pedido à Justiça do Rio de Janeiro para contratar um empréstimo DIP (Debtor-in-Possession) de R$ 40 milhões. Segundo informações do Lance!, o valor será destinado à manutenção das operações da Vasco SAF durante o processo de recuperação judicial, garantindo o funcionamento do clube e o cumprimento de obrigações essenciais, como pagamento de funcionários e fornecedores.

Conforme revelou o ge.globo, o empréstimo será concedido pela Almirante S/A, empresa de Marcos Lamacchia, empresário que possui negociações avançadas para assumir a SAF do Vasco. Se aprovado, o dinheiro cairá de forma integral e em parcela única, sem juros remuneratórios. O valor será diluído do total do aporte que Lamacchia fará quando assumir a SAF — ao todo, o investimento total passará de R$ 3 bilhões.

O empréstimo DIP é uma modalidade exclusiva para empresas em recuperação judicial, destinada a injetar capital novo para garantir a continuidade das operações. Os R$ 40 milhões solicitados representam apenas uma parte do planejamento financeiro elaborado pela diretoria. Ao longo deste ano, o Vasco pretende contratar um financiamento DIP de aproximadamente R$ 200 milhões, e o valor solicitado agora será abatido do montante total previsto.

Segundo informações do Lance!, a estratégia foi adotada para conter os efeitos causados pela liminar que afastou o presidente Pedrinho do Vasco. Na avaliação do clube, a decisão provocou insegurança jurídica e dificultou o avanço de negociações consideradas importantes, levando a diretoria a buscar uma solução emergencial para garantir a continuidade das atividades da SAF.

Conforme destacou o ge.globo, a solicitação à Justiça prevê que "os valores desembolsados no âmbito do Novo financiamento DIP poderão ser compensados com os aportes previstos no acordo de investimentos celebrado com o CRVG, permitindo que parcela dos recursos destinados à capitalização da Vasco SAF seja antecipada para o momento em que se mostra mais necessária à preservação de suas atividades".

Paralelamente ao pedido de empréstimo, o Vasco também tenta derrubar a liminar que afastou seus dirigentes. No início do mês, o clube apresentou um agravo de instrumento ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No recurso, a diretoria defende que a arbitragem, e não a Justiça comum, deve analisar as questões relacionadas à governança da SAF. O Vasco também argumenta que a Justiça tomou a decisão sem ouvir previamente os dirigentes afastados.

## Análise Expresso98

O pedido de empréstimo DIP de R$ 40 milhões protocolado pela Vasco SAF neste sábado expõe a fragilidade do momento institucional do clube. A recuperação judicial, que deveria estar em ritmo de cumprimento do plano aprovado, enfrenta agora o impacto direto da liminar que afastou o presidente Pedrinho e os demais membros do conselho de administração — movimento que, segundo a própria diretoria, provocou insegurança jurídica e travou negociações essenciais. A necessidade de recorrer a financiamento emergencial para manter operações básicas, como pagamento de funcionários e fornecedores, evidencia que a SAF caminha na corda bamba enquanto aguarda tanto o julgamento definitivo do agravo quanto a conclusão do processo de venda a Marcos Lamacchia, que seu próprio advogado já admitiu não se concluir em 2026.

A favor do Vasco pesa o fato de o empréstimo vir sem juros remuneratórios e direto da Almirante S/A, empresa do futuro investidor, o que sinaliza alguma confiança de Lamacchia na continuidade do negócio mesmo em meio ao caos judicial. O valor será abatido do aporte total previsto de mais de R$ 3 bilhões, funcionando como antecipação de capital em momento crítico. Além disso, o clube estruturou o mecanismo de UPI Equity previsto no plano de recuperação, blindando juridicamente a venda das ações da SAF livre de obrigações anteriores — uma trava de segurança que pode destravar o processo caso a Justiça autorize. O pedido de agravo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro também mantém aberta a porta para reversão do afastamento dos dirigentes, argumento ancorado na defesa de que a arbitragem, e não a Justiça comum, deveria julgar questões de governança da SAF.

Do outro lado, a situação preocupa pela extensão da crise institucional e pelos prazos cada vez mais apertados. A Administração Judicial da recuperação cobrou em janeiro a regularização da governança, apontando pendências nas demonstrações financeiras de 2024 e 2025, atas societárias não registradas na Junta Comercial e a ausência total de membros no Conselho Fiscal desde a renúncia coletiva. A SAF prometeu convocar Assembleia Geral em até dez dias para corrigir essas falhas, mas o calendário aperta enquanto o clube opera em modo de emergência, dependente de capital de terceiros para honrar compromissos corriqueiros. O empréstimo de R$ 40 milhões representa apenas um quinto do financiamento DIP de aproximadamente R$ 200 milhões previsto para este ano — ou seja, o problema não termina aqui. Além disso, a indefinição sobre os 33% das ações da SAF segue travada no tribunal arbitral, e a própria viabilidade do projeto de nova arena depende de etapas sucessivas que sequer começaram: compra da SAF, entrada de Leila Pereira e acordo sobre o Maracanã.

O Vasco vive seu momento mais delicado desde o início da recuperação judicial. O empréstimo emergencial é oxigênio, não cura — mantém a SAF funcionando enquanto a diretoria tenta destrancar a porta judicial e avançar com Lamacchia. A leitura é clara: o clube precisa urgentemente de estabilidade jurídica e governança mínima para não ver o processo de venda descarrilar de vez. A janela para salvar 2026 ainda existe, mas está se fechando rápido, e cada dia de indefinição aumenta o risco de uma crise financeira virar colapso operacional.

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Publicado em 18 de julho de 2026

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