Vasco sangra: caixa zera em 7 dias e clube pede R$ 150 milhões à Justiça para não quebrar

O Vasco apresentou um pedido urgente à Justiça do Rio de Janeiro na quinta-feira (13) para contratar um empréstimo DIP de até R$ 150 milhões. Segundo documentos do processo de recuperação judicial, o clube argumenta que existe risco de "colapso" do fluxo financeiro e afirma que os recursos disponíveis em caixa seriam suficientes para manter as operações por apenas mais sete dias — ou seja, até o fim da próxima semana.
O financiamento seria concedido pela Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa ligada ao empresário Marcos Faria Lamacchia, que negocia a compra de 90% da SAF vascaína. Por lei, o clube não pode vender para Lamacchia antes da abertura da concorrência, mas o empresário tem cláusulas de preferência para cobrir qualquer outra proposta que chegue ao Vasco. A Almirante já havia concedido um empréstimo DIP de R$ 40 milhões ao Vasco em julho.
O novo pedido acontece mesmo depois da entrada de valores importantes no caixa vascaíno. Em 2025, a Justiça já havia autorizado um processo competitivo para um financiamento de R$ 80 milhões com a Crefisa, empresa de Leila Pereira. Em 2026, o Vasco recebeu aproximadamente R$ 120 milhões com a venda de Rayan ao Bournemouth e contratou outro empréstimo, de R$ 40 milhões. Ainda assim, esses recursos não foram suficientes para solucionar a necessidade de caixa.
A petição também relaciona diretamente a situação financeira ao desempenho esportivo do clube. A SAF do Vasco afirma que a falta de recursos pode "provocar deterioração dos ativos, perda de competitividade e até eventual rebaixamento, fatores que poderiam reduzir o valor da companhia e prejudicar o processo de busca por um novo investidor". O documento aponta ainda a urgência para contratações na atual janela de transferências do futebol brasileiro, que termina no dia 11 de setembro. Segundo o ge.globo, o caráter de urgência se deve à liberação do dinheiro: uma demora pode reduzir as alternativas disponíveis para reforçar o elenco no mercado.
A proposta de Lamacchia para assumir o controle da SAF envolve valores muito superiores ao empréstimo emergencial. O projeto prevê R$ 500 milhões destinados ao futebol, outros R$ 150 milhões para o centro de treinamento e o perdão de aproximadamente R$ 80 milhões referentes a um empréstimo. Além disso, o investidor prevê recursos para o pagamento das dívidas incluídas na recuperação judicial e para a cobertura dos déficits de caixa dos próximos anos.
Recentemente, os administradores judiciais e o watchdog solicitaram alterações no acordo apresentado pelo grupo de Lamacchia. As mudanças foram realizadas e um aditivo ao contrato foi assinado. Agora, a expectativa é pela autorização judicial para a abertura do processo competitivo que poderá definir o novo controlador da SAF. A contratação do empréstimo de até R$ 150 milhões ainda depende de autorização da Justiça e da manifestação dos órgãos envolvidos na recuperação judicial.
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