Vasco tem 10ª maior dívida do país: R$ 1 bilhão separa clubes
Levantamento do ge com balanços de 2025 revela que onze clubes brasileiros acumulam passivo superior a R$ 1 bilhão. Corinthians lidera ranking com R$ 2,75 bi; Atlético-MG registra maior déficit anual.

'Patrimônio líquido negativo obviamente é um sinal de alerta, porque mostra que o clube acumulou, ao longo do tempo, um nível de passivo maior que seus ativos', analisa Pedro Weber, sócio da Chenus, empresa especializada em investimentos no esporte.
A frase resume bem o cenário revelado pelo levantamento do ge sobre a situação financeira dos principais clubes brasileiros. Após analisar os demonstrativos contábeis dos 20 clubes da Série A de 2025 e dos quatro que subiram da Série B, o panorama é preocupante: onze instituições possuem dívidas totais acima de R$ 1 bilhão.
O Vasco aparece na décima posição deste ranking que tem o Corinthians no topo, com um passivo de R$ 2,75 bilhões. Atlético-MG (R$ 2,66 bilhões), São Paulo (R$ 2,45 bilhões) e Botafogo (R$ 2,01 bilhões) completam o grupo que já ultrapassa a barreira dos R$ 2 bilhões em dívidas acumuladas.
A metodologia considerou a soma dos passivos circulantes — dívidas a serem pagas em até 12 meses — com os não circulantes, aquelas com prazo superior a um ano. O Remo foi o último clube a apresentar suas contas, fora do prazo estipulado pela Lei Geral do Esporte.
No caso do Corinthians, menos da metade do passivo total é de curto prazo (R$ 979,7 milhões), com boa parte das obrigações alongada para pagamento futuro. Já R$ 730,2 milhões estão relacionados a parcelamentos tributários.
O Atlético-MG vive situação inversa e mais delicada: mais da metade do seu passivo de R$ 2,66 bilhões está no circulante (R$ 1,35 bilhão), sendo R$ 685,2 milhões referentes a empréstimos e financiamentos. Além disso, o clube mineiro registrou o maior déficit de 2025, com saldo negativo de R$ 882,1 milhões.
O Botafogo também preocupa no curto prazo, com 67% do passivo total concentrado no circulante (R$ 1,34 bilhão). Apenas em contas a pagar de transferências de jogadores, o clube carioca acumula R$ 1,1 bilhão em aberto. O déficit anual de R$ 290,8 milhões foi o segundo maior, atrás apenas do Galo.
O São Paulo, apesar de ter a maior parte das dívidas em longo prazo, viu seu passivo circulante saltar de R$ 844,7 milhões em 2024 para R$ 1,03 bilhão em 2025. Vale ressaltar que o balanço financeiro apresentado pelo clube paulista não foi aprovado pelo Conselho Deliberativo.
Quando se analisa o patrimônio líquido — valor disponível após descontar todas as dívidas dos ativos —, Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e Internacional aparecem em situação menos complexa, mesmo com passivos superiores a R$ 1 bilhão, pois todos mantêm patrimônio líquido positivo.
O Flamengo, por exemplo, possui dívida total de R$ 1,26 bilhão, mas conta com R$ 954 milhões em patrimônio líquido, o segundo maior do país. O Athletico-PR lidera esse indicador, sendo o único clube brasileiro com patrimônio superior a R$ 1 bilhão, mantendo dívida total de R$ 404,8 milhões.
No extremo oposto, o Corinthians acumula o patrimônio líquido mais negativo do Brasil: déficit de R$ 774,1 milhões. Na prática, mesmo vendendo todos os seus ativos — jogadores, estrutura, cotas —, o clube ainda ficaria devendo cerca de R$ 1 bilhão.
O Atlético-MG, embora ainda mantenha patrimônio líquido positivo, acende alerta vermelho: o indicador despencou de R$ 859,6 milhões em 2024 para apenas R$ 82,5 milhões em 2025 — queda de 90,4% em um ano.
'Sobre o Atlético-MG, o déficit de 2025 teve um impacto muito relevante e acelerou bastante a deterioração patrimonial do clube. Isso reforça como é importante equilibrar crescimento esportivo com sustentabilidade financeira no longo prazo', finalizou Pedro Weber.
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