Vasco vira a chave e prioriza técnico estrangeiro na janela
Depois de quatro brasileiros seguidos, clube cruzmaltino muda estratégia e aposta no mercado externo. Franclim Carvalho, do Botafogo, lidera corrida; crise institucional atrapalha negociações.

O Vasco mudou de rota. Depois de contratar exclusivamente treinadores brasileiros ao longo de toda a gestão Pedrinho, o clube agora virou a chave e está de olho no mercado estrangeiro para substituir Renato Gaúcho, demitido no último dia 18.
O principal alvo da vez é o português Franclim Carvalho, atual técnico do Botafogo. A lista elaborada pela diretoria vascaína após a saída de Renato tem maioria formada por nomes de fora do país — um movimento que marca uma guinada estratégica no planejamento do futebol cruzmaltino.
Desde que assumiu o comando da SAF, Pedrinho apostou apenas em brasileiros: Rafael Paiva, Fábio Carille, Fernando Diniz e, por último, Renato Gaúcho. Quando o presidente chegou ao poder, o técnico era o português Álvaro Pacheco, contratado ainda pela 777 Partners, mas a passagem durou apenas 30 dias, com três derrotas e um empate.
Agora, o diagnóstico interno é claro: há escassez de opções no mercado brasileiro que encaixem no perfil buscado para o novo comandante. A diretoria vascaína entende que é fundamental uma mudança de ambiente, sobretudo na gestão do grupo.
A relação de parte do elenco com Renato Gaúcho estava desgastada, segundo apurou o ge, e isso pesou na decisão pela demissão. A ideia é contratar um treinador que consiga trabalhar melhor com os jogadores estrangeiros — que somam oito atletas no atual elenco. Houve desgaste com declarações de Renato: um caso emblemático aconteceu quando ele foi questionado sobre o momento ruim de Marino Hinestroza e afirmou que jogadores nascidos na Colômbia e no Equador têm muita dificuldade de adaptação ao futebol brasileiro.
O departamento de futebol quer um comandante com melhor gestão de grupo, capaz de integrar os estrangeiros e criar um ambiente mais harmonioso.
Além de Franclim Carvalho, outros nomes estrangeiros circularam internamente. O português Vasco Matos foi consultado, mas a negociação não avançou após a decisão da Justiça pela saída de Pedrinho do comando da SAF. Vitor Matos, ex-auxiliar de Jürgen Klopp e atualmente no comando do Swansea City, da Inglaterra, também foi debatido.
Marcello Gallardo tinha aprovação da diretoria, mas o argentino deseja passar por um período sabático e não houve avanço após o primeiro contato. Hernán Crespo também foi cogitado, porém nenhuma das partes evoluiu o interesse de forma concreta. Sem clube desde março, quando foi demitido do São Paulo, o argentino negocia com o Al-Sadd, do Catar.
A boa relação entre o estafe de Franclim e o diretor de futebol Admar Lopes pesou para o início das conversas. Assim como aconteceu com Vasco Matos, as negociações corriam de forma positiva, mas desaceleraram quando Admar foi retirado do poder em ação encabeçada pela 777 Carioca na Justiça, na última terça-feira.
Franclim era auxiliar de Artur Jorge nas conquistas do Botafogo em 2024. Artur era o grande sonho do Vasco após a demissão de Fernando Diniz, mas as negociações não se concretizaram. Franclim é visto como alguém da mesma metodologia, com ideias de jogo alinhadas ao departamento de futebol vascaíno e já com bom aproveitamento de pontos no rival alvinegro.
Uma vantagem que apoiou o nome do jovem treinador internamente é que ele e sua família já têm moradia fixada no Rio de Janeiro. Além disso, os outros nomes estrangeiros cogitados trabalham fora do país e demandariam, no mínimo, uma semana de burocracias até estarem em condição de trabalho — um tempo que o Vasco, pressionado pela temporada em andamento, não pode desperdiçar.
A mudança de estratégia reflete também um reconhecimento de que o projeto vascaíno precisa de renovação. Com um elenco mesclado entre brasileiros e estrangeiros, a diretoria entende que a barreira cultural precisa ser quebrada por um técnico capaz de dialogar com diferentes perfis e culturas dentro do vestiário.
A indefinição institucional, no entanto, trava as conversas. A disputa judicial entre Pedrinho e a 777 Carioca pela administração da SAF cria instabilidade e dificulta o avanço das negociações. Franclim segue como favorito, mas o desfecho depende da definição do comando político do clube.
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