Veja obstáculos da venda da SAF, enteado de Leila vira calcanhar de Aquiles e 777 prepara bote

Veja obstáculos da venda da SAF, enteado de Leila vira calcanhar de Aquiles e 777 prepara bote

A venda da SAF do Vasco enfrenta três obstáculos simultâneos que travam o avanço da negociação com Marcos Lamacchia. A juíza Simone Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, negou o terceiro pedido de empréstimo DIP (para empresas em recuperação judicial), de R$ 150 milhões, que seria concedido pela Almirante Participações. Segundo a magistrada, o total de empréstimos chegaria a R$ 270 milhões e praticamente inviabilizaria a concorrência no processo competitivo, configurando uma venda disfarçada. Hoje, a Almirante e a Crefisa já emprestaram R$ 120 milhões ao clube.

Para o Expresso98, a negativa da Justiça evidencia um risco concreto: o acúmulo de créditos nas mãos do mesmo grupo pode efetivamente afastar outros interessados, transformando um leilão competitivo em carta marcada. A decisão judicial protege o processo, mas trava o caixa num momento em que o clube tem 22 pontos em 23 jogos e ocupa a 19ª posição no Brasileirão.

O vínculo familiar entre Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras, tornou-se o ponto de maior fragilidade da operação. O regulamento da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) proíbe que dois ou mais clubes numa mesma divisão sejam controlados pela mesma pessoa, família ou empresa. "Este talvez seja o maior calcanhar de Aquiles desta situação. No código civil, enteado está no mesmo grau de parentesco do que seriam os filhos", afirmou o advogado Marco Antônio Dias ao GLOBO. A ANRESF solicitou informações ao Vasco e deve se pronunciar nos próximos dias.

Caso o conflito de interesses seja constatado, a venda não será necessariamente vetada. Uma das alternativas é o mecanismo blind trust (fundo cego), no qual o acionista fica afastado da administração e de qualquer conselho até o fim do mandato de Leila no Palmeiras, em dezembro de 2027. A medida está prevista no regulamento da ANRESF e poderia destravar a operação.

A leitura do Expresso98 é que o blind trust aparece como solução técnica viável, mas carrega incerteza de prazo: afastar Lamacchia da gestão até dezembro de 2027 pode esfriar o interesse ou complicar a operacionalização do investimento, especialmente se o Vasco seguir na zona de rebaixamento e precisar de decisões urgentes de futebol.

Paralelamente, a 777 Partners — que teve seus direitos suspensos pela Justiça, mas detém 31% da SAF original — já notificou Lamacchia avisando que segue como acionista e que a eventual venda pode ser contestada judicialmente. "A primeira SAF vai virar só uma casca. E a 777 não vai querer sair dessa história sem nada em mãos. Porque, afinal de contas, eles colocaram o dinheiro lá. Não foram os R$ 700 milhões, mas foram pelo menos R$ 300 milhões", comentou o advogado Pedro Teixeira, presidente da Comissão de Estudos sobre SAF da OAB/RJ. Segundo o presidente Pedrinho, o investidor já conversa com o fundo para costurar um acordo.

O processo competitivo ainda aguarda autorização da Justiça para ser aberto. Em publicação no X, o jornalista Gustavo Cunha (@gustavotutinha) informou que falta o parecer do Gatekeeper na UPI (Unidade Produtiva Isolada), enquanto na DIP (Debtor in Possession) ainda faltam os pareceres do Ministério Público, Watchdog e Gatekeeper. Vasco e Lamacchia já pediram diversas vezes a abertura do processo, mas a juíza Simone Chevrand ainda não se manifestou, mesmo após pareceres favoráveis do MP e da administração judicial. O prazo para conclusão da venda foi estipulado em 30 de setembro, independentemente da permanência do Vasco na Série A.

Para o Expresso98, o calendário aperta: o prazo de 30 de setembro se aproxima, e a burocracia judicial segue travando mesmo após pareceres favoráveis. O histórico recente sugere que cada etapa na recuperação judicial do Vasco leva mais tempo que o previsto, e o clube não pode esperar indefinidamente enquanto acumula apenas dois empates e três derrotas nos últimos cinco jogos.

A proposta da Almirante por 90% da SAF prevê investimento de R$ 500 milhões no futebol, conversão do empréstimo de R$ 80 milhões em ações, R$ 120 milhões no CT profissional, R$ 30 milhões na estrutura da base, pagamento das dívidas de dentro e de fora da recuperação judicial, obrigação de cobrir eventual déficit no fluxo de caixa por cinco anos e proibição de distribuir lucros entre os acionistas e de revenda da SAF por dez anos. Essas bases servirão como regras mínimas do processo competitivo: quem quiser concorrer terá que fazer lance superior, e Lamacchia terá direito de cobrir qualquer oferta.

Por Redação Expresso98 · Publicado em 25 de agosto de 2026

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