Virada sobre o São Paulo mostra o caminho: Vasco precisa de pontas de ofício
Mexidas de Renato no intervalo transformaram o time e garantiram a vitória por 2 a 1. Entrada de Adson e Puma na direita devolveu equilíbrio e ocupação ofensiva que faltavam no primeiro tempo.

A virada sobre o São Paulo por 2 a 1 em São Januário trouxe alívio após cinco jogos sem vencer, mas principalmente acendeu uma luz sobre o caminho tático que o Vasco precisa seguir. As mudanças de Renato Gaúcho no intervalo não apenas salvaram o resultado — elas escancararam um problema que vinha se repetindo.
No primeiro tempo, o time insistiu num esquema que não funcionava. Com Rojas improvisado na ponta direita e Tchê Tchê tendo que cobrir aquele setor defensivamente, o Vasco ficou desfalcado no meio e pouco ameaçador no ataque. David, que não é centroavante, ficava isolado na área. As chances criadas por Gómez e pela esquerda morriam por falta de gente para finalizar.
O gol sofrido, mais uma vez, veio de presente. Cuiabano e Robert Renan se atrapalharam num chutão simples de Rafael, e Calleri aproveitou a confusão para servir Luciano. O São Paulo não havia criado nada até ali — e essa generosidade defensiva tem sido a marca registrada do time nas últimas semanas.
A volta do intervalo trouxe um Vasco diferente. Renato colocou Adson e Puma, transformando o 4-3-3 num 4-2-3-1 com um ponta de ofício na direita. Rojas recuou para a posição de armador, função que lhe cai melhor. As entradas posteriores de Spinelli e Brenner povoaram ainda mais a área tricolor.
Puma, decisivo, sofreu e converteu o pênalti do empate, depois participou do lance do gol da virada de Gómez. Com cinco jogadores chegando na área, o Vasco finalmente encontrou espaços e superioridade numérica.
A lição está clara: o time precisa de pontas de verdade. David pode jogar pela esquerda, Gómez transita bem pelos dois lados, Adson vem aproveitando as chances. Não há necessidade de improvisar Rojas numa função que o anula.
Os 15 pontos em 24 disputados no Brasileiro (62% de aproveitamento) são números de Libertadores. Mas os erros defensivos primários precisam acabar. Em quatro dos jogos sem vitória recentes, o Vasco entregou o resultado de bandeja. Contra adversários mais competentes, esse luxo não existe.
A sequência traz Corinthians e Flamengo no Brasileiro, além de Paysandu na Copa do Brasil e Olimpia na Sul-Americana. O caminho tático está desenhado. Agora é manter.
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